O COMPLAN 2025, realizado no Tauá Resort Atibaia, viveu mais um dia de debates intensos, trazendo ao palco especialistas que unem experiência, inovação e a coragem de propor novos caminhos para o urbanismo brasileiro. O encontro, promovido pela ADIT Brasil, reafirmou sua vocação como espaço de troca entre diferentes olhares e como bússola para um setor em constante transformação.
A manhã começou com um tema sensível e indispensável: “Contrapartidas públicas e concessionárias: quais os limites?”. Conduzido por Caio Portugal (AELO) e Sérgio Villas Bôas (ADIT Brasil/Vitae Urbanismo), o painel lançou luz sobre os desafios das parcerias entre poder público e iniciativa privada, chamando atenção para a necessidade de transparência, equilíbrio e responsabilidade social nos acordos que moldam nossas cidades.
Na sequência, o talk de mercado de Guilherme Werner (Brain Inteligência Estratégica) trouxe uma análise precisa sobre o cenário econômico e imobiliário. Sua leitura, ancorada em dados inéditos, ofereceu um panorama realista das oportunidades e dos ajustes que o setor precisa considerar diante das mudanças no poder de compra e nas condições de crédito.
Outro ponto alto foi a apresentação sobre uso misto em vazios urbanos, que trouxe à tona dois projetos emblemáticos: Cidade das Águas (SC), representada por Danilo Conti, e Cidade Aruna (PR), com Raphael Ferreira, sob a mediação de Paulo Gonçalves (UNYT). Casos que evidenciam como o planejamento inteligente pode reinventar territórios e criar polos de vida pulsante, alinhados a um urbanismo contemporâneo e inclusivo.
No período da tarde, os auditórios se dividiram em dois grandes temas. O branding imobiliário, conduzido por especialistas como Gabriel Gollnick (Where Group) e Camila Jardim (BairrU), mostrou o poder da construção de marca na valorização de empreendimentos. Paralelamente, o painel de inteligência artificial, com Caio Esteves (N/Lugares Futuros) e José Thomaz Pereira (Lastro Urbanismo), revelou como tecnologia e dados estão remodelando estratégias de vendas e gestão de ativos.
Mas foi a arquiteta Milena Bingre (DPZ CoDesign) quem encerrou o dia com uma fala que ficará gravada na memória dos presentes. Em sua palestra sobre “Urbanismo sem barreiras”, ela defendeu a criação de ambientes abertos, humanos e seguros, que privilegiem a convivência e a inclusão. Sua abordagem, delicada e firme, provocou reflexões profundas sobre o papel de arquitetos, urbanistas e investidores na construção de cidades verdadeiramente para pessoas.
Entre cafés, networking e o já tradicional happy hour do Bar 86, o dia reafirmou a força do COMPLAN como um encontro onde ideias ganham corpo, tendências se consolidam e parcerias nascem. Cada palestra, cada palavra compartilhada pelos especialistas, reforçou que o futuro das cidades não se constrói apenas com concreto, mas sobretudo com visão, propósito e sensibilidade.
Por: Suzi Freitas, Editora-Chefe





































