A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master ganhou um novo capítulo ao revelar detalhes de uma estrutura que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para produzir documentos falsos em larga escala. O esquema envolveria desde arquivos elaborados no Word até manipulação de PDFs, extração de dados de clientes e criação de códigos específicos para organizar assinaturas e informações.
Entre os materiais analisados pela PF estão Cédulas de Crédito Bancário, procurações, termos de consentimento e comprovantes bancários. De acordo com a investigação, parte desses documentos teria sido produzida posteriormente para conferir aparência de regularidade a operações já realizadas.
Uma das mensagens identificadas pelos investigadores chama atenção pela objetividade. Em uma conversa interna, um funcionário teria solicitado a retirada da data de determinado documento. A análise policial encontrou casos em que a data registrada no arquivo não coincidia com o momento em que a assinatura eletrônica efetivamente teria sido realizada, levantando a suspeita de que documentos foram reconstruídos ou adaptados posteriormente.
A apuração também aponta para uma divisão de tarefas entre diferentes áreas da instituição. Funcionários do setor operacional teriam atuado na preparação e organização de documentos, enquanto profissionais de tecnologia teriam extraído dados de sistemas internos e desenvolvido rotinas capazes de separar páginas de assinaturas e processar grande quantidade de arquivos digitais.
Em um dos episódios examinados, milhares de procurações teriam sido produzidas em massa. A investigação também encontrou arquivos contendo páginas isoladas de assinaturas, além de discussões internas sobre formas de alterar documentos e comprovantes bancários em grande escala.
Para a Polícia Federal, esse conjunto de elementos reforça a suspeita de que não se tratava de alterações pontuais, mas de um processo organizado destinado a produzir documentação capaz de sustentar operações financeiras questionadas pelos investigadores.
O caso faz parte das apurações envolvendo o Banco Master e suas relações com carteiras de crédito posteriormente negociadas com outras instituições. A investigação segue em andamento e ainda deverá esclarecer a responsabilidade individual dos envolvidos e a dimensão financeira das operações analisadas.
O episódio expõe um dos pontos mais sensíveis do sistema financeiro: a confiança na autenticidade dos documentos que sustentam operações bilionárias. Quando essa confiança é colocada em dúvida, a investigação deixa de tratar apenas de papéis e arquivos digitais e passa a questionar toda a estrutura construída por trás deles.
Por: Redação do Jornal Gazeta Nacional





































