LCuidar de um filho, familiar ou pessoa que necessita de atenção permanente pode envolver amor e dedicação, mas também uma carga emocional que nem sempre é percebida por quem está ao redor. Jornadas extensas, falta de tempo para si mesma, responsabilidades constantes e dificuldades para buscar ajuda profissional fazem parte da realidade de muitas mulheres brasileiras.
Esse cenário levou o Sistema Único de Saúde a ampliar uma iniciativa voltada justamente à saúde mental dessas mulheres. Desde 24 de agosto, o SUS passou a disponibilizar em todo o país até 100 mil teleatendimentos mensais destinados a mulheres em situação de violência e também a mães, avós, tias, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
O atendimento acontece de forma remota por meio do serviço Acolhe Mais, disponível no aplicativo Meu SUS Digital. A proposta busca reduzir uma das principais dificuldades enfrentadas pelas cuidadoras: encontrar tempo e condições para sair de casa e procurar acompanhamento psicológico presencial.
As consultas são realizadas por psicólogas capacitadas para oferecer acolhimento, identificar possíveis situações de risco e avaliar a necessidade de continuidade do tratamento dentro da própria rede pública de saúde. Dependendo de cada caso, a paciente poderá posteriormente ser encaminhada para um Centro de Atenção Psicossocial ou outro serviço especializado.
A ampliação também coloca em evidência uma discussão importante sobre saúde mental. Durante muito tempo, o cuidado esteve concentrado quase exclusivamente na pessoa que necessita de assistência, enquanto o desgaste físico e emocional de quem assume diariamente essa responsabilidade permaneceu menos visível.
Reconhecer que a cuidadora também pode precisar de acompanhamento psicológico representa uma mudança importante nessa perspectiva. Afinal, cuidar da saúde mental de quem sustenta diariamente uma rotina de atenção ao outro também significa fortalecer toda a estrutura de cuidado ao redor de uma família.
Por: Redação do Jornal Gazeta Nacional






































