
O avanço no uso da tirzepatida para o controle do peso e de alterações metabólicas também trouxe novas possibilidades para mulheres que convivem com o lipedema. Embora o medicamento não tenha indicação específica para tratar a doença, ele pode ser utilizado, quando houver indicação médica, como uma ferramenta complementar no cuidado de pacientes que apresentam excesso de peso, obesidade ou alterações metabólicas associadas ao quadro.
O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, principalmente em pernas, quadris e braços. A condição pode provocar dor, sensibilidade, sensação de peso e inchaço, além de apresentar um importante componente inflamatório. A gordura do lipedema possui características próprias e não responde necessariamente às estratégias tradicionais de emagrecimento da mesma forma que a gordura relacionada à obesidade.
“Além do controle metabólico e da redução de peso, o que considero importante na utilização da tirzepatida em algumas pacientes é que se nota uma melhora da inflamação. Como o lipedema é uma doença inflamatória, essa melhora pode ajudar no controle do quadro e de alguns sintomas. Mas é importante deixar claro que a tirzepatida não trata diretamente o lipedema. Ela pode ser uma ferramenta complementar dentro de uma estratégia individualizada de tratamento”, explica a Dra. Tatiana Losada, cirurgiã vascular e angiologista.
A tirzepatida atua em mecanismos relacionados à regulação do apetite, saciedade e controle glicêmico, contribuindo para a redução do peso corporal. No contexto de pacientes com lipedema, o controle do excesso de peso e de alterações metabólicas pode ser especialmente relevante, uma vez que a obesidade pode aumentar a sobrecarga sobre os membros e dificultar o controle de sintomas.
Além disso, a percepção de melhora de processos inflamatórios é um aspecto que chama a atenção no acompanhamento de pacientes com lipedema. “Quando conseguimos melhorar o metabolismo e também percebemos uma redução do processo inflamatório, a paciente pode ter uma evolução melhor em relação a sintomas como sensação de peso, desconforto e inchaço. No entanto, isso não significa que a tirzepatida elimine o tecido do lipedema ou faça a doença desaparecer”, ressalta a especialista.
Outro ponto importante é diferenciar a perda de peso da redução do tecido característico do lipedema. A paciente pode apresentar emagrecimento e melhora do contorno corporal, especialmente em regiões com gordura associada à obesidade, mas o tecido do lipedema apresenta comportamento diferente.
O tratamento do lipedema deve considerar o estágio da doença, os sintomas apresentados e a presença de condições associadas, como obesidade e alterações metabólicas. A abordagem pode envolver mudanças no estilo de vida, atividade física adequada, estratégias para controle do edema, compressão, acompanhamento médico e outras medidas definidas de acordo com as necessidades de cada paciente.
“Um dos principais cuidados é não transformar a tirzepatida na protagonista do tratamento. Ela pode ser uma ferramenta importante quando existe indicação, mas o lipedema exige uma abordagem ampla. Precisamos controlar o peso e o metabolismo, cuidar da inflamação e, principalmente, tratar as manifestações específicas da doença”, completa a cirurgiã vascular.
Para a Dra. Tatiana, a orientação individualizada é essencial. “Não existe uma única estratégia que funcione para todas as pacientes com lipedema. Antes de iniciar a tirzepatida, é preciso avaliar se existe indicação, quais são os objetivos do tratamento e quais outros cuidados essa paciente precisa. A ideia não é tratar apenas o peso, mas cuidar da saúde de forma global e controlar os diferentes fatores que podem influenciar a evolução do lipedema”, conclui.
Cirurgiã vascular Dra. Tatiana Losada | @dratatianalosada
Médica Especialista em Cirurgia Vascular e Angiologia
Especialista em tratamentos modernos de varizes, vasinhos e Lipedema
Formada pela Universidade de Uberaba – MG
Cirurgiã Geral pela Secretária de Saúde do Distrito Federal
Cirurgiã Vascular pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – FAMERP
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular e Angiologia.
Por: Redação do Jornal Gazeta Nacional






































