Em um movimento que chamou a atenção do mercado financeiro e dos órgãos de controle, a Rioprevidência realizou o resgate de R$ 560 milhões de um fundo administrado pela corretora do Banco Master pouco antes da liquidação extrajudicial da instituição. A operação ocorreu no fundo conhecido como Arena e permitiu à autarquia garantir o pagamento da folha de novembro e da segunda parcela do 13.º salário dos aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro.
O Banco Master, alvo de investigação da Polícia Federal por fraudes bilionárias e emissão de títulos irregulares, teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em meio à suspeita de movimentações que chegam a R$ 12 bilhões. A Rioprevidência havia adquirido Letras Financeiras emitidas pelo banco entre 2023 e 2024, com vencimentos projetados para a próxima década. Embora a autarquia informe que o total investido seja de aproximadamente R$ 960 milhões, levantamentos apontaram que as aplicações, considerando também fundos administrados pelo Master, podem superar esse valor.
O resgate antecipado surge como uma tentativa de blindar os pagamentos dos segurados diante da instabilidade da instituição emissora dos títulos. A autarquia também avalia a substituição das Letras Financeiras por precatórios federais, considerados mais seguros, já que esses papéis não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Mesmo com o alívio imediato representado pelo resgate, o episódio levanta questionamentos sobre governança, transparência e critérios de risco adotados na gestão de recursos previdenciários. Órgãos de fiscalização já pedem esclarecimentos detalhados sobre os investimentos e sobre possíveis irregularidades na tomada de decisão que levou à concentração de recursos em uma instituição que, posteriormente, viria a enfrentar intervenção.
O caso coloca novamente a gestão do Rioprevidência sob os holofotes, reforçando a necessidade de acompanhamento rigoroso, investigação técnica e comunicação clara com os servidores que dependem desse sistema para garantir sua segurança financeira.
Por: Redação da Gazeta





































