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‘Cubanos têm privilégios que ninguém mais tem nos EUA’, diz socióloga

JORNAL GAZETA NACIONAL por JORNAL GAZETA NACIONAL
06/02/2023
em Noticias
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‘Cubanos têm privilégios que ninguém mais tem nos EUA’, diz socióloga
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Poucas vezes um trabalho acadêmico causou tanta polêmica na Flórida quanto o mais recente livro da socióloga americana Susan Eckstein.

Foto de julho de 2022 mostra manifestantes em Miami pedindo liberdade em Cuba

Foto de julho de 2022 mostra manifestantes em Miami pedindo liberdade em Cuba© Getty Images

Eckstein é professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Boston (EUA) e é especializada nas relações entre Cuba e os Estados Unidos.

Em entrevista à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), a acadêmica afirma que levou seis anos de pesquisa para escrever seu livro Cuban Privilege: The Making of Immigrant Inequality in America (em tradução livre, “Privilégio cubano: a construção da desigualdade migratória nos EUA”).

O livro analisa a evolução dos direitos e benefícios que os cubanos migrando para os Estados Unidos gozam por lei desde 1959 — ano do triunfo da revolução de Fidel Castro —, bem diferentes dos que recaem sobre imigrantes de outros países da América Latina e do Caribe.

Quando Eckstein foi a Miami lançar o livro, membros de direita da diáspora cubana lhe declararam guerra, fazendo com que uma palestra em uma livraria fosse cancelada por questões de segurança.

Na Universidade Internacional da Flórida (FIU, na sigla em inglês), onde ocorreu sua palestra mais importante, dezenas de pessoas protestaram do lado de fora. O evento também ocorreu em um ambiente hostil, com constantes acusações de que Eckstein era cúmplice do regime cubano.

Confira os principais trechos da entrevista.

A socióloga Susan Eckstein diz que não esperava tamanha reação ao seu mais recente livro

A socióloga Susan Eckstein diz que não esperava tamanha reação ao seu mais recente livro© Divulgação

BBC – Você esperava essa reação?

Os cassinos odeiam quando você faz isso (mas isso é legal)
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http%3A%2F%2Fcdn.taboola.com%2Flibtrc%2Fstatic%2Fthumbnails%2Fb1f0cea3312f1ce187b97c96b4064474

Susan Eckstein – Nada, me pegou totalmente de surpresa.

Sou apenas uma acadêmica; estou acostumada a conversar com outros acadêmicos. Fora da academia, ninguém mais presta atenção no que escrevemos. Eu havia dado palestras sobre este livro por todo o país e alguns se interessaram, outros criticaram… tudo em um ambiente amigável.

Mas quando vim para Miami, um político local escreveu um tuíte que viralizou, dizendo que eu sou carregada de ódio, que sou uma provocadora anticubana, coisas que eu não sou. Ele reconheceu que não havia lido o livro, mas mesmo assim, formou-se aquele turbilhão que eu não esperava.

BBC – Por que se dedicar a esse tema?

Eckstein – Estudei Cuba por muitos anos, escrevi vários livros e o próximo passo natural foi tentar entender a política de imigração dos Estados Unidos para Cuba.

Além disso, fiquei intrigada com os privilégios que só os cubanos têm. Esses privilégios são únicos e foram conquistados ao longo dos anos.

BBC – Em seu trabalho, você compara migrantes cubanos e haitianos.

Eckstein – Eu estava interessada no tratamento diferente que Washington dá às duas nacionalidades, que vivem em duas ilhas vizinhas. Os haitianos são deportados, enquanto os cubanos recebem status especial de refugiado.

É difícil argumentar que os cubanos merecem mais do que os haitianos. O Haiti é o país mais pobre do hemisfério, há muita violência e agora praticamente não existe um Estado. O fato de os cubanos terem esses privilégios, e os haitianos não, sugere que não é simplesmente uma questão de justiça.

BBC – O que é o “privilégio cubano”?

Eckstein – Refere-se aos direitos ou benefícios que os EUA concederam aos cubanos ao longo dos anos. Esses privilégios têm sido políticos, econômicos e sociais. O termo tenta definir essa situação única para os cubanos.

Após a revolução de 1959, o líder cubano Fidel Castro aliou-se à União Soviética, colocando seu regime na mira de Washington. Na foto, Castro e o líder russo Nikita Khrushchev na Praça Vermelha de Moscou em 1964

Após a revolução de 1959, o líder cubano Fidel Castro aliou-se à União Soviética, colocando seu regime na mira de Washington. Na foto, Castro e o líder russo Nikita Khrushchev na Praça Vermelha de Moscou em 1964© Getty Images

BBC – Como ele começou?

Eckstein – Como uma história da Guerra Fria. O presidente Eisenhower (1953-61) não tolerava uma revolução a 90 milhas de seu território e começou a receber os cubanos assumindo que eles iriam voltar para Cuba. As autoridades tentaram treiná-los para a invasão da Baía dos Porcos, em 1961.

Quando ela falha, esses cubanos ficam e ganham mais benefícios especiais sob o programa de refugiados mais generoso da história dos Estados Unidos — incluindo faculdade gratuita, treinamento vocacional ou auxílio para colocação no mercado de trabalho. Esse pacote exclui imigrantes de outros países.

Se você fosse cubano, só de vir para os Estados Unidos já adquiria o status de refugiado.BBCNEWS

Poucas vezes um trabalho acadêmico causou tanta polêmica na Flórida quanto o mais recente livro da socióloga americana Susan Eckstein.

Foto de julho de 2022 mostra manifestantes em Miami pedindo liberdade em Cuba

Foto de julho de 2022 mostra manifestantes em Miami pedindo liberdade em Cuba© Getty Images

Eckstein é professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Boston (EUA) e é especializada nas relações entre Cuba e os Estados Unidos.

Em entrevista à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), a acadêmica afirma que levou seis anos de pesquisa para escrever seu livro Cuban Privilege: The Making of Immigrant Inequality in America (em tradução livre, “Privilégio cubano: a construção da desigualdade migratória nos EUA”).

O livro analisa a evolução dos direitos e benefícios que os cubanos migrando para os Estados Unidos gozam por lei desde 1959 — ano do triunfo da revolução de Fidel Castro —, bem diferentes dos que recaem sobre imigrantes de outros países da América Latina e do Caribe.

Quando Eckstein foi a Miami lançar o livro, membros de direita da diáspora cubana lhe declararam guerra, fazendo com que uma palestra em uma livraria fosse cancelada por questões de segurança.

Na Universidade Internacional da Flórida (FIU, na sigla em inglês), onde ocorreu sua palestra mais importante, dezenas de pessoas protestaram do lado de fora. O evento também ocorreu em um ambiente hostil, com constantes acusações de que Eckstein era cúmplice do regime cubano.

Confira os principais trechos da entrevista.

A socióloga Susan Eckstein diz que não esperava tamanha reação ao seu mais recente livro

A socióloga Susan Eckstein diz que não esperava tamanha reação ao seu mais recente livro© Divulgação

BBC – Você esperava essa reação?

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Susan Eckstein – Nada, me pegou totalmente de surpresa.

Sou apenas uma acadêmica; estou acostumada a conversar com outros acadêmicos. Fora da academia, ninguém mais presta atenção no que escrevemos. Eu havia dado palestras sobre este livro por todo o país e alguns se interessaram, outros criticaram… tudo em um ambiente amigável.

Mas quando vim para Miami, um político local escreveu um tuíte que viralizou, dizendo que eu sou carregada de ódio, que sou uma provocadora anticubana, coisas que eu não sou. Ele reconheceu que não havia lido o livro, mas mesmo assim, formou-se aquele turbilhão que eu não esperava.

BBC – Por que se dedicar a esse tema?

Eckstein – Estudei Cuba por muitos anos, escrevi vários livros e o próximo passo natural foi tentar entender a política de imigração dos Estados Unidos para Cuba.

Além disso, fiquei intrigada com os privilégios que só os cubanos têm. Esses privilégios são únicos e foram conquistados ao longo dos anos.

BBC – Em seu trabalho, você compara migrantes cubanos e haitianos.

Eckstein – Eu estava interessada no tratamento diferente que Washington dá às duas nacionalidades, que vivem em duas ilhas vizinhas. Os haitianos são deportados, enquanto os cubanos recebem status especial de refugiado.

É difícil argumentar que os cubanos merecem mais do que os haitianos. O Haiti é o país mais pobre do hemisfério, há muita violência e agora praticamente não existe um Estado. O fato de os cubanos terem esses privilégios, e os haitianos não, sugere que não é simplesmente uma questão de justiça.

BBC – O que é o “privilégio cubano”?

Eckstein – Refere-se aos direitos ou benefícios que os EUA concederam aos cubanos ao longo dos anos. Esses privilégios têm sido políticos, econômicos e sociais. O termo tenta definir essa situação única para os cubanos.

Após a revolução de 1959, o líder cubano Fidel Castro aliou-se à União Soviética, colocando seu regime na mira de Washington. Na foto, Castro e o líder russo Nikita Khrushchev na Praça Vermelha de Moscou em 1964

Após a revolução de 1959, o líder cubano Fidel Castro aliou-se à União Soviética, colocando seu regime na mira de Washington. Na foto, Castro e o líder russo Nikita Khrushchev na Praça Vermelha de Moscou em 1964© Getty Images

BBC – Como ele começou?

Eckstein – Como uma história da Guerra Fria. O presidente Eisenhower (1953-61) não tolerava uma revolução a 90 milhas de seu território e começou a receber os cubanos assumindo que eles iriam voltar para Cuba. As autoridades tentaram treiná-los para a invasão da Baía dos Porcos, em 1961.

Quando ela falha, esses cubanos ficam e ganham mais benefícios especiais sob o programa de refugiados mais generoso da história dos Estados Unidos — incluindo faculdade gratuita, treinamento vocacional ou auxílio para colocação no mercado de trabalho. Esse pacote exclui imigrantes de outros países.

Se você fosse cubano, só de vir para os Estados Unidos já adquiria o status de refugiado.BBCNEWS

Poucas vezes um trabalho acadêmico causou tanta polêmica na Flórida quanto o mais recente livro da socióloga americana Susan Eckstein.

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Eckstein é professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Boston (EUA) e é especializada nas relações entre Cuba e os Estados Unidos.

Em entrevista à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), a acadêmica afirma que levou seis anos de pesquisa para escrever seu livro Cuban Privilege: The Making of Immigrant Inequality in America (em tradução livre, “Privilégio cubano: a construção da desigualdade migratória nos EUA”).

O livro analisa a evolução dos direitos e benefícios que os cubanos migrando para os Estados Unidos gozam por lei desde 1959 — ano do triunfo da revolução de Fidel Castro —, bem diferentes dos que recaem sobre imigrantes de outros países da América Latina e do Caribe.

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