O desmoronamento de um imóvel residencial na Rua Visconde de Itabaiana, no coração do bairro do Engenho Novo, zona norte do Rio de Janeiro, expôs ontem (8) uma tragédia anunciada. Técnicos da Defesa Civil Municipal afirmaram que já haviam sinalizado, em ao menos três vistorias anteriores, a presença de rachaduras e danos significativos na estrutura do prédio de três pavimentos, recomendando reparos urgentes aos responsáveis pelo imóvel, antes do colapso que chocou moradores da região.
Por volta do fim da tarde de domingo, o antigo edifício desabou de forma abrupta, atraindo equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e do Grupamento de Busca e Salvamento ao local. O saldo, ainda sob avaliação definitiva das autoridades, inclui pelo menos quatro adultos resgatados com vida — três com ferimentos leves e um com quadro considerado moderado — que foram encaminhados ao Hospital Municipal Salgado Filho.
O que torna o episódio particularmente doloroso é a constatação oficial de que o risco era conhecido. Relatórios da Defesa Civil, resultantes das inspeções anteriores, já haviam destacado que o imóvel apresentava problemas estruturais graves. Conforme o órgão, as falhas incluíam fissuras que comprometiam a estabilidade da edificação e a necessidade clara de intervenções técnicas, avisos que, segundo o comunicado, não foram integralmente atendidos pelos proprietários antes do desastre.
Os trabalhos de resgate se estenderam por várias horas, mobilizando dezenas de profissionais. Além dos moradores, animais de estimação que haviam ficado aprisionados nos escombros foram localizados; infelizmente, alguns não resistiram.
O cenário no Engenho Novo, um bairro que carrega marcas de urbanização antiga e infraestrutura desgastada, intensifica o debate sobre a segurança das edificações e a necessidade de maior fiscalização preventiva em áreas da cidade com construções antigas e histórico de manutenção precária.
Com as buscas encerradas, a área foi isolada e entregue novamente à Defesa Civil para avaliação detalhada das condições remanescentes. Familiares e moradores vizinhos acompanham agora o desdobrar das investigações e a busca por respostas diante de um acidente que, para muitos, poderia ter sido evitado.
Por: Redação da Gazeta





































