Existe uma preocupação silenciosa que cresce à medida que a população envelhece: as quedas. Muitas vezes encaradas como acidentes inevitáveis da idade, elas representam uma das maiores ameaças à saúde, à independência e à qualidade de vida dos idosos.
No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, o alerta ganha ainda mais relevância. Mais do que uma data de conscientização, a campanha reforça a necessidade de transformar ambientes e adotar hábitos que possam proteger vidas e preservar a autonomia daqueles que construíram histórias, famílias e legados.
O que muitos desconhecem é que o maior risco não está nas ruas ou em grandes desafios do cotidiano. O perigo, frequentemente, encontra-se dentro de casa. Ambientes familiares podem esconder armadilhas capazes de provocar acidentes graves: tapetes soltos, corredores mal iluminados, pisos escorregadios, móveis baixos e calçados inadequados figuram entre os principais responsáveis pelas quedas.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as quedas estão entre as principais causas de lesões graves e mortes acidentais em todo o mundo. Entre os idosos, as consequências vão muito além do impacto físico. Fraturas, longos períodos de internação, perda da mobilidade e até o comprometimento da independência podem transformar completamente a rotina de uma pessoa.

Para o neurocirurgião Dr. Kleber Duarte, especialista com quase três décadas de atuação na área, a prevenção deve ser encarada como um cuidado essencial com a longevidade.
Segundo ele, a maioria dos acidentes pode ser evitada por meio de adaptações simples e acessíveis. Instalar barras de apoio em banheiros, melhorar a iluminação noturna, utilizar pisos antiderrapantes, remover obstáculos dos caminhos de circulação e garantir corrimãos em escadas são medidas capazes de reduzir significativamente os riscos.
A atenção também deve se voltar aos hábitos diários. O uso de calçados fechados e antiderrapantes, por exemplo, oferece muito mais segurança do que chinelos ou sandálias abertas. Da mesma forma, a prática regular de atividades físicas voltadas ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio contribui diretamente para a prevenção de quedas, além de favorecer a autonomia e a confiança do idoso.
Outro ponto fundamental é o acompanhamento médico periódico. Avaliações regulares permitem identificar fatores de risco, revisar medicamentos e orientar estratégias personalizadas para um envelhecimento mais saudável.
Mais do que evitar um acidente, prevenir quedas significa preservar histórias, independência e qualidade de vida. É garantir que o envelhecimento seja vivido com dignidade, segurança e liberdade.
Afinal, cuidar de cada passo hoje é construir um futuro onde a idade avance, mas a autonomia permaneça firme. Porque envelhecer com segurança não é apenas uma meta de saúde pública — é um direito que deve ser protegido por toda a sociedade.
Sobre o especialista
O neurocirurgião Dr. Kleber Duarte possui quase 30 anos de experiência em neurocirurgia funcional e tratamento da dor. Atualmente, coordena os serviços de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, sendo referência em técnicas avançadas voltadas ao tratamento de doenças que afetam o sistema motor e dores crônicas.
Instagram: @drkleberduarte
@maluabibconteudos
Por: Redação da Gazeta






































