• Contato
  • Política de privacidade
Jornal Gazeta Nacional
  • Início
  • Noticias
    França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

    França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

    Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

    Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

    Ucrânia anuncia trégua em Oleshky e abre caminho para operação humanitária em meio à guerra

    Ucrânia anuncia trégua em Oleshky e abre caminho para operação humanitária em meio à guerra

    IPCA-15 desacelera em outubro e surpreende mercado com inflação abaixo das expectativas

    IPCA-15 desacelera em outubro e surpreende mercado com inflação abaixo das expectativas

  • Saúde
    Juventude no Parlamento

    Cérebro e Política: A Juventude no Parlamento, o que podemos esperar?

    Câncer colorretal avança entre jovens e acende alerta para sintomas frequentemente ignorados

    Câncer colorretal avança entre jovens e acende alerta para sintomas frequentemente ignorados

    Retatrutida: novo medicamento para obesidade apresenta resultados promissores e pode revolucionar o tratamento do excesso de peso

    Retatrutida: novo medicamento para obesidade apresenta resultados promissores e pode revolucionar o tratamento do excesso de peso

    Outubro Rosa deve considerar a manutenção da identidade, saúde e beleza da paciente

    Outubro Rosa deve considerar a manutenção da identidade, saúde e beleza da paciente

  • Política
    Eleições 2026: dólar pode ultrapassar R$ 5,20 e Ibovespa recuar abaixo dos 180 mil pontos, avalia economista

    Eleições 2026: dólar pode ultrapassar R$ 5,20 e Ibovespa recuar abaixo dos 180 mil pontos, avalia economista

    Pesquisa Correio/Opinião aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no Distrito Federal

    Pesquisa Correio/Opinião aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no Distrito Federal

    Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate presidencial após manifestações pelo Brasil

    Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate presidencial após manifestações pelo Brasil

    Presidente da Fiesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e alerta para impactos na economia brasileira

    Presidente da Fiesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e alerta para impactos na economia brasileira

  • Moda
    SPFW N61: transparências, artesania e identidade brasileira marcam as passarelas

    SPFW N61: transparências, artesania e identidade brasileira marcam as passarelas

    Rascunho automático

    Juliana Manzini: uma história construída por conexões, criatividade e propósito

    São Paulo Fashion Week N61

    São Paulo Fashion Week N61 encerra celebração de 30 anos com uma edição marcada pela força criativa, diversidade e identidade da moda brasileira

    Em Pauta

    Em Pauta

  • Experiências & Hospedagem
    Shopping Ibirapuera celebra o Dia das Crianças com espetáculos, música e experiências gratuitas para toda a família

    Shopping Ibirapuera celebra o Dia das Crianças com espetáculos, música e experiências gratuitas para toda a família

    IMG 6099

    VINCI GASTRONOMIA: A ARTE DE TRANSFORMAR EVENTOS EM EXPERIÊNCIAS INESQUECÍVEIS

    Trump Sinaliza Possibilidade de Novo Acordo Comercial com a China

    Trump Sinaliza Possibilidade de Novo Acordo Comercial com a China

  • Gastronomia
    Rascunho automático

    Casarìa: um refúgio de charme e sofisticação nos Jardins, onde a gastronomia desperta memórias e celebra a arte de viver

    Rascunho automático

    Frikin Chikin: a arte de transformar o frango em uma experiência gastronômica que conquista São Paulo

    Experiências & Sabores Por: Alexandra Massad

    Experiências & Sabores Por: Alexandra Massad

    Rascunho automático

    Grupo Zucco: a tradição italiana que transforma diferentes momentos em experiências inesquecíveis

Sem resultados
Exibir todos os resultados
Jornal Gazeta Nacional
  • Início
  • Noticias
    França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

    França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

    Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

    Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

    Ucrânia anuncia trégua em Oleshky e abre caminho para operação humanitária em meio à guerra

    Ucrânia anuncia trégua em Oleshky e abre caminho para operação humanitária em meio à guerra

    IPCA-15 desacelera em outubro e surpreende mercado com inflação abaixo das expectativas

    IPCA-15 desacelera em outubro e surpreende mercado com inflação abaixo das expectativas

  • Saúde
    Juventude no Parlamento

    Cérebro e Política: A Juventude no Parlamento, o que podemos esperar?

    Câncer colorretal avança entre jovens e acende alerta para sintomas frequentemente ignorados

    Câncer colorretal avança entre jovens e acende alerta para sintomas frequentemente ignorados

    Retatrutida: novo medicamento para obesidade apresenta resultados promissores e pode revolucionar o tratamento do excesso de peso

    Retatrutida: novo medicamento para obesidade apresenta resultados promissores e pode revolucionar o tratamento do excesso de peso

    Outubro Rosa deve considerar a manutenção da identidade, saúde e beleza da paciente

    Outubro Rosa deve considerar a manutenção da identidade, saúde e beleza da paciente

  • Política
    Eleições 2026: dólar pode ultrapassar R$ 5,20 e Ibovespa recuar abaixo dos 180 mil pontos, avalia economista

    Eleições 2026: dólar pode ultrapassar R$ 5,20 e Ibovespa recuar abaixo dos 180 mil pontos, avalia economista

    Pesquisa Correio/Opinião aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no Distrito Federal

    Pesquisa Correio/Opinião aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no Distrito Federal

    Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate presidencial após manifestações pelo Brasil

    Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate presidencial após manifestações pelo Brasil

    Presidente da Fiesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e alerta para impactos na economia brasileira

    Presidente da Fiesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e alerta para impactos na economia brasileira

  • Moda
    SPFW N61: transparências, artesania e identidade brasileira marcam as passarelas

    SPFW N61: transparências, artesania e identidade brasileira marcam as passarelas

    Rascunho automático

    Juliana Manzini: uma história construída por conexões, criatividade e propósito

    São Paulo Fashion Week N61

    São Paulo Fashion Week N61 encerra celebração de 30 anos com uma edição marcada pela força criativa, diversidade e identidade da moda brasileira

    Em Pauta

    Em Pauta

  • Experiências & Hospedagem
    Shopping Ibirapuera celebra o Dia das Crianças com espetáculos, música e experiências gratuitas para toda a família

    Shopping Ibirapuera celebra o Dia das Crianças com espetáculos, música e experiências gratuitas para toda a família

    IMG 6099

    VINCI GASTRONOMIA: A ARTE DE TRANSFORMAR EVENTOS EM EXPERIÊNCIAS INESQUECÍVEIS

    Trump Sinaliza Possibilidade de Novo Acordo Comercial com a China

    Trump Sinaliza Possibilidade de Novo Acordo Comercial com a China

  • Gastronomia
    Rascunho automático

    Casarìa: um refúgio de charme e sofisticação nos Jardins, onde a gastronomia desperta memórias e celebra a arte de viver

    Rascunho automático

    Frikin Chikin: a arte de transformar o frango em uma experiência gastronômica que conquista São Paulo

    Experiências & Sabores Por: Alexandra Massad

    Experiências & Sabores Por: Alexandra Massad

    Rascunho automático

    Grupo Zucco: a tradição italiana que transforma diferentes momentos em experiências inesquecíveis

Sem resultados
Exibir todos os resultados
Jornal Gazeta Nacional
Sem resultados
Exibir todos os resultados
Home Noticias

‘Classe média será central na presidência’: o discurso mais importante de Kamala Harris em 20 anos na vida pública

JORNAL GAZETA NACIONAL por JORNAL GAZETA NACIONAL
23/08/2024
em Noticias
0
‘Classe média será central na presidência’: o discurso mais importante de Kamala Harris em 20 anos na vida pública
Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no whatsApp

Kamala Harris aceitou formalmente a nomeação como candidata à presidência dos Estados Unidos durante a Convenção Nacional do Partido Democrata nesta quinta-feira (22/08), onde fez o discurso mais importante da sua carreira até agora.

Alarme Monitorado 24h
Publicidade

Alarmes Verisure®

th?id=OADD2.8452570193434 1995X1C6IYOM7FZ5CE&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

Harris iniciou o discurso abordando sua vida pessoal — comemorando em suas primeiras frases os dez anos de casamento com Douglas Emhoff e relembrando a história de sua família.

A candidata também abordou temas sensíves para a campanha, como a imigração e a guerra em Gaza. Ela afirmou que pretende resgatar um projeto bipartidário para reforçar o controle nas fronteiras e o sistema de imigração.

VideoBlueVídeo relacionado: O discurso de Kamala Harris na íntegra (SIC Notícias)

Hora Atual 0:04
/
Duração 38:09

AA1jv6TYSIC Notícias
O discurso de Kamala Harris na íntegra

Assistir na ExibiçãoAssistir na Exibição

Sobre a situação em Gaza, disse que sempre defenderá Israel, forte aliado dos EUA, mas clamou por uma solução rápida.

“Agora é o momento de fechar um acordo sobre reféns e um cessar-fogo”, disse.

Boa parte do discurso teve ataques ao candidato republicano Donald Trump, que ela disse não ser “um homem sério”. Ela mencionou as acusações e condenações que o ex-presidente enfrenta na Justiça, além do que classificou como retrocessos durante o governo Trump, como restrições ao aborto e cortes de impostos para super-ricos.

Ton: O seu aliado pra vender
Publicidade

Ton

th?id=OADD2.10239394666345 17V6CJWZS5SZYK61J&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

A democrata afirmou que, se for eleita, será “uma presidente para todos os americanos”.

“Não como membros de qualquer partido ou facção, mas como americanos”, disse Harris, que também fez acenos à classe média.

“A classe média será um objetivo central na minha presidência, porque acredito firmemente que quando a classe média é forte, a América é forte”, afirmou, acrescentando que ela própria tem origem na classe média.

Honda ZR-V: Tecnologia e qualidade de A a Z.
Publicidade

Honda

http%3A%2F%2Fcdn.taboola.com%2Flibtrc%2Fstatic%2Fthumbnails%2F22c83e04708e579ee6b9be5d84788501

A candidata também abordou no discurso a recente decisão por sua candidatura.

“O caminho que me trouxe até aqui nas últimas semanas foi sem dúvida inesperado”, disse Harris, um mês depois de o presidente Joe Biden ter desistido da reeleição.

“Mas jornadas improváveis não são algo estranho para mim.”

Aniversário do Pão de Açúcar
Publicidade

Pão de Açúcar

th?id=OADD2.7353135393760 17W0R6WXUAQIC47GRL&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

Apesar da aclamação nesta noite, Harris, de 59 anos, enfrentou anos de dúvidas de dentro do próprio partido sobre sua capacidade de concorrer ao cargo público mais alto dos Estados Unidos.

Depois do fracasso da sua rápida candidatura presidencial em 2019, Harris começou a vice-presidência de forma instável, marcada por tropeços em entrevistas importantes, rotatividade na equipe e baixos índices de aprovação.

E, nos últimos três anos e meio na Casa Branca, ela teve dificuldade para atingir os eleitores americanos.

Seus aliados e assessores afirmam que, nos anos que se passaram desde aquelas dificuldades iniciais, Kamala Harris melhorou suas habilidades políticas, criou coalizões leais dentro do seu partido e estabeleceu credibilidade sobre temas importantes para a base democrata, como o direito ao aborto.

Ou seja, ela se preparou exatamente para o momento atual.

O discurso desta quinta-feira se tornou uma oportunidade para Harris se reapresentar no cenário nacional americano — menos de 80 dias antes da eleição que poderá torná-la a primeira mulher presidente dos Estados Unidos.

Kamala Harris aceitou formalmente a candidatura em convenção democrata nesta quinta-feira (22/08)

Kamala Harris aceitou formalmente a candidatura em convenção democrata nesta quinta-feira (22/08)© REUTERS/Kevin Lamarque

Mas, paralelamente, ela terá que provar que é capaz de comandar um partido que nunca a considerou sua líder natural e permanece dividido em relação à guerra em Israel e na Faixa de Gaza.

Protestos pró-Palestina viraram um incômodo para os dirigentes democratas durante a convenção, que em seus vários dias de evento essa semana tiveram manifestantes do lado de fora.

Nessa quinta-feira, um grupo de delegados deram até as 18h do horário local para que a organização da convenção definisse se alguém ligado à causa palestina poderia discursar no evento.

Sem o pedido atendido, alguns delegados fizeram um pequeno protesto do lado de fora do evento.

Acima de tudo, Harris precisará afastar qualquer dúvida remanescente entre a base democrata de que ela pode enfrentar o desafio de vencer o ex-presidente Donald Trump em uma eleição que permanece acirrada e imprevisível.

O caminho rumo à Casa Branca

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política© Getty Images

Antes de se tornar uma figura de expressão nacional, Kamala Harris foi procuradora de São Francisco a partir de 2004 e procuradora-geral da Califórnia a partir de 2011.

Na candidatura para a procuradoria-geral da Califórnia, que acabou vitoriosa, ela recebeu o apoio do então presidente Barack Obama, de quem é amiga.

Mas quem acompanhou sua carreira de perto observou seus altos e baixos.

Como promotora, ela enfrentou protestos do público por se recusar a pedir a pena de morte para um homem condenado por matar um jovem policial. E, como procuradora-geral, ela defendeu a pena de morte vigente no Estado, mesmo com a sua oposição pessoal.

Após chegar ao topo da política estadual, Harris foi eleita para o Senado americano na mesma noite em que Donald Trump venceu Hillary Clinton, na eleição presidencial de 2016.

No seu curto mandato, Kamala Harris chegou às manchetes ao criticar e questionar diretamente o juiz da Suprema Corte Brett Kavanaugh, durante sua agitada audiência de confirmação para o cargo, em 2018.

“Você consegue se lembrar de alguma lei que dê ao governo o poder de tomar decisões sobre o corpo masculino?”, perguntou ela ao juiz, indicado por Trump.

O diálogo reverberou nas redes sociais e nos programas de TV.

Como Obama, ela foi uma jovem senadora com muitas ambições. E, a meio caminho do seu primeiro mandato, ela lançou sua candidatura à Presidência.

Foi uma campanha recebida com grande alvoroço, como a atual. Mais de 20 mil pessoas se reuniram na sua cidade natal de Oakland, na Califórnia, para o lançamento.

Mas sua tentativa de se tornar a candidata democrata desmoronou antes mesmo das primeiras eleições primárias do partido.

Harris não conseguiu estabelecer uma identidade política clara que a diferenciasse de um grupo de rivais como Joe Biden e o senador de esquerda Bernie Sanders. Para os críticos, ela apoiou uma série de políticas progressistas, mas parecia não demonstrar claramente sua convicção a respeito.

Em um momento notório dos debates, em junho de 2019, Harris questionou o histórico do seu então oponente Biden sobre o fim da segregação racial das escolas.

Ela atacou Joe Biden sobre um momento anterior da campanha, no qual ele relembrou, orgulhoso, seu trabalho com dois senadores segregacionistas. Harris o acusou de ser contrário ao transporte de estudantes entre as escolas para ajudar na integração.

“Havia uma menina da Califórnia que fazia parte da segunda classe integrada na sua escola pública, e ela ia de ônibus para a escola todos os dias”, declarou Harris.

“Aquela menina era eu.”

Primeira vice-presidente na história dos EUA, Kamala Harris enfrentará Donald Trump nas eleições de novembro

Primeira vice-presidente na história dos EUA, Kamala Harris enfrentará Donald Trump nas eleições de novembro© Getty Images

Mas os conflitos internos de campanha e a indecisão sobre quais questões deveriam receber mais importância acabaram afundando sua tentativa de chegar à Presidência naquele ano.

A campanha foi marcada por “uma série de erros de principiante”, segundo Kevin Madden, assessor das campanhas presidenciais do republicano Mitt Romney em 2008 e 2012.

Para ele, “simplesmente não havia a substância necessária para que ela fosse aprovada no teste para ser comandante-chefe e realmente tirasse algumas das dúvidas dos eleitores.

“O resultado foi que seus oponentes preencheram essas lacunas para ela”, apontou Madden.

Oito meses depois, Biden colocou de lado a rivalidade nas primárias e anunciou Kamala Harris como sua vice na chapa.

Ela se tornou a primeira mulher negra a ser indicada para o cargo — e, em janeiro de 2021, a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos.

O ataque de Kamala Harris a Joe Biden sobre o combate à segregação em escolas foi um momento marcante da sua campanha infrutífera à presidência americana em 2019

O ataque de Kamala Harris a Joe Biden sobre o combate à segregação em escolas foi um momento marcante da sua campanha infrutífera à presidência americana em 2019© Getty Images

Começo acidentado

Cinco meses depois da posse como vice, Harris enfrentou seu primeiro contratempo público, durante uma viagem para a Guatemala e o México.

O objetivo da viagem era demonstrar seu papel no desenvolvimento de iniciativas econômicas para restringir o fluxo de migrantes da América Central para a fronteira sul dos Estados Unidos – uma missão de política externa atribuída a ela pelo presidente Biden.

Mas seu trabalho foi rapidamente ofuscado por uma entrevista constrangedora para o jornalista Lester Holt, da rede de TV americana NBC News. A vice-presidente ignorou várias questões sobre ela ainda não ter visitado a fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Mais tarde no mesmo dia, Harris tentou recuperar a narrativa durante uma entrevista coletiva com o então presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei.

Ela deu uma dura mensagem para os migrantes que pensavam em viajar para os Estados Unidos.

“Não venham”, disse ela. “Não venham.”

A entrevista à NBC News alimentou os ataques dos republicanos, que permanecem até hoje. Mas os comentários na segunda coletiva despertaram a ira dos progressistas e se espalharam rapidamente pelas redes sociais, embora outras autoridades do governo já tivessem manifestado a mesma retórica da vice-presidente.

A questão da imigração persegue Kamala Harris desde o início do mandato como vice-presidente

A questão da imigração persegue Kamala Harris desde o início do mandato como vice-presidente© Getty Images

Os aliados de Kamala Harris culparam a Casa Branca por não ter preparado adequadamente a vice-presidente e por atribuir a ela uma missão impossível.

Eles se queixaram de que, como a primeira mulher, afro-americana e asiático-americana a exercer a vice-presidência do país, ela sofreu expectativas irreais desde o início do mandato, sem que tivesse tempo para se estabelecer.

“No início, houve uma imensa pressão para assumir coisas”, declarou um antigo auxiliar, em condição de anonimato.

Nos meses seguintes, Kamala Harris sofreu novos julgamentos com a alta rotatividade do seu pessoal, uma série de manchetes negativas sobre seu desempenho e aparições inexpressivas nos meios de comunicação.

E, cerceada pelas restrições da pandemia de covid-19, seus compromissos públicos foram limitados, alimentando a percepção de era quase invisível.

Ela passou a ser rotulada como um “enfeite”, por ficar frequentemente atrás do presidente Biden nas cerimônias de sanção de leis. Embora seus antecessores vice-presidentes homens tambem frequentemente ficassem nessa posição, atrás dos presidentes, a Casa Branca optou por retirá-la desses eventos.

Segundo auxiliares, esta decisão trouxe para Harris novas críticas pela sua ausência.

“As pessoas tinham a expectativa de observá-la na vice-presidência como se ela fosse Michelle Obama, mas ela estava em um cargo… estabelecido para Al Gore ou Mike Pence”, afirma Jamal Simmons, estrategista democrata de longa data que trabalhou como diretor de comunicação de Kamala Harris durante seu segundo ano de mandato.

Roe x Wade e política de coalizão

Quando sua equipe buscava melhorar sua fraca imagem pública, Harris embarcou em uma função mais alta na política externa. Ela viajou para a Polônia logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

A vice-presidente também manteve reuniões bilaterais na Ásia, em meio ao aumento das tensões com a China, e substituiu Joe Biden na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, naquele mesmo ano.

Mas, em maio de 2022, um terremoto político mudaria completamente a trajetória da vice-presidente.

Em um raro vazamento na Suprema Corte americana, veio a público o rascunho de um parecer revelando os planos de revogação da histórica decisão do caso Roe vs. Wade, que protegeu o direito federal das mulheres americanas ao aborto por quase meio século.

Harris aproveitou a oportunidade para ser a principal porta-voz de uma questão que Biden — católico devoto, descendente de irlandeses, que até evita pronunciar a palavra “aborto” — relutava em assumir.

“Como eles ousam dizer a uma mulher o que ela pode e o que não pode fazer com seu próprio corpo?”, declarou ela a uma multidão, em um evento de um grupo pró-escolha, no mesmo dia da publicação do vazamento bombástico.

Kamala Harris estava decidida a atacar os principais juízes do país antes que a decisão do tribunal fosse publicada oficialmente.

Esta questão se tornou uma força mobilizadora nas eleições de meio de mandato, poucos meses depois. Ela ajudou os democratas a atingirem resultados melhores do que o esperado no pleito legislativo e a tomar o controle do Senado.

Recém-candidata, Kamala ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa

Recém-candidata, Kamala ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa© Getty Images

Ao buscar se tornar a porta-voz do governo americano sobre o aborto, Kamala Harris abordou a questão com “clareza de propósito”, segundo a ex-assessora Rachel Palermo.

Ela reuniu parlamentares estaduais, líderes religiosos, especialistas em direito constitucional, empresas de assistência médica e ativistas para participar de mesas redondas.

O movimento foi duramente criticado por alguns ativistas como não correspondendo à seriedade do momento, mas foi parte de uma estratégia para formar coalizões de políticos locais e estaduais. E também ajudou a estabelecer as bases da futura campanha presidencial.

Harris passou a maior parte da sua carreira entre o delicado leque de políticos democratas mais progressistas e mais tradicionais. E ela sabia que todos os eventos eram importantes.

Sua equipe registrava cada reunião em planilhas detalhadas, mostrando cada oportunidade de fotografia ou jantar, seja com empresários negros ou com mulheres empreendedoras hispânicas. E Harris pôde usar estas informações no momento de convocar uma rede política de apoio mais profunda.

O fato é que Kamala Harris sempre manteve em vista sua possível candidatura para a Casa Branca em 2028, como sucessora natural de Joe Biden, caso um segundo mandato fosse conquistado por ele nas eleições de 2024.

Mas, quando surgiram os clamores pela substituição de Joe Biden como candidato, após os tropeços no debate contra Donald Trump no final de junho, alguns democratas a negligenciaram abertamente.

Eles e muitos analistas sugeriram governadores populares — como Gavin Newsom, da Califórnia, Josh Shapiro, da Pensilvânia, ou Gretchen Whitmer, de Michigan — como melhores substitutos para motivar os eleitores e assumir a luta contra Trump.

Até que, em 21 de julho, Biden telefonou para Harris e a informou dos seus planos de sair da disputa e apoiá-la como sua sucessora. A decisão tomou muitos dos seus aliados mais próximos de surpresa, mas a vice-presidente logo entrou em ação.

Naquele domingo, em um intervalo de 10 horas, ela ligou para mais de 100 autoridades do partido, membros do Congresso, líderes trabalhistas e ativistas. E, em questão de dias, todos os seus possíveis rivais, incluindo os poderosos governadores, já haviam desistido da disputa.

Ficava claro que Harris assumiria a candidatura democrata sem grandes dificuldades.

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política© Getty Images

Como candidata, a atual vice-presidente ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa.

Ela publicou um rascunho econômico em 16 de agosto, propondo reduções de impostos para as famílias e um esforço mais amplo para limitar o preço dos medicamentos. É sua visão mais detalhada para o futuro do país apresentada até aqui.

Embora os republicanos a acusem de evitar se expor, sua equipe não vê necessidade de suspender o entusiasmo construído por ela no último mês. Estrategistas políticos afirmam que a campanha está pronta para capitalizar toda essa energia acumulada.

“O que Kamala Harris está vivenciando é uma maciça necessidade reprimida das pessoas de votar em alguém que não se chame Biden nem Trump”, afirma Kevin Madden.

“Mas o teste sempre vem com a exposição a entrevistas, à imprensa, aos debates e aos desconfortáveis holofotes da campanha.”

O historiador presidencial Douglas Brinkley, que ajudou a organizar uma reunião de historiadores na residência oficial de Kamala Harris no ano passado, afirma que o fato de ela ser uma tela algo vazia para os eleitores traz mais benefícios do que prejuízos.

“Ela pode não ter conseguido florescer totalmente com Biden, mas também nunca teve atritos com ele”, explica Brinkley. “Por isso, ela conseguiu se posicionar para este momento e pode assumir o que há de bom nos anos de Biden e descartar as malas que ela quiser, ou discordar levemente.”

Sua entrada na campanha trouxe uma onda de apoio entre os democratas, mas não está claro se ela conseguirá transformar este apoio em um apelo generalizado.

Harris conseguiu adentrar em alguns grupos demográficos fundamentais que haviam escapado de Joe Biden, particularmente os eleitores negros, latinos e jovens. Mas ela está atrasada em outros setores que compuseram a coalizão vencedora de Biden em 2020.

As pesquisas recentes colocam Harris à frente ou empatada com Trump em seis dos sete Estados decisivos, segundo o boletim Cook Political Report publicado na quarta-feira (14/08). Em maio, quando Biden ainda era o candidato democrata, Trump estava à frente ou empatado em todos os sete Estados.

‘Nasci com cinto de segurança’

O discurso da noite de quinta-feira (22/8), durante a convenção do Partido Democrata, será o momento mais importante da carreira política de Kamala Harris.

Enquanto a convenção republicana serviu de coroação para Donald Trump (nomeado candidato do partido pela terceira vez consecutiva), o súbito crescimento de Harris faz com que seu discurso passe a ser o momento fundamental para definir quem ela realmente é.

Harris já esteve no palco antes, mas um de seus altos auxiliares declarou que o discurso irá se concentrar mais na sua história pessoal do que fizeram os candidatos anteriores.

“Esta é a questão principal. Por que ela está concorrendo à Presidência? Qual é sua visão para o país?”, declarou Jamal Simmons. “[O discurso] irá ajudar a unir os cordões da sua política e da sua vida política, para que faça sentido para as pessoas.”

Mas, ao longo dos quatro dias de convenção, Kamala Harris precisa definir sua mensagem sobre criminalidade, inflação, economia e imigração – questões que a campanha de Trump irá discutir implacavelmente até o dia das eleições.

O estrategista republicano de longa data Whit Ayres afirma que Harris também precisará, em algum momento, esclarecer as posições à esquerda que ela assumiu em 2019, durante sua candidatura fracassada à Presidência.

“Sua maior vulnerabilidade é que existem muitas evidências de que ela é uma liberal de São Francisco com todo um conjunto de posições políticas de extrema esquerda que estão fora do pensamento americano comum”, afirma ele, “e ela ainda não precisou responder a respeito.”

Kamala Harris uniu rapidamente o Partido Democrata em torno do seu nome e do seu candidato a vice, Tim Walz

Kamala Harris uniu rapidamente o Partido Democrata em torno do seu nome e do seu candidato a vice, Tim Walz© Getty Images

Apesar de algumas dúvidas sobre como Harris vai responder a situações em que ficará mais exposta e a cobranças da ala mais à esquerda do eleitorado democrata, aliados e assessores que a prepararam ao longo da última semana defendem que ela construiu as bases da sua candidatura presidencial ao longo dos últimos quatro anos.

“A oportunidade é a preparação com um pouco de sorte”, afirmou um importante assessor político. “Eu não chamaria isso de sorte, já que ninguém queria que fosse desta forma, mas ela certamente estava preparada para este momento de oportunidade.”

A doadora democrata Susie Tompkins Buell é uma das fundadoras das empresas Esprit e The North Face. Ela ajudou Kamala Harris a arrecadar US$ 12 milhões (cerca de R$ 64,9 milhões) para a campanha em um evento em São Francisco, no início deste mês.

Tompkins Buell conhece Kamala Harris desde os anos 1990 e afirma que não se surpreendeu com seu desempenho nas últimas semanas.

Nos dias que se seguiram ao duvidoso desempenho de Biden no debate, Tompkins Buell compareceu a um evento com a vice-presidente. Ela declarou que pôde perceber a mudança em andamento.

A empresária conta que, quando disse a Harris que apertasse seu cinto de segurança, a futura candidata democrata brincou: “Eu nasci com um cinto de segurança.”

“Gostei da sua resposta”, comenta Tompkins Buell. “Foi rápida e certeira. Ela está pronta.”

*Com informações de Courtney Subramanian, da BBC News

Kamala Harris aceitou formalmente a nomeação como candidata à presidência dos Estados Unidos durante a Convenção Nacional do Partido Democrata nesta quinta-feira (22/08), onde fez o discurso mais importante da sua carreira até agora.

Alarme Monitorado 24h
Publicidade

Alarmes Verisure®

th?id=OADD2.8452570193434 1995X1C6IYOM7FZ5CE&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

Harris iniciou o discurso abordando sua vida pessoal — comemorando em suas primeiras frases os dez anos de casamento com Douglas Emhoff e relembrando a história de sua família.

A candidata também abordou temas sensíves para a campanha, como a imigração e a guerra em Gaza. Ela afirmou que pretende resgatar um projeto bipartidário para reforçar o controle nas fronteiras e o sistema de imigração.

VideoBlueVídeo relacionado: O discurso de Kamala Harris na íntegra (SIC Notícias)

Hora Atual 0:04
/
Duração 38:09

AA1jv6TYSIC Notícias
O discurso de Kamala Harris na íntegra

Assistir na ExibiçãoAssistir na Exibição

Sobre a situação em Gaza, disse que sempre defenderá Israel, forte aliado dos EUA, mas clamou por uma solução rápida.

“Agora é o momento de fechar um acordo sobre reféns e um cessar-fogo”, disse.

Boa parte do discurso teve ataques ao candidato republicano Donald Trump, que ela disse não ser “um homem sério”. Ela mencionou as acusações e condenações que o ex-presidente enfrenta na Justiça, além do que classificou como retrocessos durante o governo Trump, como restrições ao aborto e cortes de impostos para super-ricos.

Ton: O seu aliado pra vender
Publicidade

Ton

th?id=OADD2.10239394666345 17V6CJWZS5SZYK61J&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

A democrata afirmou que, se for eleita, será “uma presidente para todos os americanos”.

“Não como membros de qualquer partido ou facção, mas como americanos”, disse Harris, que também fez acenos à classe média.

“A classe média será um objetivo central na minha presidência, porque acredito firmemente que quando a classe média é forte, a América é forte”, afirmou, acrescentando que ela própria tem origem na classe média.

Honda ZR-V: Tecnologia e qualidade de A a Z.
Publicidade

Honda

http%3A%2F%2Fcdn.taboola.com%2Flibtrc%2Fstatic%2Fthumbnails%2F22c83e04708e579ee6b9be5d84788501

A candidata também abordou no discurso a recente decisão por sua candidatura.

“O caminho que me trouxe até aqui nas últimas semanas foi sem dúvida inesperado”, disse Harris, um mês depois de o presidente Joe Biden ter desistido da reeleição.

“Mas jornadas improváveis não são algo estranho para mim.”

Aniversário do Pão de Açúcar
Publicidade

Pão de Açúcar

th?id=OADD2.7353135393760 17W0R6WXUAQIC47GRL&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

Apesar da aclamação nesta noite, Harris, de 59 anos, enfrentou anos de dúvidas de dentro do próprio partido sobre sua capacidade de concorrer ao cargo público mais alto dos Estados Unidos.

Depois do fracasso da sua rápida candidatura presidencial em 2019, Harris começou a vice-presidência de forma instável, marcada por tropeços em entrevistas importantes, rotatividade na equipe e baixos índices de aprovação.

E, nos últimos três anos e meio na Casa Branca, ela teve dificuldade para atingir os eleitores americanos.

Seus aliados e assessores afirmam que, nos anos que se passaram desde aquelas dificuldades iniciais, Kamala Harris melhorou suas habilidades políticas, criou coalizões leais dentro do seu partido e estabeleceu credibilidade sobre temas importantes para a base democrata, como o direito ao aborto.

Ou seja, ela se preparou exatamente para o momento atual.

O discurso desta quinta-feira se tornou uma oportunidade para Harris se reapresentar no cenário nacional americano — menos de 80 dias antes da eleição que poderá torná-la a primeira mulher presidente dos Estados Unidos.

Kamala Harris aceitou formalmente a candidatura em convenção democrata nesta quinta-feira (22/08)

Kamala Harris aceitou formalmente a candidatura em convenção democrata nesta quinta-feira (22/08)© REUTERS/Kevin Lamarque

Mas, paralelamente, ela terá que provar que é capaz de comandar um partido que nunca a considerou sua líder natural e permanece dividido em relação à guerra em Israel e na Faixa de Gaza.

Protestos pró-Palestina viraram um incômodo para os dirigentes democratas durante a convenção, que em seus vários dias de evento essa semana tiveram manifestantes do lado de fora.

Nessa quinta-feira, um grupo de delegados deram até as 18h do horário local para que a organização da convenção definisse se alguém ligado à causa palestina poderia discursar no evento.

Sem o pedido atendido, alguns delegados fizeram um pequeno protesto do lado de fora do evento.

Acima de tudo, Harris precisará afastar qualquer dúvida remanescente entre a base democrata de que ela pode enfrentar o desafio de vencer o ex-presidente Donald Trump em uma eleição que permanece acirrada e imprevisível.

O caminho rumo à Casa Branca

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política© Getty Images

Antes de se tornar uma figura de expressão nacional, Kamala Harris foi procuradora de São Francisco a partir de 2004 e procuradora-geral da Califórnia a partir de 2011.

Na candidatura para a procuradoria-geral da Califórnia, que acabou vitoriosa, ela recebeu o apoio do então presidente Barack Obama, de quem é amiga.

Mas quem acompanhou sua carreira de perto observou seus altos e baixos.

Como promotora, ela enfrentou protestos do público por se recusar a pedir a pena de morte para um homem condenado por matar um jovem policial. E, como procuradora-geral, ela defendeu a pena de morte vigente no Estado, mesmo com a sua oposição pessoal.

Após chegar ao topo da política estadual, Harris foi eleita para o Senado americano na mesma noite em que Donald Trump venceu Hillary Clinton, na eleição presidencial de 2016.

No seu curto mandato, Kamala Harris chegou às manchetes ao criticar e questionar diretamente o juiz da Suprema Corte Brett Kavanaugh, durante sua agitada audiência de confirmação para o cargo, em 2018.

“Você consegue se lembrar de alguma lei que dê ao governo o poder de tomar decisões sobre o corpo masculino?”, perguntou ela ao juiz, indicado por Trump.

O diálogo reverberou nas redes sociais e nos programas de TV.

Como Obama, ela foi uma jovem senadora com muitas ambições. E, a meio caminho do seu primeiro mandato, ela lançou sua candidatura à Presidência.

Foi uma campanha recebida com grande alvoroço, como a atual. Mais de 20 mil pessoas se reuniram na sua cidade natal de Oakland, na Califórnia, para o lançamento.

Mas sua tentativa de se tornar a candidata democrata desmoronou antes mesmo das primeiras eleições primárias do partido.

Harris não conseguiu estabelecer uma identidade política clara que a diferenciasse de um grupo de rivais como Joe Biden e o senador de esquerda Bernie Sanders. Para os críticos, ela apoiou uma série de políticas progressistas, mas parecia não demonstrar claramente sua convicção a respeito.

Em um momento notório dos debates, em junho de 2019, Harris questionou o histórico do seu então oponente Biden sobre o fim da segregação racial das escolas.

Ela atacou Joe Biden sobre um momento anterior da campanha, no qual ele relembrou, orgulhoso, seu trabalho com dois senadores segregacionistas. Harris o acusou de ser contrário ao transporte de estudantes entre as escolas para ajudar na integração.

“Havia uma menina da Califórnia que fazia parte da segunda classe integrada na sua escola pública, e ela ia de ônibus para a escola todos os dias”, declarou Harris.

“Aquela menina era eu.”

Primeira vice-presidente na história dos EUA, Kamala Harris enfrentará Donald Trump nas eleições de novembro

Primeira vice-presidente na história dos EUA, Kamala Harris enfrentará Donald Trump nas eleições de novembro© Getty Images

Mas os conflitos internos de campanha e a indecisão sobre quais questões deveriam receber mais importância acabaram afundando sua tentativa de chegar à Presidência naquele ano.

A campanha foi marcada por “uma série de erros de principiante”, segundo Kevin Madden, assessor das campanhas presidenciais do republicano Mitt Romney em 2008 e 2012.

Para ele, “simplesmente não havia a substância necessária para que ela fosse aprovada no teste para ser comandante-chefe e realmente tirasse algumas das dúvidas dos eleitores.

“O resultado foi que seus oponentes preencheram essas lacunas para ela”, apontou Madden.

Oito meses depois, Biden colocou de lado a rivalidade nas primárias e anunciou Kamala Harris como sua vice na chapa.

Ela se tornou a primeira mulher negra a ser indicada para o cargo — e, em janeiro de 2021, a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos.

O ataque de Kamala Harris a Joe Biden sobre o combate à segregação em escolas foi um momento marcante da sua campanha infrutífera à presidência americana em 2019

O ataque de Kamala Harris a Joe Biden sobre o combate à segregação em escolas foi um momento marcante da sua campanha infrutífera à presidência americana em 2019© Getty Images

Começo acidentado

Cinco meses depois da posse como vice, Harris enfrentou seu primeiro contratempo público, durante uma viagem para a Guatemala e o México.

O objetivo da viagem era demonstrar seu papel no desenvolvimento de iniciativas econômicas para restringir o fluxo de migrantes da América Central para a fronteira sul dos Estados Unidos – uma missão de política externa atribuída a ela pelo presidente Biden.

Mas seu trabalho foi rapidamente ofuscado por uma entrevista constrangedora para o jornalista Lester Holt, da rede de TV americana NBC News. A vice-presidente ignorou várias questões sobre ela ainda não ter visitado a fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Mais tarde no mesmo dia, Harris tentou recuperar a narrativa durante uma entrevista coletiva com o então presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei.

Ela deu uma dura mensagem para os migrantes que pensavam em viajar para os Estados Unidos.

“Não venham”, disse ela. “Não venham.”

A entrevista à NBC News alimentou os ataques dos republicanos, que permanecem até hoje. Mas os comentários na segunda coletiva despertaram a ira dos progressistas e se espalharam rapidamente pelas redes sociais, embora outras autoridades do governo já tivessem manifestado a mesma retórica da vice-presidente.

A questão da imigração persegue Kamala Harris desde o início do mandato como vice-presidente

A questão da imigração persegue Kamala Harris desde o início do mandato como vice-presidente© Getty Images

Os aliados de Kamala Harris culparam a Casa Branca por não ter preparado adequadamente a vice-presidente e por atribuir a ela uma missão impossível.

Eles se queixaram de que, como a primeira mulher, afro-americana e asiático-americana a exercer a vice-presidência do país, ela sofreu expectativas irreais desde o início do mandato, sem que tivesse tempo para se estabelecer.

“No início, houve uma imensa pressão para assumir coisas”, declarou um antigo auxiliar, em condição de anonimato.

Nos meses seguintes, Kamala Harris sofreu novos julgamentos com a alta rotatividade do seu pessoal, uma série de manchetes negativas sobre seu desempenho e aparições inexpressivas nos meios de comunicação.

E, cerceada pelas restrições da pandemia de covid-19, seus compromissos públicos foram limitados, alimentando a percepção de era quase invisível.

Ela passou a ser rotulada como um “enfeite”, por ficar frequentemente atrás do presidente Biden nas cerimônias de sanção de leis. Embora seus antecessores vice-presidentes homens tambem frequentemente ficassem nessa posição, atrás dos presidentes, a Casa Branca optou por retirá-la desses eventos.

Segundo auxiliares, esta decisão trouxe para Harris novas críticas pela sua ausência.

“As pessoas tinham a expectativa de observá-la na vice-presidência como se ela fosse Michelle Obama, mas ela estava em um cargo… estabelecido para Al Gore ou Mike Pence”, afirma Jamal Simmons, estrategista democrata de longa data que trabalhou como diretor de comunicação de Kamala Harris durante seu segundo ano de mandato.

Roe x Wade e política de coalizão

Quando sua equipe buscava melhorar sua fraca imagem pública, Harris embarcou em uma função mais alta na política externa. Ela viajou para a Polônia logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

A vice-presidente também manteve reuniões bilaterais na Ásia, em meio ao aumento das tensões com a China, e substituiu Joe Biden na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, naquele mesmo ano.

Mas, em maio de 2022, um terremoto político mudaria completamente a trajetória da vice-presidente.

Em um raro vazamento na Suprema Corte americana, veio a público o rascunho de um parecer revelando os planos de revogação da histórica decisão do caso Roe vs. Wade, que protegeu o direito federal das mulheres americanas ao aborto por quase meio século.

Harris aproveitou a oportunidade para ser a principal porta-voz de uma questão que Biden — católico devoto, descendente de irlandeses, que até evita pronunciar a palavra “aborto” — relutava em assumir.

“Como eles ousam dizer a uma mulher o que ela pode e o que não pode fazer com seu próprio corpo?”, declarou ela a uma multidão, em um evento de um grupo pró-escolha, no mesmo dia da publicação do vazamento bombástico.

Kamala Harris estava decidida a atacar os principais juízes do país antes que a decisão do tribunal fosse publicada oficialmente.

Esta questão se tornou uma força mobilizadora nas eleições de meio de mandato, poucos meses depois. Ela ajudou os democratas a atingirem resultados melhores do que o esperado no pleito legislativo e a tomar o controle do Senado.

Recém-candidata, Kamala ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa

Recém-candidata, Kamala ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa© Getty Images

Ao buscar se tornar a porta-voz do governo americano sobre o aborto, Kamala Harris abordou a questão com “clareza de propósito”, segundo a ex-assessora Rachel Palermo.

Ela reuniu parlamentares estaduais, líderes religiosos, especialistas em direito constitucional, empresas de assistência médica e ativistas para participar de mesas redondas.

O movimento foi duramente criticado por alguns ativistas como não correspondendo à seriedade do momento, mas foi parte de uma estratégia para formar coalizões de políticos locais e estaduais. E também ajudou a estabelecer as bases da futura campanha presidencial.

Harris passou a maior parte da sua carreira entre o delicado leque de políticos democratas mais progressistas e mais tradicionais. E ela sabia que todos os eventos eram importantes.

Sua equipe registrava cada reunião em planilhas detalhadas, mostrando cada oportunidade de fotografia ou jantar, seja com empresários negros ou com mulheres empreendedoras hispânicas. E Harris pôde usar estas informações no momento de convocar uma rede política de apoio mais profunda.

O fato é que Kamala Harris sempre manteve em vista sua possível candidatura para a Casa Branca em 2028, como sucessora natural de Joe Biden, caso um segundo mandato fosse conquistado por ele nas eleições de 2024.

Mas, quando surgiram os clamores pela substituição de Joe Biden como candidato, após os tropeços no debate contra Donald Trump no final de junho, alguns democratas a negligenciaram abertamente.

Eles e muitos analistas sugeriram governadores populares — como Gavin Newsom, da Califórnia, Josh Shapiro, da Pensilvânia, ou Gretchen Whitmer, de Michigan — como melhores substitutos para motivar os eleitores e assumir a luta contra Trump.

Até que, em 21 de julho, Biden telefonou para Harris e a informou dos seus planos de sair da disputa e apoiá-la como sua sucessora. A decisão tomou muitos dos seus aliados mais próximos de surpresa, mas a vice-presidente logo entrou em ação.

Naquele domingo, em um intervalo de 10 horas, ela ligou para mais de 100 autoridades do partido, membros do Congresso, líderes trabalhistas e ativistas. E, em questão de dias, todos os seus possíveis rivais, incluindo os poderosos governadores, já haviam desistido da disputa.

Ficava claro que Harris assumiria a candidatura democrata sem grandes dificuldades.

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política© Getty Images

Como candidata, a atual vice-presidente ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa.

Ela publicou um rascunho econômico em 16 de agosto, propondo reduções de impostos para as famílias e um esforço mais amplo para limitar o preço dos medicamentos. É sua visão mais detalhada para o futuro do país apresentada até aqui.

Embora os republicanos a acusem de evitar se expor, sua equipe não vê necessidade de suspender o entusiasmo construído por ela no último mês. Estrategistas políticos afirmam que a campanha está pronta para capitalizar toda essa energia acumulada.

“O que Kamala Harris está vivenciando é uma maciça necessidade reprimida das pessoas de votar em alguém que não se chame Biden nem Trump”, afirma Kevin Madden.

“Mas o teste sempre vem com a exposição a entrevistas, à imprensa, aos debates e aos desconfortáveis holofotes da campanha.”

O historiador presidencial Douglas Brinkley, que ajudou a organizar uma reunião de historiadores na residência oficial de Kamala Harris no ano passado, afirma que o fato de ela ser uma tela algo vazia para os eleitores traz mais benefícios do que prejuízos.

“Ela pode não ter conseguido florescer totalmente com Biden, mas também nunca teve atritos com ele”, explica Brinkley. “Por isso, ela conseguiu se posicionar para este momento e pode assumir o que há de bom nos anos de Biden e descartar as malas que ela quiser, ou discordar levemente.”

Sua entrada na campanha trouxe uma onda de apoio entre os democratas, mas não está claro se ela conseguirá transformar este apoio em um apelo generalizado.

Harris conseguiu adentrar em alguns grupos demográficos fundamentais que haviam escapado de Joe Biden, particularmente os eleitores negros, latinos e jovens. Mas ela está atrasada em outros setores que compuseram a coalizão vencedora de Biden em 2020.

As pesquisas recentes colocam Harris à frente ou empatada com Trump em seis dos sete Estados decisivos, segundo o boletim Cook Political Report publicado na quarta-feira (14/08). Em maio, quando Biden ainda era o candidato democrata, Trump estava à frente ou empatado em todos os sete Estados.

‘Nasci com cinto de segurança’

O discurso da noite de quinta-feira (22/8), durante a convenção do Partido Democrata, será o momento mais importante da carreira política de Kamala Harris.

Enquanto a convenção republicana serviu de coroação para Donald Trump (nomeado candidato do partido pela terceira vez consecutiva), o súbito crescimento de Harris faz com que seu discurso passe a ser o momento fundamental para definir quem ela realmente é.

Harris já esteve no palco antes, mas um de seus altos auxiliares declarou que o discurso irá se concentrar mais na sua história pessoal do que fizeram os candidatos anteriores.

“Esta é a questão principal. Por que ela está concorrendo à Presidência? Qual é sua visão para o país?”, declarou Jamal Simmons. “[O discurso] irá ajudar a unir os cordões da sua política e da sua vida política, para que faça sentido para as pessoas.”

Mas, ao longo dos quatro dias de convenção, Kamala Harris precisa definir sua mensagem sobre criminalidade, inflação, economia e imigração – questões que a campanha de Trump irá discutir implacavelmente até o dia das eleições.

O estrategista republicano de longa data Whit Ayres afirma que Harris também precisará, em algum momento, esclarecer as posições à esquerda que ela assumiu em 2019, durante sua candidatura fracassada à Presidência.

“Sua maior vulnerabilidade é que existem muitas evidências de que ela é uma liberal de São Francisco com todo um conjunto de posições políticas de extrema esquerda que estão fora do pensamento americano comum”, afirma ele, “e ela ainda não precisou responder a respeito.”

Kamala Harris uniu rapidamente o Partido Democrata em torno do seu nome e do seu candidato a vice, Tim Walz

Kamala Harris uniu rapidamente o Partido Democrata em torno do seu nome e do seu candidato a vice, Tim Walz© Getty Images

Apesar de algumas dúvidas sobre como Harris vai responder a situações em que ficará mais exposta e a cobranças da ala mais à esquerda do eleitorado democrata, aliados e assessores que a prepararam ao longo da última semana defendem que ela construiu as bases da sua candidatura presidencial ao longo dos últimos quatro anos.

“A oportunidade é a preparação com um pouco de sorte”, afirmou um importante assessor político. “Eu não chamaria isso de sorte, já que ninguém queria que fosse desta forma, mas ela certamente estava preparada para este momento de oportunidade.”

A doadora democrata Susie Tompkins Buell é uma das fundadoras das empresas Esprit e The North Face. Ela ajudou Kamala Harris a arrecadar US$ 12 milhões (cerca de R$ 64,9 milhões) para a campanha em um evento em São Francisco, no início deste mês.

Tompkins Buell conhece Kamala Harris desde os anos 1990 e afirma que não se surpreendeu com seu desempenho nas últimas semanas.

Nos dias que se seguiram ao duvidoso desempenho de Biden no debate, Tompkins Buell compareceu a um evento com a vice-presidente. Ela declarou que pôde perceber a mudança em andamento.

A empresária conta que, quando disse a Harris que apertasse seu cinto de segurança, a futura candidata democrata brincou: “Eu nasci com um cinto de segurança.”

“Gostei da sua resposta”, comenta Tompkins Buell. “Foi rápida e certeira. Ela está pronta.”

*Com informações de Courtney Subramanian, da BBC News

Kamala Harris aceitou formalmente a nomeação como candidata à presidência dos Estados Unidos durante a Convenção Nacional do Partido Democrata nesta quinta-feira (22/08), onde fez o discurso mais importante da sua carreira até agora.

Alarme Monitorado 24h
Publicidade

Alarmes Verisure®

th?id=OADD2.8452570193434 1995X1C6IYOM7FZ5CE&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

Harris iniciou o discurso abordando sua vida pessoal — comemorando em suas primeiras frases os dez anos de casamento com Douglas Emhoff e relembrando a história de sua família.

A candidata também abordou temas sensíves para a campanha, como a imigração e a guerra em Gaza. Ela afirmou que pretende resgatar um projeto bipartidário para reforçar o controle nas fronteiras e o sistema de imigração.

VideoBlueVídeo relacionado: O discurso de Kamala Harris na íntegra (SIC Notícias)

Hora Atual 0:04
/
Duração 38:09

AA1jv6TYSIC Notícias
O discurso de Kamala Harris na íntegra

Assistir na ExibiçãoAssistir na Exibição

Sobre a situação em Gaza, disse que sempre defenderá Israel, forte aliado dos EUA, mas clamou por uma solução rápida.

“Agora é o momento de fechar um acordo sobre reféns e um cessar-fogo”, disse.

Boa parte do discurso teve ataques ao candidato republicano Donald Trump, que ela disse não ser “um homem sério”. Ela mencionou as acusações e condenações que o ex-presidente enfrenta na Justiça, além do que classificou como retrocessos durante o governo Trump, como restrições ao aborto e cortes de impostos para super-ricos.

Ton: O seu aliado pra vender
Publicidade

Ton

th?id=OADD2.10239394666345 17V6CJWZS5SZYK61J&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

A democrata afirmou que, se for eleita, será “uma presidente para todos os americanos”.

“Não como membros de qualquer partido ou facção, mas como americanos”, disse Harris, que também fez acenos à classe média.

“A classe média será um objetivo central na minha presidência, porque acredito firmemente que quando a classe média é forte, a América é forte”, afirmou, acrescentando que ela própria tem origem na classe média.

Honda ZR-V: Tecnologia e qualidade de A a Z.
Publicidade

Honda

http%3A%2F%2Fcdn.taboola.com%2Flibtrc%2Fstatic%2Fthumbnails%2F22c83e04708e579ee6b9be5d84788501

A candidata também abordou no discurso a recente decisão por sua candidatura.

“O caminho que me trouxe até aqui nas últimas semanas foi sem dúvida inesperado”, disse Harris, um mês depois de o presidente Joe Biden ter desistido da reeleição.

“Mas jornadas improváveis não são algo estranho para mim.”

Aniversário do Pão de Açúcar
Publicidade

Pão de Açúcar

th?id=OADD2.7353135393760 17W0R6WXUAQIC47GRL&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

Apesar da aclamação nesta noite, Harris, de 59 anos, enfrentou anos de dúvidas de dentro do próprio partido sobre sua capacidade de concorrer ao cargo público mais alto dos Estados Unidos.

Depois do fracasso da sua rápida candidatura presidencial em 2019, Harris começou a vice-presidência de forma instável, marcada por tropeços em entrevistas importantes, rotatividade na equipe e baixos índices de aprovação.

E, nos últimos três anos e meio na Casa Branca, ela teve dificuldade para atingir os eleitores americanos.

Seus aliados e assessores afirmam que, nos anos que se passaram desde aquelas dificuldades iniciais, Kamala Harris melhorou suas habilidades políticas, criou coalizões leais dentro do seu partido e estabeleceu credibilidade sobre temas importantes para a base democrata, como o direito ao aborto.

Ou seja, ela se preparou exatamente para o momento atual.

O discurso desta quinta-feira se tornou uma oportunidade para Harris se reapresentar no cenário nacional americano — menos de 80 dias antes da eleição que poderá torná-la a primeira mulher presidente dos Estados Unidos.

Kamala Harris aceitou formalmente a candidatura em convenção democrata nesta quinta-feira (22/08)

Kamala Harris aceitou formalmente a candidatura em convenção democrata nesta quinta-feira (22/08)© REUTERS/Kevin Lamarque

Mas, paralelamente, ela terá que provar que é capaz de comandar um partido que nunca a considerou sua líder natural e permanece dividido em relação à guerra em Israel e na Faixa de Gaza.

Protestos pró-Palestina viraram um incômodo para os dirigentes democratas durante a convenção, que em seus vários dias de evento essa semana tiveram manifestantes do lado de fora.

Nessa quinta-feira, um grupo de delegados deram até as 18h do horário local para que a organização da convenção definisse se alguém ligado à causa palestina poderia discursar no evento.

Sem o pedido atendido, alguns delegados fizeram um pequeno protesto do lado de fora do evento.

Acima de tudo, Harris precisará afastar qualquer dúvida remanescente entre a base democrata de que ela pode enfrentar o desafio de vencer o ex-presidente Donald Trump em uma eleição que permanece acirrada e imprevisível.

O caminho rumo à Casa Branca

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política© Getty Images

Antes de se tornar uma figura de expressão nacional, Kamala Harris foi procuradora de São Francisco a partir de 2004 e procuradora-geral da Califórnia a partir de 2011.

Na candidatura para a procuradoria-geral da Califórnia, que acabou vitoriosa, ela recebeu o apoio do então presidente Barack Obama, de quem é amiga.

Mas quem acompanhou sua carreira de perto observou seus altos e baixos.

Como promotora, ela enfrentou protestos do público por se recusar a pedir a pena de morte para um homem condenado por matar um jovem policial. E, como procuradora-geral, ela defendeu a pena de morte vigente no Estado, mesmo com a sua oposição pessoal.

Após chegar ao topo da política estadual, Harris foi eleita para o Senado americano na mesma noite em que Donald Trump venceu Hillary Clinton, na eleição presidencial de 2016.

No seu curto mandato, Kamala Harris chegou às manchetes ao criticar e questionar diretamente o juiz da Suprema Corte Brett Kavanaugh, durante sua agitada audiência de confirmação para o cargo, em 2018.

“Você consegue se lembrar de alguma lei que dê ao governo o poder de tomar decisões sobre o corpo masculino?”, perguntou ela ao juiz, indicado por Trump.

O diálogo reverberou nas redes sociais e nos programas de TV.

Como Obama, ela foi uma jovem senadora com muitas ambições. E, a meio caminho do seu primeiro mandato, ela lançou sua candidatura à Presidência.

Foi uma campanha recebida com grande alvoroço, como a atual. Mais de 20 mil pessoas se reuniram na sua cidade natal de Oakland, na Califórnia, para o lançamento.

Mas sua tentativa de se tornar a candidata democrata desmoronou antes mesmo das primeiras eleições primárias do partido.

Harris não conseguiu estabelecer uma identidade política clara que a diferenciasse de um grupo de rivais como Joe Biden e o senador de esquerda Bernie Sanders. Para os críticos, ela apoiou uma série de políticas progressistas, mas parecia não demonstrar claramente sua convicção a respeito.

Em um momento notório dos debates, em junho de 2019, Harris questionou o histórico do seu então oponente Biden sobre o fim da segregação racial das escolas.

Ela atacou Joe Biden sobre um momento anterior da campanha, no qual ele relembrou, orgulhoso, seu trabalho com dois senadores segregacionistas. Harris o acusou de ser contrário ao transporte de estudantes entre as escolas para ajudar na integração.

“Havia uma menina da Califórnia que fazia parte da segunda classe integrada na sua escola pública, e ela ia de ônibus para a escola todos os dias”, declarou Harris.

“Aquela menina era eu.”

Primeira vice-presidente na história dos EUA, Kamala Harris enfrentará Donald Trump nas eleições de novembro

Primeira vice-presidente na história dos EUA, Kamala Harris enfrentará Donald Trump nas eleições de novembro© Getty Images

Mas os conflitos internos de campanha e a indecisão sobre quais questões deveriam receber mais importância acabaram afundando sua tentativa de chegar à Presidência naquele ano.

A campanha foi marcada por “uma série de erros de principiante”, segundo Kevin Madden, assessor das campanhas presidenciais do republicano Mitt Romney em 2008 e 2012.

Para ele, “simplesmente não havia a substância necessária para que ela fosse aprovada no teste para ser comandante-chefe e realmente tirasse algumas das dúvidas dos eleitores.

“O resultado foi que seus oponentes preencheram essas lacunas para ela”, apontou Madden.

Oito meses depois, Biden colocou de lado a rivalidade nas primárias e anunciou Kamala Harris como sua vice na chapa.

Ela se tornou a primeira mulher negra a ser indicada para o cargo — e, em janeiro de 2021, a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos.

O ataque de Kamala Harris a Joe Biden sobre o combate à segregação em escolas foi um momento marcante da sua campanha infrutífera à presidência americana em 2019

O ataque de Kamala Harris a Joe Biden sobre o combate à segregação em escolas foi um momento marcante da sua campanha infrutífera à presidência americana em 2019© Getty Images

Começo acidentado

Cinco meses depois da posse como vice, Harris enfrentou seu primeiro contratempo público, durante uma viagem para a Guatemala e o México.

O objetivo da viagem era demonstrar seu papel no desenvolvimento de iniciativas econômicas para restringir o fluxo de migrantes da América Central para a fronteira sul dos Estados Unidos – uma missão de política externa atribuída a ela pelo presidente Biden.

Mas seu trabalho foi rapidamente ofuscado por uma entrevista constrangedora para o jornalista Lester Holt, da rede de TV americana NBC News. A vice-presidente ignorou várias questões sobre ela ainda não ter visitado a fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Mais tarde no mesmo dia, Harris tentou recuperar a narrativa durante uma entrevista coletiva com o então presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei.

Ela deu uma dura mensagem para os migrantes que pensavam em viajar para os Estados Unidos.

“Não venham”, disse ela. “Não venham.”

A entrevista à NBC News alimentou os ataques dos republicanos, que permanecem até hoje. Mas os comentários na segunda coletiva despertaram a ira dos progressistas e se espalharam rapidamente pelas redes sociais, embora outras autoridades do governo já tivessem manifestado a mesma retórica da vice-presidente.

A questão da imigração persegue Kamala Harris desde o início do mandato como vice-presidente

A questão da imigração persegue Kamala Harris desde o início do mandato como vice-presidente© Getty Images

Os aliados de Kamala Harris culparam a Casa Branca por não ter preparado adequadamente a vice-presidente e por atribuir a ela uma missão impossível.

Eles se queixaram de que, como a primeira mulher, afro-americana e asiático-americana a exercer a vice-presidência do país, ela sofreu expectativas irreais desde o início do mandato, sem que tivesse tempo para se estabelecer.

“No início, houve uma imensa pressão para assumir coisas”, declarou um antigo auxiliar, em condição de anonimato.

Nos meses seguintes, Kamala Harris sofreu novos julgamentos com a alta rotatividade do seu pessoal, uma série de manchetes negativas sobre seu desempenho e aparições inexpressivas nos meios de comunicação.

E, cerceada pelas restrições da pandemia de covid-19, seus compromissos públicos foram limitados, alimentando a percepção de era quase invisível.

Ela passou a ser rotulada como um “enfeite”, por ficar frequentemente atrás do presidente Biden nas cerimônias de sanção de leis. Embora seus antecessores vice-presidentes homens tambem frequentemente ficassem nessa posição, atrás dos presidentes, a Casa Branca optou por retirá-la desses eventos.

Segundo auxiliares, esta decisão trouxe para Harris novas críticas pela sua ausência.

“As pessoas tinham a expectativa de observá-la na vice-presidência como se ela fosse Michelle Obama, mas ela estava em um cargo… estabelecido para Al Gore ou Mike Pence”, afirma Jamal Simmons, estrategista democrata de longa data que trabalhou como diretor de comunicação de Kamala Harris durante seu segundo ano de mandato.

Roe x Wade e política de coalizão

Quando sua equipe buscava melhorar sua fraca imagem pública, Harris embarcou em uma função mais alta na política externa. Ela viajou para a Polônia logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

A vice-presidente também manteve reuniões bilaterais na Ásia, em meio ao aumento das tensões com a China, e substituiu Joe Biden na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, naquele mesmo ano.

Mas, em maio de 2022, um terremoto político mudaria completamente a trajetória da vice-presidente.

Em um raro vazamento na Suprema Corte americana, veio a público o rascunho de um parecer revelando os planos de revogação da histórica decisão do caso Roe vs. Wade, que protegeu o direito federal das mulheres americanas ao aborto por quase meio século.

Harris aproveitou a oportunidade para ser a principal porta-voz de uma questão que Biden — católico devoto, descendente de irlandeses, que até evita pronunciar a palavra “aborto” — relutava em assumir.

“Como eles ousam dizer a uma mulher o que ela pode e o que não pode fazer com seu próprio corpo?”, declarou ela a uma multidão, em um evento de um grupo pró-escolha, no mesmo dia da publicação do vazamento bombástico.

Kamala Harris estava decidida a atacar os principais juízes do país antes que a decisão do tribunal fosse publicada oficialmente.

Esta questão se tornou uma força mobilizadora nas eleições de meio de mandato, poucos meses depois. Ela ajudou os democratas a atingirem resultados melhores do que o esperado no pleito legislativo e a tomar o controle do Senado.

Recém-candidata, Kamala ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa

Recém-candidata, Kamala ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa© Getty Images

Ao buscar se tornar a porta-voz do governo americano sobre o aborto, Kamala Harris abordou a questão com “clareza de propósito”, segundo a ex-assessora Rachel Palermo.

Ela reuniu parlamentares estaduais, líderes religiosos, especialistas em direito constitucional, empresas de assistência médica e ativistas para participar de mesas redondas.

O movimento foi duramente criticado por alguns ativistas como não correspondendo à seriedade do momento, mas foi parte de uma estratégia para formar coalizões de políticos locais e estaduais. E também ajudou a estabelecer as bases da futura campanha presidencial.

Harris passou a maior parte da sua carreira entre o delicado leque de políticos democratas mais progressistas e mais tradicionais. E ela sabia que todos os eventos eram importantes.

Sua equipe registrava cada reunião em planilhas detalhadas, mostrando cada oportunidade de fotografia ou jantar, seja com empresários negros ou com mulheres empreendedoras hispânicas. E Harris pôde usar estas informações no momento de convocar uma rede política de apoio mais profunda.

O fato é que Kamala Harris sempre manteve em vista sua possível candidatura para a Casa Branca em 2028, como sucessora natural de Joe Biden, caso um segundo mandato fosse conquistado por ele nas eleições de 2024.

Mas, quando surgiram os clamores pela substituição de Joe Biden como candidato, após os tropeços no debate contra Donald Trump no final de junho, alguns democratas a negligenciaram abertamente.

Eles e muitos analistas sugeriram governadores populares — como Gavin Newsom, da Califórnia, Josh Shapiro, da Pensilvânia, ou Gretchen Whitmer, de Michigan — como melhores substitutos para motivar os eleitores e assumir a luta contra Trump.

Até que, em 21 de julho, Biden telefonou para Harris e a informou dos seus planos de sair da disputa e apoiá-la como sua sucessora. A decisão tomou muitos dos seus aliados mais próximos de surpresa, mas a vice-presidente logo entrou em ação.

Naquele domingo, em um intervalo de 10 horas, ela ligou para mais de 100 autoridades do partido, membros do Congresso, líderes trabalhistas e ativistas. E, em questão de dias, todos os seus possíveis rivais, incluindo os poderosos governadores, já haviam desistido da disputa.

Ficava claro que Harris assumiria a candidatura democrata sem grandes dificuldades.

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política© Getty Images

Como candidata, a atual vice-presidente ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa.

Ela publicou um rascunho econômico em 16 de agosto, propondo reduções de impostos para as famílias e um esforço mais amplo para limitar o preço dos medicamentos. É sua visão mais detalhada para o futuro do país apresentada até aqui.

Embora os republicanos a acusem de evitar se expor, sua equipe não vê necessidade de suspender o entusiasmo construído por ela no último mês. Estrategistas políticos afirmam que a campanha está pronta para capitalizar toda essa energia acumulada.

“O que Kamala Harris está vivenciando é uma maciça necessidade reprimida das pessoas de votar em alguém que não se chame Biden nem Trump”, afirma Kevin Madden.

“Mas o teste sempre vem com a exposição a entrevistas, à imprensa, aos debates e aos desconfortáveis holofotes da campanha.”

O historiador presidencial Douglas Brinkley, que ajudou a organizar uma reunião de historiadores na residência oficial de Kamala Harris no ano passado, afirma que o fato de ela ser uma tela algo vazia para os eleitores traz mais benefícios do que prejuízos.

“Ela pode não ter conseguido florescer totalmente com Biden, mas também nunca teve atritos com ele”, explica Brinkley. “Por isso, ela conseguiu se posicionar para este momento e pode assumir o que há de bom nos anos de Biden e descartar as malas que ela quiser, ou discordar levemente.”

Sua entrada na campanha trouxe uma onda de apoio entre os democratas, mas não está claro se ela conseguirá transformar este apoio em um apelo generalizado.

Harris conseguiu adentrar em alguns grupos demográficos fundamentais que haviam escapado de Joe Biden, particularmente os eleitores negros, latinos e jovens. Mas ela está atrasada em outros setores que compuseram a coalizão vencedora de Biden em 2020.

As pesquisas recentes colocam Harris à frente ou empatada com Trump em seis dos sete Estados decisivos, segundo o boletim Cook Political Report publicado na quarta-feira (14/08). Em maio, quando Biden ainda era o candidato democrata, Trump estava à frente ou empatado em todos os sete Estados.

‘Nasci com cinto de segurança’

O discurso da noite de quinta-feira (22/8), durante a convenção do Partido Democrata, será o momento mais importante da carreira política de Kamala Harris.

Enquanto a convenção republicana serviu de coroação para Donald Trump (nomeado candidato do partido pela terceira vez consecutiva), o súbito crescimento de Harris faz com que seu discurso passe a ser o momento fundamental para definir quem ela realmente é.

Harris já esteve no palco antes, mas um de seus altos auxiliares declarou que o discurso irá se concentrar mais na sua história pessoal do que fizeram os candidatos anteriores.

“Esta é a questão principal. Por que ela está concorrendo à Presidência? Qual é sua visão para o país?”, declarou Jamal Simmons. “[O discurso] irá ajudar a unir os cordões da sua política e da sua vida política, para que faça sentido para as pessoas.”

Mas, ao longo dos quatro dias de convenção, Kamala Harris precisa definir sua mensagem sobre criminalidade, inflação, economia e imigração – questões que a campanha de Trump irá discutir implacavelmente até o dia das eleições.

O estrategista republicano de longa data Whit Ayres afirma que Harris também precisará, em algum momento, esclarecer as posições à esquerda que ela assumiu em 2019, durante sua candidatura fracassada à Presidência.

“Sua maior vulnerabilidade é que existem muitas evidências de que ela é uma liberal de São Francisco com todo um conjunto de posições políticas de extrema esquerda que estão fora do pensamento americano comum”, afirma ele, “e ela ainda não precisou responder a respeito.”

Kamala Harris uniu rapidamente o Partido Democrata em torno do seu nome e do seu candidato a vice, Tim Walz

Kamala Harris uniu rapidamente o Partido Democrata em torno do seu nome e do seu candidato a vice, Tim Walz© Getty Images

Apesar de algumas dúvidas sobre como Harris vai responder a situações em que ficará mais exposta e a cobranças da ala mais à esquerda do eleitorado democrata, aliados e assessores que a prepararam ao longo da última semana defendem que ela construiu as bases da sua candidatura presidencial ao longo dos últimos quatro anos.

“A oportunidade é a preparação com um pouco de sorte”, afirmou um importante assessor político. “Eu não chamaria isso de sorte, já que ninguém queria que fosse desta forma, mas ela certamente estava preparada para este momento de oportunidade.”

A doadora democrata Susie Tompkins Buell é uma das fundadoras das empresas Esprit e The North Face. Ela ajudou Kamala Harris a arrecadar US$ 12 milhões (cerca de R$ 64,9 milhões) para a campanha em um evento em São Francisco, no início deste mês.

Tompkins Buell conhece Kamala Harris desde os anos 1990 e afirma que não se surpreendeu com seu desempenho nas últimas semanas.

Nos dias que se seguiram ao duvidoso desempenho de Biden no debate, Tompkins Buell compareceu a um evento com a vice-presidente. Ela declarou que pôde perceber a mudança em andamento.

A empresária conta que, quando disse a Harris que apertasse seu cinto de segurança, a futura candidata democrata brincou: “Eu nasci com um cinto de segurança.”

“Gostei da sua resposta”, comenta Tompkins Buell. “Foi rápida e certeira. Ela está pronta.”

*Com informações de Courtney Subramanian, da BBC News

Kamala Harris aceitou formalmente a nomeação como candidata à presidência dos Estados Unidos durante a Convenção Nacional do Partido Democrata nesta quinta-feira (22/08), onde fez o discurso mais importante da sua carreira até agora.

Alarme Monitorado 24h
Publicidade

Alarmes Verisure®

th?id=OADD2.8452570193434 1995X1C6IYOM7FZ5CE&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

Harris iniciou o discurso abordando sua vida pessoal — comemorando em suas primeiras frases os dez anos de casamento com Douglas Emhoff e relembrando a história de sua família.

A candidata também abordou temas sensíves para a campanha, como a imigração e a guerra em Gaza. Ela afirmou que pretende resgatar um projeto bipartidário para reforçar o controle nas fronteiras e o sistema de imigração.

VideoBlueVídeo relacionado: O discurso de Kamala Harris na íntegra (SIC Notícias)

Hora Atual 0:04
/
Duração 38:09

AA1jv6TYSIC Notícias
O discurso de Kamala Harris na íntegra

Assistir na ExibiçãoAssistir na Exibição

Sobre a situação em Gaza, disse que sempre defenderá Israel, forte aliado dos EUA, mas clamou por uma solução rápida.

“Agora é o momento de fechar um acordo sobre reféns e um cessar-fogo”, disse.

Boa parte do discurso teve ataques ao candidato republicano Donald Trump, que ela disse não ser “um homem sério”. Ela mencionou as acusações e condenações que o ex-presidente enfrenta na Justiça, além do que classificou como retrocessos durante o governo Trump, como restrições ao aborto e cortes de impostos para super-ricos.

Ton: O seu aliado pra vender
Publicidade

Ton

th?id=OADD2.10239394666345 17V6CJWZS5SZYK61J&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

A democrata afirmou que, se for eleita, será “uma presidente para todos os americanos”.

“Não como membros de qualquer partido ou facção, mas como americanos”, disse Harris, que também fez acenos à classe média.

“A classe média será um objetivo central na minha presidência, porque acredito firmemente que quando a classe média é forte, a América é forte”, afirmou, acrescentando que ela própria tem origem na classe média.

Honda ZR-V: Tecnologia e qualidade de A a Z.
Publicidade

Honda

http%3A%2F%2Fcdn.taboola.com%2Flibtrc%2Fstatic%2Fthumbnails%2F22c83e04708e579ee6b9be5d84788501

A candidata também abordou no discurso a recente decisão por sua candidatura.

“O caminho que me trouxe até aqui nas últimas semanas foi sem dúvida inesperado”, disse Harris, um mês depois de o presidente Joe Biden ter desistido da reeleição.

“Mas jornadas improváveis não são algo estranho para mim.”

Aniversário do Pão de Açúcar
Publicidade

Pão de Açúcar

th?id=OADD2.7353135393760 17W0R6WXUAQIC47GRL&pid=21.2&c=17&roil=0.1508&roit=0&roir=0

Apesar da aclamação nesta noite, Harris, de 59 anos, enfrentou anos de dúvidas de dentro do próprio partido sobre sua capacidade de concorrer ao cargo público mais alto dos Estados Unidos.

Depois do fracasso da sua rápida candidatura presidencial em 2019, Harris começou a vice-presidência de forma instável, marcada por tropeços em entrevistas importantes, rotatividade na equipe e baixos índices de aprovação.

E, nos últimos três anos e meio na Casa Branca, ela teve dificuldade para atingir os eleitores americanos.

Seus aliados e assessores afirmam que, nos anos que se passaram desde aquelas dificuldades iniciais, Kamala Harris melhorou suas habilidades políticas, criou coalizões leais dentro do seu partido e estabeleceu credibilidade sobre temas importantes para a base democrata, como o direito ao aborto.

Ou seja, ela se preparou exatamente para o momento atual.

O discurso desta quinta-feira se tornou uma oportunidade para Harris se reapresentar no cenário nacional americano — menos de 80 dias antes da eleição que poderá torná-la a primeira mulher presidente dos Estados Unidos.

Kamala Harris aceitou formalmente a candidatura em convenção democrata nesta quinta-feira (22/08)

Kamala Harris aceitou formalmente a candidatura em convenção democrata nesta quinta-feira (22/08)© REUTERS/Kevin Lamarque

Mas, paralelamente, ela terá que provar que é capaz de comandar um partido que nunca a considerou sua líder natural e permanece dividido em relação à guerra em Israel e na Faixa de Gaza.

Protestos pró-Palestina viraram um incômodo para os dirigentes democratas durante a convenção, que em seus vários dias de evento essa semana tiveram manifestantes do lado de fora.

Nessa quinta-feira, um grupo de delegados deram até as 18h do horário local para que a organização da convenção definisse se alguém ligado à causa palestina poderia discursar no evento.

Sem o pedido atendido, alguns delegados fizeram um pequeno protesto do lado de fora do evento.

Acima de tudo, Harris precisará afastar qualquer dúvida remanescente entre a base democrata de que ela pode enfrentar o desafio de vencer o ex-presidente Donald Trump em uma eleição que permanece acirrada e imprevisível.

O caminho rumo à Casa Branca

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política© Getty Images

Antes de se tornar uma figura de expressão nacional, Kamala Harris foi procuradora de São Francisco a partir de 2004 e procuradora-geral da Califórnia a partir de 2011.

Na candidatura para a procuradoria-geral da Califórnia, que acabou vitoriosa, ela recebeu o apoio do então presidente Barack Obama, de quem é amiga.

Mas quem acompanhou sua carreira de perto observou seus altos e baixos.

Como promotora, ela enfrentou protestos do público por se recusar a pedir a pena de morte para um homem condenado por matar um jovem policial. E, como procuradora-geral, ela defendeu a pena de morte vigente no Estado, mesmo com a sua oposição pessoal.

Após chegar ao topo da política estadual, Harris foi eleita para o Senado americano na mesma noite em que Donald Trump venceu Hillary Clinton, na eleição presidencial de 2016.

No seu curto mandato, Kamala Harris chegou às manchetes ao criticar e questionar diretamente o juiz da Suprema Corte Brett Kavanaugh, durante sua agitada audiência de confirmação para o cargo, em 2018.

“Você consegue se lembrar de alguma lei que dê ao governo o poder de tomar decisões sobre o corpo masculino?”, perguntou ela ao juiz, indicado por Trump.

O diálogo reverberou nas redes sociais e nos programas de TV.

Como Obama, ela foi uma jovem senadora com muitas ambições. E, a meio caminho do seu primeiro mandato, ela lançou sua candidatura à Presidência.

Foi uma campanha recebida com grande alvoroço, como a atual. Mais de 20 mil pessoas se reuniram na sua cidade natal de Oakland, na Califórnia, para o lançamento.

Mas sua tentativa de se tornar a candidata democrata desmoronou antes mesmo das primeiras eleições primárias do partido.

Harris não conseguiu estabelecer uma identidade política clara que a diferenciasse de um grupo de rivais como Joe Biden e o senador de esquerda Bernie Sanders. Para os críticos, ela apoiou uma série de políticas progressistas, mas parecia não demonstrar claramente sua convicção a respeito.

Em um momento notório dos debates, em junho de 2019, Harris questionou o histórico do seu então oponente Biden sobre o fim da segregação racial das escolas.

Ela atacou Joe Biden sobre um momento anterior da campanha, no qual ele relembrou, orgulhoso, seu trabalho com dois senadores segregacionistas. Harris o acusou de ser contrário ao transporte de estudantes entre as escolas para ajudar na integração.

“Havia uma menina da Califórnia que fazia parte da segunda classe integrada na sua escola pública, e ela ia de ônibus para a escola todos os dias”, declarou Harris.

“Aquela menina era eu.”

Primeira vice-presidente na história dos EUA, Kamala Harris enfrentará Donald Trump nas eleições de novembro

Primeira vice-presidente na história dos EUA, Kamala Harris enfrentará Donald Trump nas eleições de novembro© Getty Images

Mas os conflitos internos de campanha e a indecisão sobre quais questões deveriam receber mais importância acabaram afundando sua tentativa de chegar à Presidência naquele ano.

A campanha foi marcada por “uma série de erros de principiante”, segundo Kevin Madden, assessor das campanhas presidenciais do republicano Mitt Romney em 2008 e 2012.

Para ele, “simplesmente não havia a substância necessária para que ela fosse aprovada no teste para ser comandante-chefe e realmente tirasse algumas das dúvidas dos eleitores.

“O resultado foi que seus oponentes preencheram essas lacunas para ela”, apontou Madden.

Oito meses depois, Biden colocou de lado a rivalidade nas primárias e anunciou Kamala Harris como sua vice na chapa.

Ela se tornou a primeira mulher negra a ser indicada para o cargo — e, em janeiro de 2021, a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos.

O ataque de Kamala Harris a Joe Biden sobre o combate à segregação em escolas foi um momento marcante da sua campanha infrutífera à presidência americana em 2019

O ataque de Kamala Harris a Joe Biden sobre o combate à segregação em escolas foi um momento marcante da sua campanha infrutífera à presidência americana em 2019© Getty Images

Começo acidentado

Cinco meses depois da posse como vice, Harris enfrentou seu primeiro contratempo público, durante uma viagem para a Guatemala e o México.

O objetivo da viagem era demonstrar seu papel no desenvolvimento de iniciativas econômicas para restringir o fluxo de migrantes da América Central para a fronteira sul dos Estados Unidos – uma missão de política externa atribuída a ela pelo presidente Biden.

Mas seu trabalho foi rapidamente ofuscado por uma entrevista constrangedora para o jornalista Lester Holt, da rede de TV americana NBC News. A vice-presidente ignorou várias questões sobre ela ainda não ter visitado a fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Mais tarde no mesmo dia, Harris tentou recuperar a narrativa durante uma entrevista coletiva com o então presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei.

Ela deu uma dura mensagem para os migrantes que pensavam em viajar para os Estados Unidos.

“Não venham”, disse ela. “Não venham.”

A entrevista à NBC News alimentou os ataques dos republicanos, que permanecem até hoje. Mas os comentários na segunda coletiva despertaram a ira dos progressistas e se espalharam rapidamente pelas redes sociais, embora outras autoridades do governo já tivessem manifestado a mesma retórica da vice-presidente.

A questão da imigração persegue Kamala Harris desde o início do mandato como vice-presidente

A questão da imigração persegue Kamala Harris desde o início do mandato como vice-presidente© Getty Images

Os aliados de Kamala Harris culparam a Casa Branca por não ter preparado adequadamente a vice-presidente e por atribuir a ela uma missão impossível.

Eles se queixaram de que, como a primeira mulher, afro-americana e asiático-americana a exercer a vice-presidência do país, ela sofreu expectativas irreais desde o início do mandato, sem que tivesse tempo para se estabelecer.

“No início, houve uma imensa pressão para assumir coisas”, declarou um antigo auxiliar, em condição de anonimato.

Nos meses seguintes, Kamala Harris sofreu novos julgamentos com a alta rotatividade do seu pessoal, uma série de manchetes negativas sobre seu desempenho e aparições inexpressivas nos meios de comunicação.

E, cerceada pelas restrições da pandemia de covid-19, seus compromissos públicos foram limitados, alimentando a percepção de era quase invisível.

Ela passou a ser rotulada como um “enfeite”, por ficar frequentemente atrás do presidente Biden nas cerimônias de sanção de leis. Embora seus antecessores vice-presidentes homens tambem frequentemente ficassem nessa posição, atrás dos presidentes, a Casa Branca optou por retirá-la desses eventos.

Segundo auxiliares, esta decisão trouxe para Harris novas críticas pela sua ausência.

“As pessoas tinham a expectativa de observá-la na vice-presidência como se ela fosse Michelle Obama, mas ela estava em um cargo… estabelecido para Al Gore ou Mike Pence”, afirma Jamal Simmons, estrategista democrata de longa data que trabalhou como diretor de comunicação de Kamala Harris durante seu segundo ano de mandato.

Roe x Wade e política de coalizão

Quando sua equipe buscava melhorar sua fraca imagem pública, Harris embarcou em uma função mais alta na política externa. Ela viajou para a Polônia logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

A vice-presidente também manteve reuniões bilaterais na Ásia, em meio ao aumento das tensões com a China, e substituiu Joe Biden na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, naquele mesmo ano.

Mas, em maio de 2022, um terremoto político mudaria completamente a trajetória da vice-presidente.

Em um raro vazamento na Suprema Corte americana, veio a público o rascunho de um parecer revelando os planos de revogação da histórica decisão do caso Roe vs. Wade, que protegeu o direito federal das mulheres americanas ao aborto por quase meio século.

Harris aproveitou a oportunidade para ser a principal porta-voz de uma questão que Biden — católico devoto, descendente de irlandeses, que até evita pronunciar a palavra “aborto” — relutava em assumir.

“Como eles ousam dizer a uma mulher o que ela pode e o que não pode fazer com seu próprio corpo?”, declarou ela a uma multidão, em um evento de um grupo pró-escolha, no mesmo dia da publicação do vazamento bombástico.

Kamala Harris estava decidida a atacar os principais juízes do país antes que a decisão do tribunal fosse publicada oficialmente.

Esta questão se tornou uma força mobilizadora nas eleições de meio de mandato, poucos meses depois. Ela ajudou os democratas a atingirem resultados melhores do que o esperado no pleito legislativo e a tomar o controle do Senado.

Recém-candidata, Kamala ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa

Recém-candidata, Kamala ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa© Getty Images

Ao buscar se tornar a porta-voz do governo americano sobre o aborto, Kamala Harris abordou a questão com “clareza de propósito”, segundo a ex-assessora Rachel Palermo.

Ela reuniu parlamentares estaduais, líderes religiosos, especialistas em direito constitucional, empresas de assistência médica e ativistas para participar de mesas redondas.

O movimento foi duramente criticado por alguns ativistas como não correspondendo à seriedade do momento, mas foi parte de uma estratégia para formar coalizões de políticos locais e estaduais. E também ajudou a estabelecer as bases da futura campanha presidencial.

Harris passou a maior parte da sua carreira entre o delicado leque de políticos democratas mais progressistas e mais tradicionais. E ela sabia que todos os eventos eram importantes.

Sua equipe registrava cada reunião em planilhas detalhadas, mostrando cada oportunidade de fotografia ou jantar, seja com empresários negros ou com mulheres empreendedoras hispânicas. E Harris pôde usar estas informações no momento de convocar uma rede política de apoio mais profunda.

O fato é que Kamala Harris sempre manteve em vista sua possível candidatura para a Casa Branca em 2028, como sucessora natural de Joe Biden, caso um segundo mandato fosse conquistado por ele nas eleições de 2024.

Mas, quando surgiram os clamores pela substituição de Joe Biden como candidato, após os tropeços no debate contra Donald Trump no final de junho, alguns democratas a negligenciaram abertamente.

Eles e muitos analistas sugeriram governadores populares — como Gavin Newsom, da Califórnia, Josh Shapiro, da Pensilvânia, ou Gretchen Whitmer, de Michigan — como melhores substitutos para motivar os eleitores e assumir a luta contra Trump.

Até que, em 21 de julho, Biden telefonou para Harris e a informou dos seus planos de sair da disputa e apoiá-la como sua sucessora. A decisão tomou muitos dos seus aliados mais próximos de surpresa, mas a vice-presidente logo entrou em ação.

Naquele domingo, em um intervalo de 10 horas, ela ligou para mais de 100 autoridades do partido, membros do Congresso, líderes trabalhistas e ativistas. E, em questão de dias, todos os seus possíveis rivais, incluindo os poderosos governadores, já haviam desistido da disputa.

Ficava claro que Harris assumiria a candidatura democrata sem grandes dificuldades.

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política

Como Kamala Harris superou desconfianças de democratas e enfrenta momento decisivo de sua carreira política© Getty Images

Como candidata, a atual vice-presidente ainda precisa apresentar uma agenda política detalhada e se preparar para rigorosas entrevistas coletivas com a imprensa.

Ela publicou um rascunho econômico em 16 de agosto, propondo reduções de impostos para as famílias e um esforço mais amplo para limitar o preço dos medicamentos. É sua visão mais detalhada para o futuro do país apresentada até aqui.

Embora os republicanos a acusem de evitar se expor, sua equipe não vê necessidade de suspender o entusiasmo construído por ela no último mês. Estrategistas políticos afirmam que a campanha está pronta para capitalizar toda essa energia acumulada.

“O que Kamala Harris está vivenciando é uma maciça necessidade reprimida das pessoas de votar em alguém que não se chame Biden nem Trump”, afirma Kevin Madden.

“Mas o teste sempre vem com a exposição a entrevistas, à imprensa, aos debates e aos desconfortáveis holofotes da campanha.”

O historiador presidencial Douglas Brinkley, que ajudou a organizar uma reunião de historiadores na residência oficial de Kamala Harris no ano passado, afirma que o fato de ela ser uma tela algo vazia para os eleitores traz mais benefícios do que prejuízos.

“Ela pode não ter conseguido florescer totalmente com Biden, mas também nunca teve atritos com ele”, explica Brinkley. “Por isso, ela conseguiu se posicionar para este momento e pode assumir o que há de bom nos anos de Biden e descartar as malas que ela quiser, ou discordar levemente.”

Sua entrada na campanha trouxe uma onda de apoio entre os democratas, mas não está claro se ela conseguirá transformar este apoio em um apelo generalizado.

Harris conseguiu adentrar em alguns grupos demográficos fundamentais que haviam escapado de Joe Biden, particularmente os eleitores negros, latinos e jovens. Mas ela está atrasada em outros setores que compuseram a coalizão vencedora de Biden em 2020.

As pesquisas recentes colocam Harris à frente ou empatada com Trump em seis dos sete Estados decisivos, segundo o boletim Cook Political Report publicado na quarta-feira (14/08). Em maio, quando Biden ainda era o candidato democrata, Trump estava à frente ou empatado em todos os sete Estados.

‘Nasci com cinto de segurança’

O discurso da noite de quinta-feira (22/8), durante a convenção do Partido Democrata, será o momento mais importante da carreira política de Kamala Harris.

Enquanto a convenção republicana serviu de coroação para Donald Trump (nomeado candidato do partido pela terceira vez consecutiva), o súbito crescimento de Harris faz com que seu discurso passe a ser o momento fundamental para definir quem ela realmente é.

Harris já esteve no palco antes, mas um de seus altos auxiliares declarou que o discurso irá se concentrar mais na sua história pessoal do que fizeram os candidatos anteriores.

“Esta é a questão principal. Por que ela está concorrendo à Presidência? Qual é sua visão para o país?”, declarou Jamal Simmons. “[O discurso] irá ajudar a unir os cordões da sua política e da sua vida política, para que faça sentido para as pessoas.”

Mas, ao longo dos quatro dias de convenção, Kamala Harris precisa definir sua mensagem sobre criminalidade, inflação, economia e imigração – questões que a campanha de Trump irá discutir implacavelmente até o dia das eleições.

O estrategista republicano de longa data Whit Ayres afirma que Harris também precisará, em algum momento, esclarecer as posições à esquerda que ela assumiu em 2019, durante sua candidatura fracassada à Presidência.

“Sua maior vulnerabilidade é que existem muitas evidências de que ela é uma liberal de São Francisco com todo um conjunto de posições políticas de extrema esquerda que estão fora do pensamento americano comum”, afirma ele, “e ela ainda não precisou responder a respeito.”

Kamala Harris uniu rapidamente o Partido Democrata em torno do seu nome e do seu candidato a vice, Tim Walz

Kamala Harris uniu rapidamente o Partido Democrata em torno do seu nome e do seu candidato a vice, Tim Walz© Getty Images

Apesar de algumas dúvidas sobre como Harris vai responder a situações em que ficará mais exposta e a cobranças da ala mais à esquerda do eleitorado democrata, aliados e assessores que a prepararam ao longo da última semana defendem que ela construiu as bases da sua candidatura presidencial ao longo dos últimos quatro anos.

“A oportunidade é a preparação com um pouco de sorte”, afirmou um importante assessor político. “Eu não chamaria isso de sorte, já que ninguém queria que fosse desta forma, mas ela certamente estava preparada para este momento de oportunidade.”

A doadora democrata Susie Tompkins Buell é uma das fundadoras das empresas Esprit e The North Face. Ela ajudou Kamala Harris a arrecadar US$ 12 milhões (cerca de R$ 64,9 milhões) para a campanha em um evento em São Francisco, no início deste mês.

Tompkins Buell conhece Kamala Harris desde os anos 1990 e afirma que não se surpreendeu com seu desempenho nas últimas semanas.

Nos dias que se seguiram ao duvidoso desempenho de Biden no debate, Tompkins Buell compareceu a um evento com a vice-presidente. Ela declarou que pôde perceber a mudança em andamento.

A empresária conta que, quando disse a Harris que apertasse seu cinto de segurança, a futura candidata democrata brincou: “Eu nasci com um cinto de segurança.”

“Gostei da sua resposta”, comenta Tompkins Buell. “Foi rápida e certeira. Ela está pronta.”

*Com informações de Courtney Subramanian, da BBC News

Post anterior

La Braciera: Uma Experiência Gastronômica Inesquecível!

Próximo post

Accor Hotels: A Símbolo de Excelência e Versatilidade no Brasil.

JORNAL GAZETA NACIONAL

JORNAL GAZETA NACIONAL

Relacionado Posts

França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos
Noticias

França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

25/10/2026
Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita
Noticias

Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

25/10/2026
Ucrânia anuncia trégua em Oleshky e abre caminho para operação humanitária em meio à guerra
Noticias

Ucrânia anuncia trégua em Oleshky e abre caminho para operação humanitária em meio à guerra

23/10/2026
Próximo post
Accor Hotels: A Símbolo de Excelência e Versatilidade no Brasil.

Accor Hotels: A Símbolo de Excelência e Versatilidade no Brasil.

  • Tendência
  • Comentários
  • Últimos
Conheça as estampas Animal Print do verão 2022.

Conheça as estampas Animal Print do verão 2022.

24/01/2022
Corte Long Bob, a leveza do verão!

Corte Long Bob, a leveza do verão!

28/10/2021
Conheça quem está por trás do restaurante La Ventana Parrilla, uma das maiores referências em cortes argentinos de São Paulo.

Conheça quem está por trás do restaurante La Ventana Parrilla, uma das maiores referências em cortes argentinos de São Paulo.

06/03/2023
Cacau Show anuncia descontos em Ovos de Páscoa

Cacau Show anuncia descontos em Ovos de Páscoa

06/04/2023
Rascunho automático

Casarìa: um refúgio de charme e sofisticação nos Jardins, onde a gastronomia desperta memórias e celebra a arte de viver

0
Isabela Castro Shoes, sofisticação e conforto em um só lugar!

Isabela Castro Shoes, sofisticação e conforto em um só lugar!

0
São Paulo começa a vacinar hoje pessoas de 58 e 59 anos

São Paulo começa a vacinar hoje pessoas de 58 e 59 anos

0
Gi.multimarcas

Gi.multimarcas

0
Rascunho automático

Casarìa: um refúgio de charme e sofisticação nos Jardins, onde a gastronomia desperta memórias e celebra a arte de viver

25/10/2026
França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

25/10/2026
Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

25/10/2026
Eleições 2026: dólar pode ultrapassar R$ 5,20 e Ibovespa recuar abaixo dos 180 mil pontos, avalia economista

Eleições 2026: dólar pode ultrapassar R$ 5,20 e Ibovespa recuar abaixo dos 180 mil pontos, avalia economista

25/10/2026

Noticias Recentes

Rascunho automático

Casarìa: um refúgio de charme e sofisticação nos Jardins, onde a gastronomia desperta memórias e celebra a arte de viver

25/10/2026
França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

França registra 1.314 detidos e 53 agentes feridos em nova onda de protestos

25/10/2026
Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

Houthis assumem ataques ao aeroporto de Riad e bases militares; voos são parcialmente retomados na Arábia Saudita

25/10/2026
Eleições 2026: dólar pode ultrapassar R$ 5,20 e Ibovespa recuar abaixo dos 180 mil pontos, avalia economista

Eleições 2026: dólar pode ultrapassar R$ 5,20 e Ibovespa recuar abaixo dos 180 mil pontos, avalia economista

25/10/2026

JORNAL GAZETA NACIONAL

O Jornal Gazeta Nacional www.jornaldagazeta.com.br é um veículo de comunicação independente, sem vínculo ou integração com grupos de mídia, emissoras de TV ou redes de comunicação.

No Jornal Gazeta Nacional, você acompanha conteúdos jornalísticos independentes sobre notícias, saúde, política, moda, experiências, hospedagem e gastronomia, além de temas relacionados à cultura, tecnologia e esportes.

Com informações atualizadas e análises cuidadosas, produzidas a partir de linha editorial própria, estamos aqui para manter você bem informado e conectado aos assuntos que fazem parte do seu dia a dia.

Acesse e descubra!

EDITORIAIS

  • Noticias
  • Saúde
  • Politica
  • Moda
  • Experiências & Hospedagem
  • Gastronomia
  • Noticias
  • Saúde
  • Politica
  • Moda
  • Experiências & Hospedagem
  • Gastronomia

FALE CONOSCO

  • Sugestão de Pauta
  • Painel do Leitor
  • Ouvidoria
  • Erramos?
  • Fale conosco
  • Sugestão de Pauta
  • Painel do Leitor
  • Ouvidoria
  • Erramos?
  • Fale conosco

Contato

Painel do Leitor leitor@jornalgazetanacional.com.br Ouvidoria ouvidoria@jornalgazetanacional.com.br
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Quem Somos

©Jornal Gazeta Nacional - Todos os direitos reservados Economarketing .

Sem resultados
Exibir todos os resultados
  • Início
  • Noticias
  • Saúde
  • Política
  • Moda
  • Experiências & Hospedagem
  • Gastronomia

©Jornal Gazeta Nacional - Todos os direitos reservados Economarketing .

Este site usa cookies. Ao continuar a utilizar este website, está a dar o seu consentimento aos cookies que estão a ser utilizados. Visite nossa política de privacidade e cookies.