
A 60ª edição da São Paulo Fashion Week será lembrada por muitos motivos, mas poucos tão intensos quanto o desfile da Dendezeiro, que apresentou o último capítulo da trilogia “Brasiliano” com a coleção “Lei da Vadiagem” — um manifesto em forma de moda que transformou a passarela do Parque Ibirapuera em um palco de resistência, identidade e celebração.
Em um cenário vibrante, embalado por DJs ao vivo, nomes de peso como Mc Cabelinho, Mc Carol, Urias e Jorge Conjota cruzaram a passarela, imprimindo energia, autenticidade e potência. O desfile não foi apenas uma apresentação estética, mas um movimento. A Dendezeiro fez da moda um instrumento de memória, crítica e libertação.

Inspirada nas estéticas dos Bailes Black dos anos 70 e 80, a coleção trouxe o funk para o centro da cena, reivindicando seu espaço como expressão legítima da cultura brasileira. Streetwear e alfaiataria se misturam em harmonia, revelando uma moda pulsante, viva e conectada ao corpo — moda que dança, que vibra, que fala sobre existir.
“Encerrar a trilogia com ‘Lei da Vadiagem’ é sobre devolver dignidade aos corpos que foram marginalizados. A gente transforma a passarela em baile porque celebrar também é um ato político. A moda tem o poder de transformar o que era visto como erro em orgulho”, afirmou Hisan Silva, CEO e Diretor Criativo da marca.
Ao lado dele, Pedro Batalha, também CEO e Diretor Criativo, definiu a coleção como “um ponto de virada”. Segundo ele, “a trajetória da Dendezeiro nos ensinou que o futuro da moda brasileira nasce da ousadia de olhar para o próprio território. Nossa contribuição é mostrar que o Brasil é direção.”
A coleção também destacou o valor do artesanato. Em parceria com o Ateliê Masanga, presente desde as primeiras edições do projeto, a marca apresentou bolsas de miçangas e modelos feitos à mão, reafirmando o fazer manual como gesto político e cultural.
Entre os grandes momentos da noite, o desfile contou com o apoio de Jordan, Magnum e Kenner, marcas que acreditam na potência das narrativas brasileiras. A Jordan escolheu a passarela da Dendezeiro para lançar um tênis inédito, em sua primeira aparição mundial — um marco para o evento.
A Kenner, parceira de longa data, desfilou pela terceira temporada consecutiva com a marca baiana, apresentando edições exclusivas da Raytek e da Megah Puffer, personalizadas com o lettering “Brasil do Brasil”. “Entendemos que a moda é um palco para revelar autenticidade e pertencimento”, comentou Laura Leal, CMO da Kenner.
O pós-desfile também foi um acontecimento à parte. O Baile Essencial, after oficial da apresentação, levou o espírito da passarela às ruas de São Paulo, transformando o manifesto em celebração. O evento contou com apresentações de Tasha & Tracie, entre outros nomes da cena nacional, e reafirmou o conceito da Dendezeiro: moda é corpo, movimento e resistência.
Com “Lei da Vadiagem”, a Dendezeiro encerra sua trilogia com força e emoção. Depois de homenagear o sertão nordestino em “Filhos do Sol” e a resistência amazônica em “A Puxada pro Norte”, a marca volta-se agora ao Sudeste, às periferias e aos bailes — transformando o que antes foi criminalizado em símbolo de liberdade e orgulho.
A Dendezeiro encerra não apenas um ciclo criativo, mas inaugura um novo capítulo na moda brasileira: aquele em que o orgulho de ser quem se é, de onde se vem, e o direito de existir com voz, ritmo e cor, são as maiores tendências da temporada.
A Dendezeiro é mais do que uma marca — é um movimento. E o Brasil, definitivamente, é sua direção.
Por: Redação da Gazeta





































