Setembro é o mês dedicado à conscientização sobre a distonia, um distúrbio neurológico do movimento ainda pouco conhecido pela população, mas capaz de provocar impactos significativos na vida de quem convive com a doença.
A campanha Setembro Azul e Dourado busca ampliar o conhecimento sobre a condição, combater o preconceito e ressaltar a importância do diagnóstico precoce.
A distonia é caracterizada por contrações musculares involuntárias, sustentadas ou intermitentes, que forçam o corpo a realizar movimentos repetitivos, provocando torções e posturas anormais que frequentemente causam dor e limitação física.
A condição ocorre por uma falha de comunicação nos núcleos da base, região do cérebro responsável por enviar os comandos de relaxamento e contração aos músculos, podendo atingir qualquer região do corpo.
Não existe uma única causa para a distonia. A distonia pode existir como uma doença neurológica independente (distonia primária), como pode estar relacionada a traumatismos, acidente vascular cerebral, uso de alguns medicamentos ou outras condições que afetam o sistema nervoso, como a doença de Parkinson (distonia secundária).
A distonia pode ser classificada de acordo com a região afetada, a idade de início e sua causa. Pode ser focal, quando acomete uma única região do corpo; segmentar, quando envolve regiões próximas umas das outras; multifocal, quando compromete áreas distintas do corpo; hemi-distonia, quando afeta um lado do corpo; ou generalizada, quando envolve várias partes do corpo.
A idade de início é bastante variável. Algumas formas aparecem ainda na infância ou adolescência, enquanto outras são mais frequentes na vida adulta.
No Brasil, a estimativa é de que 65 mil pessoas tenham a doença. As mulheres são mais afetadas, especialmente em algumas formas focais, como a distonia cervical e determinadas distonias craniocervicais. Entretanto, homens também podem desenvolver a doença, e a distribuição entre os sexos varia conforme o subtipo.
Os sintomas dependem da região acometida. Contrações musculares involuntárias, torções, posturas anormais, tremor, rigidez localizada, fadiga e dor estão entre as manifestações mais comuns. A dor também pode ser uma manifestação importante. Contrações musculares prolongadas podem provocar sobrecarga e sofrimento muscular, especialmente na distonia cervical e em outras formas que envolvem grandes grupos musculares.
O diagnóstico é essencialmente clínico. Exames de imagem, laboratoriais ou genéticos podem ser solicitados quando há necessidade de investigar a causa ou descartar outras doenças. Embora ainda não tenha cura, existem tratamentos capazes de reduzir significativamente os sintomas. Entre as principais, está a toxina botulínica. A fisioterapia, a terapia ocupacional e fonoaudiologia podem complementar o tratamento, de acordo com as necessidades de cada paciente.
A estimulação cerebral profunda (DBS) é uma opção para casos mais graves e incapacitantes. O procedimento utiliza eletrodos implantados em regiões específicas do cérebro para modular circuitos responsáveis pelo controle dos movimentos.
A distonia pode interferir na mobilidade, no trabalho, na comunicação e na vida social. Reconhecer seus sinais é o primeiro passo para reduzir o tempo até o diagnóstico,possibilitar o acesso ao tratamento e resgate da qualidade de vida.
Sobre a Dr. Kleber Duarte, Neurocirurgião: Dr. Kleber Duarte é médico neurocirurgião com quase 30 anos de experiência na área de neurocirurgia funcional e dor. Atualmente é coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Tem amplo conhecimento e alta qualificação em técnicas cirúrgicas e de estereotaxia para tratamento de doenças que comprometem o sistema motor e em dores crônicas.
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Por: Redação do Jornal Gazeta Nacional






































