— Documentos internos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam que o produto de crédito consignado chamado Credcesta, vinculado ao Banco Master, chegou a registrar aproximadamente 2,7 milhões de contratos com beneficiários da Previdência Social — aposentados e pensionistas — e apresenta um padrão sistêmico de falhas e irregularidades que preocupa auditores e autoridades previdenciárias.
De acordo com a análise técnica do INSS, muitos desses contratos foram formalizados sem documentação adequada, sem comprovação de consentimento dos segurados e com ausência de informações essenciais, como taxa de juros, número de parcelas e limites de crédito, o que compromete a validade jurídica dos acordos.
A investigação interna aponta ainda que o número de contratos cresceu de maneira atípica em pouco tempo, o que levou o instituto a não renovar o Acordo de Cooperação Técnica com o banco em setembro de 2025, retirando o Master da operação de novos empréstimos consignados.
Além disso, auditores do INSS concluíram que um grande percentual dos contratos não tinha comprovação documental que validasse a autorização do beneficiário, reforçando o risco de que descontos tenham sido feitos sem a concordância dos aposentados e pensionistas.
O caso Credcesta se insere no contexto mais amplo do escândalo de fraudes no INSS, que tem sido alvo de investigação da Polícia Federal e resultou em operações como a Operação Sem Desconto, destinada a apurar descontos indevidos em benefícios.
O Banco Master, que já passou por liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025 após questionamentos sobre sua solidez, enfrenta investigações parlamentares e judiciais que buscam esclarecer o papel de suas operações de consignado e seus efeitos sobre a renda de milhões de beneficiários.
O INSS ainda não divulgou oficialmente números finais do impacto, nem como será feito o ressarcimento de eventuais descontos indevidos aos segurados, mas o caso deve seguir em torno dos debates sobre proteção ao consumidor e controles de crédito junto ao sistema previdenciário.
Por: Redação da Gazeta





































