A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado deve aprovar nas próximas semanas a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de uma empresa com ligação familiar ao ministro do Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. A medida foi proposta pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e já conta com amplo apoio entre parlamentares que integram o colegiado.
O foco da investigação é a Maridt Participações S.A., empresa controlada por José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, que até então vinha sendo associada a negócios imobiliários e financeiros suspeitos — incluindo participação em resorts que atraíram atenção da CPI.
O requerimento aprovado pela CPI exige o acesso a informações detalhadas de movimentações financeiras e comunicações realizadas pela empresa entre 2022 e 2026. Os dados solicitados incluem extratos bancários, declarações fiscais, registros de telefonia e informações de plataformas digitais como WhatsApp e serviços vinculados ao Google — com o objetivo de rastrear fluxos de recursos e identificar possíveis irregularidades.
Além disso, está prevista a votação de convocações de testemunhas e investigados, como os próprios irmãos de Toffoli, e de pedidos para que a Polícia Federal e órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) forneçam relatórios de inteligência financeira que auxiliem nas apurações.
A CPI investiga possíveis conexões entre organizações criminosas, lavagem de dinheiro e estruturas empresariais suspeitas, ampliando a análise também para o caso do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial levantou questionamentos sobre relações entre agentes públicos e grupos financeiros privados.
Até o momento, o ministro Dias Toffoli negou irregularidades e afirmou que as menções a seu nome em mensagens relacionadas ao caso não configuram relações impróprias, destacando que a participação em sociedades empresariais familiares estava dentro da legalidade e que ele não teve envolvimento direto na gestão desses negócios.
A votação dos requerimentos está prevista para ocorrer após a semana do Carnaval, com expectativa de que os próximos passos da CPI aprofundem as investigações e ampliem o debate político e institucional sobre a atuação de ministros do Judiciário e suas relações com o meio empresarial.
Por: Redação da Gazeta





































