A posição inicial dos países da África surpreendeu as expectativas de quem contava com avanços rápidos na definição da Meta Global de Adaptação (GGA) na COP30 — uma das ações centrais da conferência em Belém, sob liderança brasileira.
Durante as tratativas preliminares realizadas em 11 de novembro, o grupo africano propôs o adiamento da adoção dos indicadores de adaptação para daqui a dois anos — ou seja, após a COP30. O documento negociado, obtido pela imprensa, mostra alternativas de redação que contemplam essa mudança de cronograma, além de destacar divergências quanto ao número de indicadores — que antes somavam cerca de 100 e, segundo técnicos, poderiam ser reduzidos.
Para o Brasil, que exerce a presidência da COP30, a conclusão desse pacote de adaptação é considerada prioridade absoluta. No entanto, com o impasse, cresce a preocupação de que o processo se prolongue e que o comprometimento com os prazos comprometa a credibilidade do multilateralismo e a eficácia da adaptação climática global.
A área de adaptação — que engloba investimentos em infraestrutura resiliente, agricultura adaptada ao clima e proteção de comunidades vulneráveis — também sofre por um significativo déficit de financiamento, estimado em até US$ 339 bilhões até 2030.
Diante desse cenário, o ambiente de negociações se mostra mais complexo e exige que a diplomacia brasileira, junto às partes envolvidas, mantenha articulação firme para evitar que a meta da adaptação fique adiada para além do evento, com reflexos na ambição e no impacto das decisões tomadas em Belém.
Por Redação da Gazeta





































