O governo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, vem sendo celebrado por parte da direita internacional como um modelo eficaz de combate ao crime. No entanto, críticas crescentes o comparam à “Cuba da direita”, alertando para um cenário onde o autoritarismo se disfarça de eficiência.
Sob o regime de “estado de exceção”, mais de 85 mil pessoas foram presas, incluindo milhares de menores. A taxa de homicídios despencou no país, mas o custo foi alto: denúncias de prisões arbitrárias, tortura, desaparecimentos e mortes sob custódia revelam um sistema que viola direitos fundamentais.
Para analistas e estudiosos do sistema democrático, o chamado “modelo Bukele” oferece poucas lições aplicáveis a países como o Brasil. Embora a sensação de segurança tenha sido restaurada em muitas regiões de El Salvador, a repressão sistemática mina as instituições e compromete o Estado de Direito. Democracia não se sustenta apenas sobre a ausência do crime, mas sobre a presença de garantias, justiça e pluralismo político.
Hoje, El Salvador atrai olhares não apenas por seu sucesso na redução da violência, mas também por representar um tipo de “turismo político” da extrema direita internacional. Enquanto visitantes se encantam com a ordem visível nas ruas, muitos não enxergam o cenário sombrio que se esconde nos bastidores: prisões superlotadas, falta de julgamento justo e enfraquecimento das liberdades civis.
O “milagre salvadorenho” pode até parecer atraente em curto prazo, mas esconde uma perigosa armadilha. Exportar esse modelo a outros países seria não apenas ineficaz, mas também uma ameaça real às estruturas democráticas.
Por: Redação da Gazeta





































