
O nome Amir Slama carrega a elegância de quem transformou o beachwear em sinônimo de alta moda brasileira. Em 2025, o estilista retorna às passarelas do São Paulo Fashion Week — na histórica edição que celebra os 30 anos do evento — para marcar seus 35 anos de trajetória com um desfile que transcende a estética e abraça uma causa maior: o lançamento do movimento global Fashion for Forests, em defesa da Amazônia e da voz indígena.
A história de Slama se entrelaça à do próprio SPFW — ele esteve presente na primeira edição da semana de moda, ainda com a icônica marca Rosa Chá. Agora, revisita essa jornada com um olhar contemporâneo, ressignificando criações marcantes de coleções passadas e transformando memória em reinvenção. A nova coleção nasce das expedições que o estilista fez à Amazônia, de onde extraiu cores, texturas e inspirações que traduzem o Brasil em sua forma mais viva. A natureza exuberante, as paisagens, a fauna e a força simbólica da floresta tornaram-se sua paleta emocional. “Essas viagens me preencheram de uma maneira que só quem vive sente. Tudo isso reflete-se nas minhas criações de forma genuína”, revela Slama.
A estética desta coleção é uma celebração das cores primárias e dos tons terrosos, mesclando marrom, verde, azul e nuances da pele humana em sua diversidade — com propostas que transitam entre o masculino e o feminino. A brasilidade pulsante se encontra com a elegância do corte e da leveza, em um diálogo entre o moderno e o ancestral. Entre as referências que permeiam o desfile está o artista Glauco Rodrigues, conhecido por retratar o Brasil com olhar pop e crítico, um equilíbrio entre o protesto e o encanto tropical. É dessa fusão de arte, história e natureza que nasce a nova assinatura de Slama: uma moda que não veste apenas o corpo, mas a consciência.
Mais do que uma celebração de carreira, o desfile será um manifesto. Fashion for Forests nasce como um movimento global que une moda e sustentabilidade em uma só linguagem: a da preservação. Criado por Amir Slama, a empresária Catarina Bellino e a ativista Txai Suruí, o projeto visa amplificar vozes indígenas e destinar recursos ao reflorestamento da Amazônia. Durante o desfile, será lançada a primeira tree-shirt — camiseta assinada pela artista Claudia Liz, que desenhou as árvores como pulmões do planeta. Para cada unidade vendida, uma árvore será plantada no território Paiter Suruí, em Rondônia, através do programa Pamine Reforestation, que já soma mais de 1 milhão de árvores plantadas. A peça será vendida mundialmente pela Farfetch, reafirmando o compromisso da moda brasileira com o impacto positivo e com a força simbólica da floresta como berço da vida.
Amir Slama não apenas comemora 35 anos de carreira — ele reafirma o papel da moda como ferramenta de transformação cultural e ambiental. Em tempos em que o luxo ganha novas definições, o estilista mostra que elegância é também consciência.
Por Suzi Freitas, Editora-Chefe






































