Os sete candidatos à Presidência da República que já registraram suas candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declararam, no total, quase R$ 52 milhões em patrimônio. O líder das pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem o terceiro maior patrimônio entre eles, com R$ 7,4 milhões. Seu registro foi feito neste sábado, 6. Simone Tebet (MDB), que aparece em quarto lugar nas pesquisas, também tem o quarto maior patrimônio da lista, com R$ 2,3 milhões.
O topo da lista está com Felipe d’Ávila (NOVO), que registrou R$ 24,6 milhões, aproximadamente 47,5% do total dos sete candidatos. Ele é seguido por Pablo Marçal (PROS), com patrimônio de R$16,9 milhões. Marçal, no entanto, pode não levar a sua candidatura adiante porque o seu partido deve apoiar Lula.
Também foram registradas as candidaturas de Sofia Manzano (PCB), com R$ 498 mil, Vera Lúcia (PSTU), com R$ 8.805,00, e Léo Pericles (UP), que registrou apenas R$ 197,31
O presidente Jair Bolsonaro (PL) e os pré-candidatos Ciro Gomes (PDT), Soraya Thronicke (UB), Eymael (DC) e Roberto Jefferson (PTB) não registraram suas candidaturas até este fim de semana. Com o fim do período de convenções, os partidos têm até o dia 15 de agosto para solicitar à Corte a oficialização de seus candidatos nas eleições de outubro.
Lula registra patrimônio menor do que em 2018
Os R$ 7,4 milhões registrados na candidatura de Lula são menores do que os quase R$ 8 milhões informados à Corte em 2018, quando o petista foi impedido de concorrer por ter sido enquadrado na Lei da Ficha Limpa e acabou substituído no pleito por Fernando Haddad (PT). Corrigido pela inflação, o montante chega a R$ 10,2 milhões pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
MDB oficializa candidatura de Tebet, apesar de resistência de ala ‘lulista’
A senadora Simone Tebet pediu o registro de sua candidatura à Presidência da República na noite deste sábado, 6, com a também senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) como vice. Tebet informou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 2,3 milhões, que inclui sete apartamentos, duas casas e quatro terrenos, além de depósitos bancários em conta corrente no País.
A candidata emedebista é apoiada por Podemos, PSDB, que indicou a vice, e Cidadania, partido que formou uma federação com os tucanos. O MDB aprovou o nome de Tebet ao Palácio do Planalto em convenção realizada no dia 27 de julho. Foram 262 votos a favor e 9 contra, após uma série de tentativas da ala “lulista” da legenda de impedir o lançamento da candidatura.
Com 52 anos, Tebet vai disputar a Presidência pela primeira vez. Antes de assumir uma cadeira no Senado em 2014, foi deputada estadual em Mato Grosso do Sul, de 2003 a 2005, prefeita de Três Lagoas (MS), de 2005 a 2010, e vice-governadora do Estado, de 2011 a 2015. No ano passado, a parlamentar se destacou em seus discursos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que investigou ações e omissões do governo na pandemia.
Apesar de ter o apoio do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, Tebet enfrentou a resistência da ala do partido que prefere apoiar o ex-presidente Lula no primeiro turno. A avaliação desse grupo, liderado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), é que uma candidatura pouco competitiva pode prejudicar os candidatos da sigla nos Estados e levar a uma redução da bancada de deputados federais no ano que vem. Atualmente, a legenda tem 37 assentos na Câmara. No levantamento mais recente do Datafolha, divulgado em 28 de julho, Tebet aparece com 2% de intenção de voto.
A candidata a vice, Mara Gabrilli, declarou um patrimônio de R$ 12,9 milhões, que inclui um apartamento, um terreno, um veículo automotor, além de aplicações e investimentos.
Menos transparência
Como mostrou o Estadão, o TSE reduziu a transparência na divulgação dos dados dos candidatos da eleição deste ano. A Corte deixou de exigir dos políticos o detalhamento de seus bens, o que impede o eleitor de conhecer minúcias sobre o patrimônio dos que disputam uma vaga nos legislativos estaduais e no Congresso e também os cargos para governador e presidente da República.
Pela nova regra, o candidato só precisa informar genericamente que tem uma casa ou um veículo, sem indicar o tipo de imóvel ou o modelo do carro. Associações e entidades que defendem a ampla transparência nas informações públicas temem que a Justiça Eleitoral amplie as restrições no período em que os candidatos terão de apresentar a prestação de contas das campanhas.
O TSE argumenta que a atual mudança na descrição dos bens e a eventual alteração na prestação de contas se amparam em interpretações mais amplas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que tem o objetivo original de proteger as informações dos cidadãos.
Bruno Luiz, Iander Porcella e Rubens Anater – Ontem 18:53






































