
Ontem, na 60ª edição da São Paulo Fashion Week, o renomado estilista Amir Slama marcou seu retorno às passarelas celebrando 35 anos de carreira em grande estilo. O desfile, que uniu moda, arte e propósito, também lançou o movimento global Fashion for Forests, iniciativa que utiliza a moda como plataforma de conscientização ambiental e valorização das vozes indígenas da Amazônia.
Com um casting estrelado por nomes icônicos como Claudia Liz, Isabella Fiorentino, Pathy Dejesus, Cassia Ávila e Vivi Orth, o espetáculo emocionou o público e reafirmou a importância de Slama na história da moda brasileira. Criador da categoria beachwear de alta moda, o estilista apresentou uma coleção que revisita momentos marcantes de sua trajetória, misturando memórias e inovação com maestria.

“O desfile tem uma revisão desses anos todos de trabalho, com um novo olhar sobre construções icônicas de antigas coleções”, destacou Slama.
A nova coleção nasce das experiências vividas pelo estilista na Amazônia nos últimos anos. Suas viagens pela região inspiraram estampas e formas que traduzem a força e a vitalidade da natureza brasileira. O ponto de partida criativo foi a obra do artista Glauco Rodrigues, conhecido por retratar o Brasil sob uma ótica pop e moderna, ao mesmo tempo em que denunciava contrastes sociais e culturais. Esse diálogo com a arte se materializou em cores primárias, tons terrosos, nuances de marrom e variações da cor da pele — uma celebração à diversidade e à beleza autêntica do país.
As criações de Slama desfilaram entre biquínis esculturais, saídas de praia fluidas e propostas masculinas que exploraram novas texturas e tecidos de apelo ecológico. Tudo cuidadosamente pensado para refletir uma moda que dialoga com o tempo em que vivemos — consciente, plural e conectada à natureza.
Mas o ponto alto da noite foi o lançamento do Fashion for Forests, movimento global criado por Amir Slama, em parceria com a ativista indígena Txai Suruí e a empreendedora Catarina Bellino. A proposta do projeto é usar a moda como ferramenta de transformação, incentivando o reflorestamento da Amazônia e ampliando o alcance das vozes indígenas. Durante o desfile, foi apresentada a primeira tree-shirt — camiseta cuja venda terá 100% da renda revertida para o programa Pamine Reforestation, responsável pelo plantio de mais de um milhão de árvores no território Paiter Suruí, em Rondônia.
O design da peça foi assinado pela modelo e artista Claudia Liz, que se inspirou na floresta para retratar as árvores como pulmões do planeta. “Busquei criar uma imagem simbólica e poderosa, capaz de comunicar a urgência e a beleza dessa conexão entre natureza e vida”, afirmou. Cada camiseta vendida representa o plantio de uma árvore — uma ação simples que carrega o poder de transformar e regenerar.
“Tenho certeza de que será um sucesso, pois quando as pessoas se unem por uma boa causa, é certo que a semente vai brotar”, declarou Txai Suruí, uma das vozes mais influentes do mundo em defesa da floresta e dos direitos indígenas.
O retorno de Amir Slama ao SPFW é, sem dúvida, uma celebração da moda brasileira em seu sentido mais genuíno: criativa, consciente e inspiradora. Em meio às cores, tecidos e histórias que cruzaram a passarela, o estilista mostrou que a moda pode — e deve — ser um ato de amor à natureza e à cultura do nosso país.
Mais do que um desfile, foi um manifesto.
Um lembrete de que estilo e propósito podem caminhar juntos — e que cada criação é uma oportunidade de semear um futuro mais verde, mais justo e mais humano.
Por: Redação da Gazeta






































