Por Luciana Mamede
Na London Fashion Week, Simone Rocha apresentou sua coleção Primavera/Verão 2027 voltada exclusivamente ao guarda-roupa feminino, propondo um olhar mais próximo da mulher real e de suas múltiplas facetas. Conhecida pelo romantismo, pelos volumes e pelos ornamentos delicados, a estilista irlandesa trouxe nesta temporada uma leitura mais prática e, ao mesmo tempo, sensual de seus códigos. A silhueta ora acompanha o corpo, em vestidos ajustados e de inspiração sereia, ora se afasta dele, criando formas que lembram um casulo. A coleção parece dizer que não é preciso escolher entre ser romântica ou séria, delicada ou sexy, esportiva ou sofisticada: todas essas possibilidades podem coexistir.
Os elementos que consagraram Simone Rocha permanecem presentes, mas aparecem de maneira mais próxima ao corpo. Flores, laços, transparências, volumes e aplicações dividem espaço com jaquetas abertas, hot pants de couro, decotes profundos e peças que revelam a lingerie. O resultado é uma feminilidade menos protegida por camadas e mais exposta, vulnerável e sensual. A designer aproxima seus excessos característicos do cotidiano, mostrando que o romantismo também pode existir em uma mulher prática, que se movimenta, trabalha, deseja e vive situações reais.
As estampas florais ganham destaque e aparecem com aspecto quase pictórico, borradas, deslocadas e transformadas em textura. A combinação entre peças também foge do convencional: camisas mais simples encontram saias volumosas, enquanto tricôs cinza são sobrepostos a slip dresses. Essa mistura entre o utilitário e o delicado reforça a proposta de uma coleção que não pretende criar uma personagem única, mas acompanhar as diferentes mulheres que existem dentro de uma mesma mulher.
Simone Rocha mantém, assim, sua identidade reconhecível, mas a coloca em diálogo com um novo desejo de praticidade e liberdade. O romantismo deixa de ser apenas fantasia e passa a fazer parte da vida cotidiana, com suas imperfeições, contradições e desejos. Na passarela londrina, a mensagem é clara: a mulher não precisa escolher uma única versão de si mesma — ela pode ser todas.
Ser & Estar
Luciana Mamede
Seja feliz e até breve.






































