Em uma resposta formal ao Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central do Brasil (BC) relatou que encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) — em novembro de 2025 — indícios de fraudes relacionadas à gestão da instituição financeira Banco Master, pouco antes de decretar sua liquidação extrajudicial.
No documento encaminhado ao TCU em 29 de dezembro, os diretores de Fiscalização e de Reorganização do Sistema Financeiro do BC detalharam a deterioração das condições financeiras do banco e as supostas irregularidades identificadas pelos técnicos. Além disso, o relatório aponta que as evidências colhidas sugerem operações supostamente simuladas ou sem lastro econômico, com recursos “reciclados por meio de uma cadeia de fundos e sociedades interpostas” para dar aparência de legalidade a transações que poderiam ser fraudulentas.
Indícios encaminhados ao MPF
Segundo o BC, no mesmo dia em que a Polícia Federal prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — em 17 de novembro — a autarquia identificou e comunicou ao MPF novos indícios de fraudes que podem integrar crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, simulação de operações e uso de artifícios para encobrir a real situação econômica do banco.
A comunicação ao MPF antecedeu em um dia a decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Master, medida extrema que pôs fim às operações da instituição diante da incapacidade de honrar compromissos e da identificação dessas irregularidades.
Reag e outras conexões investigadas
A investigação que envolve o caso também traz à tona estruturas como a Reag Investimentos — gestora que já esteve no centro de outras apurações e foi mencionada em debates sobre o risco de conluio com organizações criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) em outras frentes de investigação no setor financeiro — embora detalhes específicos sobre essa conexão no relatório ao TCU não tenham sido tornados públicos até o momento.
Em 2025, antes da liquidação, o Master havia negociado uma potencial venda ao Banco de Brasília (BRB), negócio que acabou sendo vetado pelo BC por dúvidas sobre a sustentabilidade financeira da instituição e, posteriormente, virou objeto de apurações da Polícia Federal sob suspeita de fraudes bilionárias.
Pressão e escrutínio sobre a liquidação
A resposta ao TCU ocorre em meio a questionamentos de que o Banco Central poderia ter se precipitado ao liquidar o Master, em vez de explorar soluções alternativas de mercado. O relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, havia dado prazo para que o BC justificasse a medida extrema diante dessas críticas.
O processo relacionado à liquidação e às possíveis irregularidades segue sigiloso, mas a comunicação das suspeitas ao Ministério Público Federal marca um passo importante na investigação de possíveis crimes que ultrapassam a supervisão regulatória e chegam ao âmbito penal.
Por: Redação da Gazeta





































