Washington / Brasília – O governo norte-americano anunciou uma nova medida comercial que atinge diretamente o Brasil: a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, com vigência a partir de 1º de agosto. A decisão substitui a tarifa universal de 10% que estava em vigor desde abril.
Embora o argumento oficial seja a proteção da indústria americana e o combate a práticas comerciais consideradas desleais, analistas apontam que a medida também possui motivações políticas. O ex-presidente Donald Trump criticou publicamente o tratamento judicial dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando-o de “perseguido político”.
O impacto será sentido especialmente em setores como café, suco de laranja, carne, produtos químicos e aviação, com destaque para a Embraer. Pequenos e médios produtores já relatam cancelamento de contratos com compradores americanos, aumento da insegurança econômica e risco de prejuízos irreversíveis.
O governo brasileiro reagiu com firmeza. Além de acionar a Organização Mundial do Comércio, o país aprovou a chamada Lei da Reciprocidade Comercial, que autoriza a aplicação de tarifas equivalentes contra os Estados Unidos. Também está em análise a imposição de sanções específicas sobre produtos americanos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a atitude como “uma afronta comercial” e reforçou que o Brasil não aceitará sanções sem justificativa técnica. Apesar das tentativas de negociação iniciadas ainda em maio, o governo americano não respondeu aos apelos diplomáticos.
Estima-se que a nova tarifa possa gerar perdas significativas ao Brasil, com previsão de corte de até 120 mil empregos, redução de exportações e impacto direto no Produto Interno Bruto. O estado de São Paulo, principal polo industrial do país, poderá registrar retração de até 2,7% no seu PIB.
Por: Redação da Gazeta





































