Paulo Skaf considera precipitada a decisão do Senado e questiona a influência do calendário eleitoral sobre uma mudança que poderá afetar empresas, trabalhadores e consumidores.
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1 provocou forte reação entre representantes da indústria brasileira. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, manifestou preocupação com a decisão do Senado Federal, tomada nesta quarta-feira, 14 de outubro, e criticou a rapidez da votação em meio à disputa presidencial.
A proposta, aprovada pelos senadores em dois turnos, prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
Para Skaf, uma transformação dessa dimensão deveria ser conduzida mediante estudos aprofundados e discussões técnicas, distantes das pressões eleitorais. O dirigente classificou a iniciativa como uma PEC Boca de Urna, expressão utilizada para questionar o momento político escolhido para sua aprovação.
A Fiesp alerta que a mudança poderá provocar consequências significativas em setores essenciais, como saúde, educação, transporte, supermercados e indústria química. Entre as preocupações estão o aumento dos custos operacionais, a possível redução de postos de trabalho e o avanço da informalidade.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também demonstrou preocupação com os efeitos econômicos da medida. Segundo projeções da entidade, a alteração poderá elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões, com possíveis reflexos sobre os preços ao consumidor e a competitividade das empresas.
Por outro lado, representantes dos trabalhadores consideram a aprovação uma conquista histórica. Para as centrais sindicais, a redução da jornada representa um avanço na valorização profissional, permitindo maior convivência familiar, descanso e qualidade de vida, sem comprometimento da remuneração.
A discussão evidencia um dos principais desafios do mercado de trabalho brasileiro: conciliar a proteção dos direitos trabalhistas com a sustentabilidade econômica das atividades produtivas.
Em um cenário marcado por divergências políticas e preocupações econômicas, o fim da escala 6×1 ultrapassa o debate sobre a organização das jornadas e coloca em evidência os caminhos que o Brasil pretende seguir na construção de novas relações de trabalho.
Por Redação do Jornal Gazeta Nacional







































