• Contato
  • Política de privacidade
Jornal Gazeta Nacional
  • Início
  • Noticias
    Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

    Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

    Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

    Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

    Apple prepara nova geração do iPhone 18 Pro para um dos lançamentos mais aguardados do ano

    Apple prepara nova geração do iPhone 18 Pro para um dos lançamentos mais aguardados do ano

    Volkswagen ID.4 inaugura nova fase elétrica da marca no Brasil com 286 cv e tecnologia de alto nível

    Volkswagen ID.4 inaugura nova fase elétrica da marca no Brasil com 286 cv e tecnologia de alto nível

  • Saúde
    Nova indústria de gases medicinais será instalada no Amazonas com investimento de R$ 150 milhões

    Nova indústria de gases medicinais será instalada no Amazonas com investimento de R$ 150 milhões

    Setembro Azul e Dourado traz Conscientização sobre a Distonia

    Setembro Azul e Dourado traz Conscientização sobre a Distonia

    Tirzepatida pode ser aliada no controle de fatores associados ao lipedema, mas não substitui tratamento da doença

    Tirzepatida pode ser aliada no controle de fatores associados ao lipedema, mas não substitui tratamento da doença

    Quem cuida também precisa de cuidado: SUS amplia atenção à saúde mental de mulheres cuidadoras

    Quem cuida também precisa de cuidado: SUS amplia atenção à saúde mental de mulheres cuidadoras

  • Política
    Crise no STF aumenta tensão entre instituições e entra no centro da disputa política de 2026

    Crise no STF aumenta tensão entre instituições e entra no centro da disputa política de 2026

    Toffoli adia julgamento do registro de candidatura de Renan Santos após apontar “indícios de ilicitudes”

    Toffoli adia julgamento do registro de candidatura de Renan Santos após apontar “indícios de ilicitudes”

    Trump diz ter fechado “maior acordo petrolífero da história” com a Venezuela, envolvendo 65 bilhões de barris

    Trump diz ter fechado “maior acordo petrolífero da história” com a Venezuela, envolvendo 65 bilhões de barris

    Brasil e Estados Unidos retomam diálogo sobre tarifas em reunião marcada para segunda-feira

    Brasil e Estados Unidos retomam diálogo sobre tarifas em reunião marcada para segunda-feira

  • Moda
    Rascunho automático

    SER E ESTAR

    Bumi Love celebra lançamento em São Paulo com Rafaella Justus como embaixadora

    Bumi Love celebra lançamento em São Paulo com Rafaella Justus como embaixadora

    A juventude por trás de uma nova era do marketing médico no Brasil

    A juventude por trás de uma nova era do marketing médico no Brasil

    A beleza de uma nova geração: Rafaella Justus protagoniza estreia da Bumi Love no mercado brasileiro

    A beleza de uma nova geração: Rafaella Justus protagoniza estreia da Bumi Love no mercado brasileiro

  • Experiências & Hospedagem
    IMG 6099

    VINCI GASTRONOMIA: A ARTE DE TRANSFORMAR EVENTOS EM EXPERIÊNCIAS INESQUECÍVEIS

    Trump Sinaliza Possibilidade de Novo Acordo Comercial com a China

    Trump Sinaliza Possibilidade de Novo Acordo Comercial com a China

  • Gastronomia
    Casa Da Li e o novo ritual da tarde

    Casa Da Li e o novo ritual da tarde

    Nino Cucina apresenta três novas criações de Marco Renzetti em São Paulo

    Nino Cucina apresenta três novas criações de Marco Renzetti em São Paulo

    b4db6969 e028 42d8 9aa1 38b4461a0ec6

    K Food chega ao Guarujá e transforma a simplicidade da marmitinha em uma viagem pelos sabores da Ásia

    e4ed197f d540 4629 8a3c 27ab05dd2afc

    AP42 amplia experiência gastronômica na Vila Andrade e se torna opção para diferentes momentos do dia

Sem resultados
Exibir todos os resultados
Jornal Gazeta Nacional
  • Início
  • Noticias
    Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

    Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

    Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

    Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

    Apple prepara nova geração do iPhone 18 Pro para um dos lançamentos mais aguardados do ano

    Apple prepara nova geração do iPhone 18 Pro para um dos lançamentos mais aguardados do ano

    Volkswagen ID.4 inaugura nova fase elétrica da marca no Brasil com 286 cv e tecnologia de alto nível

    Volkswagen ID.4 inaugura nova fase elétrica da marca no Brasil com 286 cv e tecnologia de alto nível

  • Saúde
    Nova indústria de gases medicinais será instalada no Amazonas com investimento de R$ 150 milhões

    Nova indústria de gases medicinais será instalada no Amazonas com investimento de R$ 150 milhões

    Setembro Azul e Dourado traz Conscientização sobre a Distonia

    Setembro Azul e Dourado traz Conscientização sobre a Distonia

    Tirzepatida pode ser aliada no controle de fatores associados ao lipedema, mas não substitui tratamento da doença

    Tirzepatida pode ser aliada no controle de fatores associados ao lipedema, mas não substitui tratamento da doença

    Quem cuida também precisa de cuidado: SUS amplia atenção à saúde mental de mulheres cuidadoras

    Quem cuida também precisa de cuidado: SUS amplia atenção à saúde mental de mulheres cuidadoras

  • Política
    Crise no STF aumenta tensão entre instituições e entra no centro da disputa política de 2026

    Crise no STF aumenta tensão entre instituições e entra no centro da disputa política de 2026

    Toffoli adia julgamento do registro de candidatura de Renan Santos após apontar “indícios de ilicitudes”

    Toffoli adia julgamento do registro de candidatura de Renan Santos após apontar “indícios de ilicitudes”

    Trump diz ter fechado “maior acordo petrolífero da história” com a Venezuela, envolvendo 65 bilhões de barris

    Trump diz ter fechado “maior acordo petrolífero da história” com a Venezuela, envolvendo 65 bilhões de barris

    Brasil e Estados Unidos retomam diálogo sobre tarifas em reunião marcada para segunda-feira

    Brasil e Estados Unidos retomam diálogo sobre tarifas em reunião marcada para segunda-feira

  • Moda
    Rascunho automático

    SER E ESTAR

    Bumi Love celebra lançamento em São Paulo com Rafaella Justus como embaixadora

    Bumi Love celebra lançamento em São Paulo com Rafaella Justus como embaixadora

    A juventude por trás de uma nova era do marketing médico no Brasil

    A juventude por trás de uma nova era do marketing médico no Brasil

    A beleza de uma nova geração: Rafaella Justus protagoniza estreia da Bumi Love no mercado brasileiro

    A beleza de uma nova geração: Rafaella Justus protagoniza estreia da Bumi Love no mercado brasileiro

  • Experiências & Hospedagem
    IMG 6099

    VINCI GASTRONOMIA: A ARTE DE TRANSFORMAR EVENTOS EM EXPERIÊNCIAS INESQUECÍVEIS

    Trump Sinaliza Possibilidade de Novo Acordo Comercial com a China

    Trump Sinaliza Possibilidade de Novo Acordo Comercial com a China

  • Gastronomia
    Casa Da Li e o novo ritual da tarde

    Casa Da Li e o novo ritual da tarde

    Nino Cucina apresenta três novas criações de Marco Renzetti em São Paulo

    Nino Cucina apresenta três novas criações de Marco Renzetti em São Paulo

    b4db6969 e028 42d8 9aa1 38b4461a0ec6

    K Food chega ao Guarujá e transforma a simplicidade da marmitinha em uma viagem pelos sabores da Ásia

    e4ed197f d540 4629 8a3c 27ab05dd2afc

    AP42 amplia experiência gastronômica na Vila Andrade e se torna opção para diferentes momentos do dia

Sem resultados
Exibir todos os resultados
Jornal Gazeta Nacional
Sem resultados
Exibir todos os resultados
Home Noticias

Pelé alimentou sonho de Brasil potência e projetou negros no mundo, diz autor

JORNAL GAZETA NACIONAL por JORNAL GAZETA NACIONAL
30/12/2022
em Noticias
0
Pelé alimentou sonho de Brasil potência e projetou negros no mundo, diz autor
Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no whatsApp

Quando Pelé brilhou na conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o Brasil vivia uma lua de mel consigo mesmo, diz à BBC News Brasil o jornalista Marcos Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, diz o jornalista Marcos Guterman

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, diz o jornalista Marcos Guterman© Getty Images

Autor do livro O futebol explica o Brasil, Guterman conta que o país vivia grande efervescência cultural: a bossa nova, um ritmo brasileiro, conquistava ouvidos mundo afora, e a construção de Brasília projetava ao mundo uma nação que queria deixar de ser marginal.

No futebol, o otimismo com o futuro do Brasil era ainda mais antigo: remontava à Copa de 1938, na França, quando a seleção terminou em terceiro lugar, até então seu melhor desempenho no torneio.

“Em 38, o Brasil surpreendeu o mundo e talvez a si mesmo, e surgiu daquela Copa como o país do futebol, abraçou o futebol definitivamente como seu esporte nacional, carregando as esperanças do Brasil de deixar a periferia do mundo para ir ao centro, com seu potencial de crescimento e tudo mais”, diz Guterman.

Black Berkey Primer
Publicidade

BerkeyHome

th?id=OP.%2fDSQZjs3Q9Aq9A474C474&o=5&pid=21

Ele afirma que o Brasil pretendia sediar a Copa seguinte, de 1942, mas os planos só foram concretizados em 1950, já que duas edições do torneio foram canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“O Brasil fez o Maracanã em tempo recorde e tinha uma ideia de país que poderia deixar de ser marginal, deixar de ser eternamente colônia para se tornar protagonista, e o futebol foi o veículo dessa afirmação nacional”, afirma Guterman.

Com a classificação do Brasil para a final do torneio, a profecia parecia perto de se realizar. Mas a vitória não veio: num dos eventos mais traumáticos da história do esporte brasileiro, a seleção perdeu o último jogo do campeonato para o Uruguai, por 2 a 1.

A derrota ganhou até apelido, Maracanaço, em referência ao estádio que recebeu a partida.

O resultado golpeou o ufanismo nacional, diz Guterman. Mas mais do que isso: a derrota gerou reações racistas entre a população.

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto© Getty Images

Em O Negro no Futebol Brasileiro, clássico da literatura esportiva nacional, lançado em 1964, o jornalista Mário Filho diz que Barbosa, Juvenal e Bigode – três atletas negros – levaram injustamente a culpa pela derrota do Brasil na final.

“Os negros padeceram muito nesse período de caça às bruxas. Alguns diziam que havia negros demais na seleção, o que condenava o time ao fracasso”, diz Guterman.

Quatro anos depois, poucos negros foram convocados para a seleção que jogou a Copa de 1954. Visualmente, aquele time lembrava as primeiras equipes brasileiras a disputar torneios de futebol, nos anos 1910 e 1920, quando vários jogadores eram filhos de imigrantes europeus.

Até que um jovem de 17 anos chamado Pelé foi convocado para a seleção que disputaria a Copa de 1958, na Suécia.

“Pelé tinha acabado de começar no Santos e foi grande protagonista na Copa, fazendo um gol espetacular na decisão e sendo coroado como rei do futebol – primeiro pelo (escritor) Nelson Rodrigues e, depois, pelo mundo”, diz Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, conta o jornalista.

Para Guterman, Pelé representa “uma espécie de redenção dos negros na seleção brasileira” – mas também uma redenção dos negros brasileiros em geral.

O jornalista lembra que, além de ter sido o primeiro a conceder o título de “rei” a Pelé, Nelson Rodrigues exaltou a identidade negra do atleta.

“Nelson Rodrigues africaniza o Pelé, não trata o Pelé como um cara qualquer, ele é um negro africano com toda sua majestade, como se fosse um príncipe africano”, diz.

Não que Pelé tenha sido o primeiro negro a se destacar no futebol brasileiro – antes dele houve craques como Leônidas da Silva e Friedenreich, por exemplo.

“Mas nenhum teve a dimensão do Pelé, ele claramente projeta a raça”, diz Guterman.

Para o jornalista, Pelé parecia evitar a associação entre ser negro e ser bom de futebol

Para o jornalista, Pelé parecia evitar a associação entre ser negro e ser bom de futebol© AFP/Getty Images

Mas o sucesso de Pelé não foi capaz de pôr fim ao racismo no Brasil – além de, paradoxalmente, ter reforçado a noção de que o esporte é um dos poucos meios para a ascensão dos negros no Brasil, diz Guterman.

O próprio Pelé, segundo o jornalista, se incomodava com essa associação.

“Ele sempre foi muito cobrado por não ter abraçado a causa negra como, por exemplo, o (boxeador americano) Mohammed Ali, mas me parece que ele a evitou porque não queria reforçar a associação entre ser negro e ser bom de futebol. Ele era bom, ponto, e ser negro não fazia diferença”, diz.

Da mesma maneira, as três Copas que o Brasil ganhou quando Pelé era profissional (1958, 1962, 1970) não foram acompanhadas por uma ascensão do país ao rol das potências globais, diz Guterman.

“Naquela época realmente acreditávamos que dava pra desenvolver 50 anos em 5, como dizia Juscelino Kubitschek. Daí veio 1964”, diz o jornalista, referindo-se ao golpe militar que manteve o Brasil sob um regime ditatorial até 1985.

Quando Pelé brilhou na conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o Brasil vivia uma lua de mel consigo mesmo, diz à BBC News Brasil o jornalista Marcos Guterman.

Autor do livro O futebol explica o Brasil, Guterman conta que o país vivia grande efervescência cultural: a bossa nova, um ritmo brasileiro, conquistava ouvidos mundo afora, e a construção de Brasília projetava ao mundo uma nação que queria deixar de ser marginal.

No futebol, o otimismo com o futuro do Brasil era ainda mais antigo: remontava à Copa de 1938, na França, quando a seleção terminou em terceiro lugar, até então seu melhor desempenho no torneio.

“Em 38, o Brasil surpreendeu o mundo e talvez a si mesmo, e surgiu daquela Copa como o país do futebol, abraçou o futebol definitivamente como seu esporte nacional, carregando as esperanças do Brasil de deixar a periferia do mundo para ir ao centro, com seu potencial de crescimento e tudo mais”, diz Guterman.

Ele afirma que o Brasil pretendia sediar a Copa seguinte, de 1942, mas os planos só foram concretizados em 1950, já que duas edições do torneio foram canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“O Brasil fez o Maracanã em tempo recorde e tinha uma ideia de país que poderia deixar de ser marginal, deixar de ser eternamente colônia para se tornar protagonista, e o futebol foi o veículo dessa afirmação nacional”, afirma Guterman.

Com a classificação do Brasil para a final do torneio, a profecia parecia perto de se realizar. Mas a vitória não veio: num dos eventos mais traumáticos da história do esporte brasileiro, a seleção perdeu o último jogo do campeonato para o Uruguai, por 2 a 1.

A derrota ganhou até apelido, Maracanaço, em referência ao estádio que recebeu a partida.

O resultado golpeou o ufanismo nacional, diz Guterman. Mas mais do que isso: a derrota gerou reações racistas entre a população.

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto© Getty Images

Em O Negro no Futebol Brasileiro, clássico da literatura esportiva nacional, lançado em 1964, o jornalista Mário Filho diz que Barbosa, Juvenal e Bigode – três atletas negros – levaram injustamente a culpa pela derrota do Brasil na final.

“Os negros padeceram muito nesse período de caça às bruxas. Alguns diziam que havia negros demais na seleção, o que condenava o time ao fracasso”, diz Guterman.

Quatro anos depois, poucos negros foram convocados para a seleção que jogou a Copa de 1954. Visualmente, aquele time lembrava as primeiras equipes brasileiras a disputar torneios de futebol, nos anos 1910 e 1920, quando vários jogadores eram filhos de imigrantes europeus.

Até que um jovem de 17 anos chamado Pelé foi convocado para a seleção que disputaria a Copa de 1958, na Suécia.

“Pelé tinha acabado de começar no Santos e foi grande protagonista na Copa, fazendo um gol espetacular na decisão e sendo coroado como rei do futebol – primeiro pelo (escritor) Nelson Rodrigues e, depois, pelo mundo”, diz Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, conta o jornalista.

Para Guterman, Pelé representa “uma espécie de redenção dos negros na seleção brasileira” – mas também uma redenção dos negros brasileiros em geral.

O jornalista lembra que, além de ter sido o primeiro a conceder o título de “rei” a Pelé, Nelson Rodrigues exaltou a identidade negra do atleta.

“Nelson Rodrigues africaniza o Pelé, não trata o Pelé como um cara qualquer, ele é um negro africano com toda sua majestade, como se fosse um príncipe africano”, diz.

Não que Pelé tenha sido o primeiro negro a se destacar no futebol brasileiro – antes dele houve craques como Leônidas da Silva e Friedenreich, por exemplo.

“Mas nenhum teve a dimensão do Pelé, ele claramente projeta a raça”, diz Guterman.

Mas o sucesso de Pelé não foi capaz de pôr fim ao racismo no Brasil – além de, paradoxalmente, ter reforçado a noção de que o esporte é um dos poucos meios para a ascenção dos negros no Brasil, diz Guterman.

O próprio Pelé, segundo o jornalista, se incomodava com essa associação.

“Ele sempre foi muito cobrado por não ter abraçado a causa negra como, por exemplo, o (boxeador americano) Mohammed Ali, mas me parece que ele a evitou porque não queria reforçar a associação entre ser negro e ser bom de futebol. Ele era bom, ponto, e ser negro não fazia diferença”, diz.

Da mesma maneira, as três Copas que o Brasil ganhou quando Pelé era profissional (1958, 1962, 1970) não foram acompanhadas por uma ascensão do país ao rol das potências globais, diz Guterman.

“Naquela época realmente acreditávamos que dava pra desenvolver 50 anos em 5, como dizia Juscelino Kubitschek. Daí veio 1964”, diz o jornalista, referindo-se ao golpe militar que manteve o Brasil sob um regime ditatorial até 1985.

Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64122265

Quando Pelé brilhou na conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o Brasil vivia uma lua de mel consigo mesmo, diz à BBC News Brasil o jornalista Marcos Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, diz o jornalista Marcos Guterman

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, diz o jornalista Marcos Guterman© Getty Images

Autor do livro O futebol explica o Brasil, Guterman conta que o país vivia grande efervescência cultural: a bossa nova, um ritmo brasileiro, conquistava ouvidos mundo afora, e a construção de Brasília projetava ao mundo uma nação que queria deixar de ser marginal.

No futebol, o otimismo com o futuro do Brasil era ainda mais antigo: remontava à Copa de 1938, na França, quando a seleção terminou em terceiro lugar, até então seu melhor desempenho no torneio.

“Em 38, o Brasil surpreendeu o mundo e talvez a si mesmo, e surgiu daquela Copa como o país do futebol, abraçou o futebol definitivamente como seu esporte nacional, carregando as esperanças do Brasil de deixar a periferia do mundo para ir ao centro, com seu potencial de crescimento e tudo mais”, diz Guterman.

Black Berkey Primer
Publicidade

BerkeyHome

th?id=OP.%2fDSQZjs3Q9Aq9A474C474&o=5&pid=21

Ele afirma que o Brasil pretendia sediar a Copa seguinte, de 1942, mas os planos só foram concretizados em 1950, já que duas edições do torneio foram canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“O Brasil fez o Maracanã em tempo recorde e tinha uma ideia de país que poderia deixar de ser marginal, deixar de ser eternamente colônia para se tornar protagonista, e o futebol foi o veículo dessa afirmação nacional”, afirma Guterman.

Com a classificação do Brasil para a final do torneio, a profecia parecia perto de se realizar. Mas a vitória não veio: num dos eventos mais traumáticos da história do esporte brasileiro, a seleção perdeu o último jogo do campeonato para o Uruguai, por 2 a 1.

A derrota ganhou até apelido, Maracanaço, em referência ao estádio que recebeu a partida.

O resultado golpeou o ufanismo nacional, diz Guterman. Mas mais do que isso: a derrota gerou reações racistas entre a população.

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto© Getty Images

Em O Negro no Futebol Brasileiro, clássico da literatura esportiva nacional, lançado em 1964, o jornalista Mário Filho diz que Barbosa, Juvenal e Bigode – três atletas negros – levaram injustamente a culpa pela derrota do Brasil na final.

“Os negros padeceram muito nesse período de caça às bruxas. Alguns diziam que havia negros demais na seleção, o que condenava o time ao fracasso”, diz Guterman.

Quatro anos depois, poucos negros foram convocados para a seleção que jogou a Copa de 1954. Visualmente, aquele time lembrava as primeiras equipes brasileiras a disputar torneios de futebol, nos anos 1910 e 1920, quando vários jogadores eram filhos de imigrantes europeus.

Até que um jovem de 17 anos chamado Pelé foi convocado para a seleção que disputaria a Copa de 1958, na Suécia.

“Pelé tinha acabado de começar no Santos e foi grande protagonista na Copa, fazendo um gol espetacular na decisão e sendo coroado como rei do futebol – primeiro pelo (escritor) Nelson Rodrigues e, depois, pelo mundo”, diz Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, conta o jornalista.

Para Guterman, Pelé representa “uma espécie de redenção dos negros na seleção brasileira” – mas também uma redenção dos negros brasileiros em geral.

O jornalista lembra que, além de ter sido o primeiro a conceder o título de “rei” a Pelé, Nelson Rodrigues exaltou a identidade negra do atleta.

“Nelson Rodrigues africaniza o Pelé, não trata o Pelé como um cara qualquer, ele é um negro africano com toda sua majestade, como se fosse um príncipe africano”, diz.

Não que Pelé tenha sido o primeiro negro a se destacar no futebol brasileiro – antes dele houve craques como Leônidas da Silva e Friedenreich, por exemplo.

“Mas nenhum teve a dimensão do Pelé, ele claramente projeta a raça”, diz Guterman.

Para o jornalista, Pelé parecia evitar a associação entre ser negro e ser bom de futebol

Para o jornalista, Pelé parecia evitar a associação entre ser negro e ser bom de futebol© AFP/Getty Images

Mas o sucesso de Pelé não foi capaz de pôr fim ao racismo no Brasil – além de, paradoxalmente, ter reforçado a noção de que o esporte é um dos poucos meios para a ascensão dos negros no Brasil, diz Guterman.

O próprio Pelé, segundo o jornalista, se incomodava com essa associação.

“Ele sempre foi muito cobrado por não ter abraçado a causa negra como, por exemplo, o (boxeador americano) Mohammed Ali, mas me parece que ele a evitou porque não queria reforçar a associação entre ser negro e ser bom de futebol. Ele era bom, ponto, e ser negro não fazia diferença”, diz.

Da mesma maneira, as três Copas que o Brasil ganhou quando Pelé era profissional (1958, 1962, 1970) não foram acompanhadas por uma ascensão do país ao rol das potências globais, diz Guterman.

“Naquela época realmente acreditávamos que dava pra desenvolver 50 anos em 5, como dizia Juscelino Kubitschek. Daí veio 1964”, diz o jornalista, referindo-se ao golpe militar que manteve o Brasil sob um regime ditatorial até 1985.

Quando Pelé brilhou na conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o Brasil vivia uma lua de mel consigo mesmo, diz à BBC News Brasil o jornalista Marcos Guterman.

Autor do livro O futebol explica o Brasil, Guterman conta que o país vivia grande efervescência cultural: a bossa nova, um ritmo brasileiro, conquistava ouvidos mundo afora, e a construção de Brasília projetava ao mundo uma nação que queria deixar de ser marginal.

No futebol, o otimismo com o futuro do Brasil era ainda mais antigo: remontava à Copa de 1938, na França, quando a seleção terminou em terceiro lugar, até então seu melhor desempenho no torneio.

“Em 38, o Brasil surpreendeu o mundo e talvez a si mesmo, e surgiu daquela Copa como o país do futebol, abraçou o futebol definitivamente como seu esporte nacional, carregando as esperanças do Brasil de deixar a periferia do mundo para ir ao centro, com seu potencial de crescimento e tudo mais”, diz Guterman.

Ele afirma que o Brasil pretendia sediar a Copa seguinte, de 1942, mas os planos só foram concretizados em 1950, já que duas edições do torneio foram canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“O Brasil fez o Maracanã em tempo recorde e tinha uma ideia de país que poderia deixar de ser marginal, deixar de ser eternamente colônia para se tornar protagonista, e o futebol foi o veículo dessa afirmação nacional”, afirma Guterman.

Com a classificação do Brasil para a final do torneio, a profecia parecia perto de se realizar. Mas a vitória não veio: num dos eventos mais traumáticos da história do esporte brasileiro, a seleção perdeu o último jogo do campeonato para o Uruguai, por 2 a 1.

A derrota ganhou até apelido, Maracanaço, em referência ao estádio que recebeu a partida.

O resultado golpeou o ufanismo nacional, diz Guterman. Mas mais do que isso: a derrota gerou reações racistas entre a população.

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto© Getty Images

Em O Negro no Futebol Brasileiro, clássico da literatura esportiva nacional, lançado em 1964, o jornalista Mário Filho diz que Barbosa, Juvenal e Bigode – três atletas negros – levaram injustamente a culpa pela derrota do Brasil na final.

“Os negros padeceram muito nesse período de caça às bruxas. Alguns diziam que havia negros demais na seleção, o que condenava o time ao fracasso”, diz Guterman.

Quatro anos depois, poucos negros foram convocados para a seleção que jogou a Copa de 1954. Visualmente, aquele time lembrava as primeiras equipes brasileiras a disputar torneios de futebol, nos anos 1910 e 1920, quando vários jogadores eram filhos de imigrantes europeus.

Até que um jovem de 17 anos chamado Pelé foi convocado para a seleção que disputaria a Copa de 1958, na Suécia.

“Pelé tinha acabado de começar no Santos e foi grande protagonista na Copa, fazendo um gol espetacular na decisão e sendo coroado como rei do futebol – primeiro pelo (escritor) Nelson Rodrigues e, depois, pelo mundo”, diz Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, conta o jornalista.

Para Guterman, Pelé representa “uma espécie de redenção dos negros na seleção brasileira” – mas também uma redenção dos negros brasileiros em geral.

O jornalista lembra que, além de ter sido o primeiro a conceder o título de “rei” a Pelé, Nelson Rodrigues exaltou a identidade negra do atleta.

“Nelson Rodrigues africaniza o Pelé, não trata o Pelé como um cara qualquer, ele é um negro africano com toda sua majestade, como se fosse um príncipe africano”, diz.

Não que Pelé tenha sido o primeiro negro a se destacar no futebol brasileiro – antes dele houve craques como Leônidas da Silva e Friedenreich, por exemplo.

“Mas nenhum teve a dimensão do Pelé, ele claramente projeta a raça”, diz Guterman.

Mas o sucesso de Pelé não foi capaz de pôr fim ao racismo no Brasil – além de, paradoxalmente, ter reforçado a noção de que o esporte é um dos poucos meios para a ascenção dos negros no Brasil, diz Guterman.

O próprio Pelé, segundo o jornalista, se incomodava com essa associação.

“Ele sempre foi muito cobrado por não ter abraçado a causa negra como, por exemplo, o (boxeador americano) Mohammed Ali, mas me parece que ele a evitou porque não queria reforçar a associação entre ser negro e ser bom de futebol. Ele era bom, ponto, e ser negro não fazia diferença”, diz.

Da mesma maneira, as três Copas que o Brasil ganhou quando Pelé era profissional (1958, 1962, 1970) não foram acompanhadas por uma ascensão do país ao rol das potências globais, diz Guterman.

“Naquela época realmente acreditávamos que dava pra desenvolver 50 anos em 5, como dizia Juscelino Kubitschek. Daí veio 1964”, diz o jornalista, referindo-se ao golpe militar que manteve o Brasil sob um regime ditatorial até 1985.

Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64122265

Quando Pelé brilhou na conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o Brasil vivia uma lua de mel consigo mesmo, diz à BBC News Brasil o jornalista Marcos Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, diz o jornalista Marcos Guterman

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, diz o jornalista Marcos Guterman© Getty Images

Autor do livro O futebol explica o Brasil, Guterman conta que o país vivia grande efervescência cultural: a bossa nova, um ritmo brasileiro, conquistava ouvidos mundo afora, e a construção de Brasília projetava ao mundo uma nação que queria deixar de ser marginal.

No futebol, o otimismo com o futuro do Brasil era ainda mais antigo: remontava à Copa de 1938, na França, quando a seleção terminou em terceiro lugar, até então seu melhor desempenho no torneio.

“Em 38, o Brasil surpreendeu o mundo e talvez a si mesmo, e surgiu daquela Copa como o país do futebol, abraçou o futebol definitivamente como seu esporte nacional, carregando as esperanças do Brasil de deixar a periferia do mundo para ir ao centro, com seu potencial de crescimento e tudo mais”, diz Guterman.

Black Berkey Primer
Publicidade

BerkeyHome

th?id=OP.%2fDSQZjs3Q9Aq9A474C474&o=5&pid=21

Ele afirma que o Brasil pretendia sediar a Copa seguinte, de 1942, mas os planos só foram concretizados em 1950, já que duas edições do torneio foram canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“O Brasil fez o Maracanã em tempo recorde e tinha uma ideia de país que poderia deixar de ser marginal, deixar de ser eternamente colônia para se tornar protagonista, e o futebol foi o veículo dessa afirmação nacional”, afirma Guterman.

Com a classificação do Brasil para a final do torneio, a profecia parecia perto de se realizar. Mas a vitória não veio: num dos eventos mais traumáticos da história do esporte brasileiro, a seleção perdeu o último jogo do campeonato para o Uruguai, por 2 a 1.

A derrota ganhou até apelido, Maracanaço, em referência ao estádio que recebeu a partida.

O resultado golpeou o ufanismo nacional, diz Guterman. Mas mais do que isso: a derrota gerou reações racistas entre a população.

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto© Getty Images

Em O Negro no Futebol Brasileiro, clássico da literatura esportiva nacional, lançado em 1964, o jornalista Mário Filho diz que Barbosa, Juvenal e Bigode – três atletas negros – levaram injustamente a culpa pela derrota do Brasil na final.

“Os negros padeceram muito nesse período de caça às bruxas. Alguns diziam que havia negros demais na seleção, o que condenava o time ao fracasso”, diz Guterman.

Quatro anos depois, poucos negros foram convocados para a seleção que jogou a Copa de 1954. Visualmente, aquele time lembrava as primeiras equipes brasileiras a disputar torneios de futebol, nos anos 1910 e 1920, quando vários jogadores eram filhos de imigrantes europeus.

Até que um jovem de 17 anos chamado Pelé foi convocado para a seleção que disputaria a Copa de 1958, na Suécia.

“Pelé tinha acabado de começar no Santos e foi grande protagonista na Copa, fazendo um gol espetacular na decisão e sendo coroado como rei do futebol – primeiro pelo (escritor) Nelson Rodrigues e, depois, pelo mundo”, diz Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, conta o jornalista.

Para Guterman, Pelé representa “uma espécie de redenção dos negros na seleção brasileira” – mas também uma redenção dos negros brasileiros em geral.

O jornalista lembra que, além de ter sido o primeiro a conceder o título de “rei” a Pelé, Nelson Rodrigues exaltou a identidade negra do atleta.

“Nelson Rodrigues africaniza o Pelé, não trata o Pelé como um cara qualquer, ele é um negro africano com toda sua majestade, como se fosse um príncipe africano”, diz.

Não que Pelé tenha sido o primeiro negro a se destacar no futebol brasileiro – antes dele houve craques como Leônidas da Silva e Friedenreich, por exemplo.

“Mas nenhum teve a dimensão do Pelé, ele claramente projeta a raça”, diz Guterman.

Para o jornalista, Pelé parecia evitar a associação entre ser negro e ser bom de futebol

Para o jornalista, Pelé parecia evitar a associação entre ser negro e ser bom de futebol© AFP/Getty Images

Mas o sucesso de Pelé não foi capaz de pôr fim ao racismo no Brasil – além de, paradoxalmente, ter reforçado a noção de que o esporte é um dos poucos meios para a ascensão dos negros no Brasil, diz Guterman.

O próprio Pelé, segundo o jornalista, se incomodava com essa associação.

“Ele sempre foi muito cobrado por não ter abraçado a causa negra como, por exemplo, o (boxeador americano) Mohammed Ali, mas me parece que ele a evitou porque não queria reforçar a associação entre ser negro e ser bom de futebol. Ele era bom, ponto, e ser negro não fazia diferença”, diz.

Da mesma maneira, as três Copas que o Brasil ganhou quando Pelé era profissional (1958, 1962, 1970) não foram acompanhadas por uma ascensão do país ao rol das potências globais, diz Guterman.

“Naquela época realmente acreditávamos que dava pra desenvolver 50 anos em 5, como dizia Juscelino Kubitschek. Daí veio 1964”, diz o jornalista, referindo-se ao golpe militar que manteve o Brasil sob um regime ditatorial até 1985.

Quando Pelé brilhou na conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o Brasil vivia uma lua de mel consigo mesmo, diz à BBC News Brasil o jornalista Marcos Guterman.

Autor do livro O futebol explica o Brasil, Guterman conta que o país vivia grande efervescência cultural: a bossa nova, um ritmo brasileiro, conquistava ouvidos mundo afora, e a construção de Brasília projetava ao mundo uma nação que queria deixar de ser marginal.

No futebol, o otimismo com o futuro do Brasil era ainda mais antigo: remontava à Copa de 1938, na França, quando a seleção terminou em terceiro lugar, até então seu melhor desempenho no torneio.

“Em 38, o Brasil surpreendeu o mundo e talvez a si mesmo, e surgiu daquela Copa como o país do futebol, abraçou o futebol definitivamente como seu esporte nacional, carregando as esperanças do Brasil de deixar a periferia do mundo para ir ao centro, com seu potencial de crescimento e tudo mais”, diz Guterman.

Ele afirma que o Brasil pretendia sediar a Copa seguinte, de 1942, mas os planos só foram concretizados em 1950, já que duas edições do torneio foram canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“O Brasil fez o Maracanã em tempo recorde e tinha uma ideia de país que poderia deixar de ser marginal, deixar de ser eternamente colônia para se tornar protagonista, e o futebol foi o veículo dessa afirmação nacional”, afirma Guterman.

Com a classificação do Brasil para a final do torneio, a profecia parecia perto de se realizar. Mas a vitória não veio: num dos eventos mais traumáticos da história do esporte brasileiro, a seleção perdeu o último jogo do campeonato para o Uruguai, por 2 a 1.

A derrota ganhou até apelido, Maracanaço, em referência ao estádio que recebeu a partida.

O resultado golpeou o ufanismo nacional, diz Guterman. Mas mais do que isso: a derrota gerou reações racistas entre a população.

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto© Getty Images

Em O Negro no Futebol Brasileiro, clássico da literatura esportiva nacional, lançado em 1964, o jornalista Mário Filho diz que Barbosa, Juvenal e Bigode – três atletas negros – levaram injustamente a culpa pela derrota do Brasil na final.

“Os negros padeceram muito nesse período de caça às bruxas. Alguns diziam que havia negros demais na seleção, o que condenava o time ao fracasso”, diz Guterman.

Quatro anos depois, poucos negros foram convocados para a seleção que jogou a Copa de 1954. Visualmente, aquele time lembrava as primeiras equipes brasileiras a disputar torneios de futebol, nos anos 1910 e 1920, quando vários jogadores eram filhos de imigrantes europeus.

Até que um jovem de 17 anos chamado Pelé foi convocado para a seleção que disputaria a Copa de 1958, na Suécia.

“Pelé tinha acabado de começar no Santos e foi grande protagonista na Copa, fazendo um gol espetacular na decisão e sendo coroado como rei do futebol – primeiro pelo (escritor) Nelson Rodrigues e, depois, pelo mundo”, diz Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, conta o jornalista.

Para Guterman, Pelé representa “uma espécie de redenção dos negros na seleção brasileira” – mas também uma redenção dos negros brasileiros em geral.

O jornalista lembra que, além de ter sido o primeiro a conceder o título de “rei” a Pelé, Nelson Rodrigues exaltou a identidade negra do atleta.

“Nelson Rodrigues africaniza o Pelé, não trata o Pelé como um cara qualquer, ele é um negro africano com toda sua majestade, como se fosse um príncipe africano”, diz.

Não que Pelé tenha sido o primeiro negro a se destacar no futebol brasileiro – antes dele houve craques como Leônidas da Silva e Friedenreich, por exemplo.

“Mas nenhum teve a dimensão do Pelé, ele claramente projeta a raça”, diz Guterman.

Mas o sucesso de Pelé não foi capaz de pôr fim ao racismo no Brasil – além de, paradoxalmente, ter reforçado a noção de que o esporte é um dos poucos meios para a ascenção dos negros no Brasil, diz Guterman.

O próprio Pelé, segundo o jornalista, se incomodava com essa associação.

“Ele sempre foi muito cobrado por não ter abraçado a causa negra como, por exemplo, o (boxeador americano) Mohammed Ali, mas me parece que ele a evitou porque não queria reforçar a associação entre ser negro e ser bom de futebol. Ele era bom, ponto, e ser negro não fazia diferença”, diz.

Da mesma maneira, as três Copas que o Brasil ganhou quando Pelé era profissional (1958, 1962, 1970) não foram acompanhadas por uma ascensão do país ao rol das potências globais, diz Guterman.

“Naquela época realmente acreditávamos que dava pra desenvolver 50 anos em 5, como dizia Juscelino Kubitschek. Daí veio 1964”, diz o jornalista, referindo-se ao golpe militar que manteve o Brasil sob um regime ditatorial até 1985.

Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64122265

Quando Pelé brilhou na conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o Brasil vivia uma lua de mel consigo mesmo, diz à BBC News Brasil o jornalista Marcos Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, diz o jornalista Marcos Guterman

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, diz o jornalista Marcos Guterman© Getty Images

Autor do livro O futebol explica o Brasil, Guterman conta que o país vivia grande efervescência cultural: a bossa nova, um ritmo brasileiro, conquistava ouvidos mundo afora, e a construção de Brasília projetava ao mundo uma nação que queria deixar de ser marginal.

No futebol, o otimismo com o futuro do Brasil era ainda mais antigo: remontava à Copa de 1938, na França, quando a seleção terminou em terceiro lugar, até então seu melhor desempenho no torneio.

“Em 38, o Brasil surpreendeu o mundo e talvez a si mesmo, e surgiu daquela Copa como o país do futebol, abraçou o futebol definitivamente como seu esporte nacional, carregando as esperanças do Brasil de deixar a periferia do mundo para ir ao centro, com seu potencial de crescimento e tudo mais”, diz Guterman.

Black Berkey Primer
Publicidade

BerkeyHome

th?id=OP.%2fDSQZjs3Q9Aq9A474C474&o=5&pid=21

Ele afirma que o Brasil pretendia sediar a Copa seguinte, de 1942, mas os planos só foram concretizados em 1950, já que duas edições do torneio foram canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“O Brasil fez o Maracanã em tempo recorde e tinha uma ideia de país que poderia deixar de ser marginal, deixar de ser eternamente colônia para se tornar protagonista, e o futebol foi o veículo dessa afirmação nacional”, afirma Guterman.

Com a classificação do Brasil para a final do torneio, a profecia parecia perto de se realizar. Mas a vitória não veio: num dos eventos mais traumáticos da história do esporte brasileiro, a seleção perdeu o último jogo do campeonato para o Uruguai, por 2 a 1.

A derrota ganhou até apelido, Maracanaço, em referência ao estádio que recebeu a partida.

O resultado golpeou o ufanismo nacional, diz Guterman. Mas mais do que isso: a derrota gerou reações racistas entre a população.

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto© Getty Images

Em O Negro no Futebol Brasileiro, clássico da literatura esportiva nacional, lançado em 1964, o jornalista Mário Filho diz que Barbosa, Juvenal e Bigode – três atletas negros – levaram injustamente a culpa pela derrota do Brasil na final.

“Os negros padeceram muito nesse período de caça às bruxas. Alguns diziam que havia negros demais na seleção, o que condenava o time ao fracasso”, diz Guterman.

Quatro anos depois, poucos negros foram convocados para a seleção que jogou a Copa de 1954. Visualmente, aquele time lembrava as primeiras equipes brasileiras a disputar torneios de futebol, nos anos 1910 e 1920, quando vários jogadores eram filhos de imigrantes europeus.

Até que um jovem de 17 anos chamado Pelé foi convocado para a seleção que disputaria a Copa de 1958, na Suécia.

“Pelé tinha acabado de começar no Santos e foi grande protagonista na Copa, fazendo um gol espetacular na decisão e sendo coroado como rei do futebol – primeiro pelo (escritor) Nelson Rodrigues e, depois, pelo mundo”, diz Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, conta o jornalista.

Para Guterman, Pelé representa “uma espécie de redenção dos negros na seleção brasileira” – mas também uma redenção dos negros brasileiros em geral.

O jornalista lembra que, além de ter sido o primeiro a conceder o título de “rei” a Pelé, Nelson Rodrigues exaltou a identidade negra do atleta.

“Nelson Rodrigues africaniza o Pelé, não trata o Pelé como um cara qualquer, ele é um negro africano com toda sua majestade, como se fosse um príncipe africano”, diz.

Não que Pelé tenha sido o primeiro negro a se destacar no futebol brasileiro – antes dele houve craques como Leônidas da Silva e Friedenreich, por exemplo.

“Mas nenhum teve a dimensão do Pelé, ele claramente projeta a raça”, diz Guterman.

Para o jornalista, Pelé parecia evitar a associação entre ser negro e ser bom de futebol

Para o jornalista, Pelé parecia evitar a associação entre ser negro e ser bom de futebol© AFP/Getty Images

Mas o sucesso de Pelé não foi capaz de pôr fim ao racismo no Brasil – além de, paradoxalmente, ter reforçado a noção de que o esporte é um dos poucos meios para a ascensão dos negros no Brasil, diz Guterman.

O próprio Pelé, segundo o jornalista, se incomodava com essa associação.

“Ele sempre foi muito cobrado por não ter abraçado a causa negra como, por exemplo, o (boxeador americano) Mohammed Ali, mas me parece que ele a evitou porque não queria reforçar a associação entre ser negro e ser bom de futebol. Ele era bom, ponto, e ser negro não fazia diferença”, diz.

Da mesma maneira, as três Copas que o Brasil ganhou quando Pelé era profissional (1958, 1962, 1970) não foram acompanhadas por uma ascensão do país ao rol das potências globais, diz Guterman.

“Naquela época realmente acreditávamos que dava pra desenvolver 50 anos em 5, como dizia Juscelino Kubitschek. Daí veio 1964”, diz o jornalista, referindo-se ao golpe militar que manteve o Brasil sob um regime ditatorial até 1985.

Quando Pelé brilhou na conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o Brasil vivia uma lua de mel consigo mesmo, diz à BBC News Brasil o jornalista Marcos Guterman.

Autor do livro O futebol explica o Brasil, Guterman conta que o país vivia grande efervescência cultural: a bossa nova, um ritmo brasileiro, conquistava ouvidos mundo afora, e a construção de Brasília projetava ao mundo uma nação que queria deixar de ser marginal.

No futebol, o otimismo com o futuro do Brasil era ainda mais antigo: remontava à Copa de 1938, na França, quando a seleção terminou em terceiro lugar, até então seu melhor desempenho no torneio.

“Em 38, o Brasil surpreendeu o mundo e talvez a si mesmo, e surgiu daquela Copa como o país do futebol, abraçou o futebol definitivamente como seu esporte nacional, carregando as esperanças do Brasil de deixar a periferia do mundo para ir ao centro, com seu potencial de crescimento e tudo mais”, diz Guterman.

Ele afirma que o Brasil pretendia sediar a Copa seguinte, de 1942, mas os planos só foram concretizados em 1950, já que duas edições do torneio foram canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“O Brasil fez o Maracanã em tempo recorde e tinha uma ideia de país que poderia deixar de ser marginal, deixar de ser eternamente colônia para se tornar protagonista, e o futebol foi o veículo dessa afirmação nacional”, afirma Guterman.

Com a classificação do Brasil para a final do torneio, a profecia parecia perto de se realizar. Mas a vitória não veio: num dos eventos mais traumáticos da história do esporte brasileiro, a seleção perdeu o último jogo do campeonato para o Uruguai, por 2 a 1.

A derrota ganhou até apelido, Maracanaço, em referência ao estádio que recebeu a partida.

O resultado golpeou o ufanismo nacional, diz Guterman. Mas mais do que isso: a derrota gerou reações racistas entre a população.

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto

Seleção brasileira na Copa de 1958; Pelé é o terceiro, da esquerda para a direita da foto© Getty Images

Em O Negro no Futebol Brasileiro, clássico da literatura esportiva nacional, lançado em 1964, o jornalista Mário Filho diz que Barbosa, Juvenal e Bigode – três atletas negros – levaram injustamente a culpa pela derrota do Brasil na final.

“Os negros padeceram muito nesse período de caça às bruxas. Alguns diziam que havia negros demais na seleção, o que condenava o time ao fracasso”, diz Guterman.

Quatro anos depois, poucos negros foram convocados para a seleção que jogou a Copa de 1954. Visualmente, aquele time lembrava as primeiras equipes brasileiras a disputar torneios de futebol, nos anos 1910 e 1920, quando vários jogadores eram filhos de imigrantes europeus.

Até que um jovem de 17 anos chamado Pelé foi convocado para a seleção que disputaria a Copa de 1958, na Suécia.

“Pelé tinha acabado de começar no Santos e foi grande protagonista na Copa, fazendo um gol espetacular na decisão e sendo coroado como rei do futebol – primeiro pelo (escritor) Nelson Rodrigues e, depois, pelo mundo”, diz Guterman.

Depois do que Pelé fez na Copa de 1958, ninguém mais ousou contestar a presença de negros na seleção, conta o jornalista.

Para Guterman, Pelé representa “uma espécie de redenção dos negros na seleção brasileira” – mas também uma redenção dos negros brasileiros em geral.

O jornalista lembra que, além de ter sido o primeiro a conceder o título de “rei” a Pelé, Nelson Rodrigues exaltou a identidade negra do atleta.

“Nelson Rodrigues africaniza o Pelé, não trata o Pelé como um cara qualquer, ele é um negro africano com toda sua majestade, como se fosse um príncipe africano”, diz.

Não que Pelé tenha sido o primeiro negro a se destacar no futebol brasileiro – antes dele houve craques como Leônidas da Silva e Friedenreich, por exemplo.

“Mas nenhum teve a dimensão do Pelé, ele claramente projeta a raça”, diz Guterman.

Mas o sucesso de Pelé não foi capaz de pôr fim ao racismo no Brasil – além de, paradoxalmente, ter reforçado a noção de que o esporte é um dos poucos meios para a ascenção dos negros no Brasil, diz Guterman.

O próprio Pelé, segundo o jornalista, se incomodava com essa associação.

“Ele sempre foi muito cobrado por não ter abraçado a causa negra como, por exemplo, o (boxeador americano) Mohammed Ali, mas me parece que ele a evitou porque não queria reforçar a associação entre ser negro e ser bom de futebol. Ele era bom, ponto, e ser negro não fazia diferença”, diz.

Da mesma maneira, as três Copas que o Brasil ganhou quando Pelé era profissional (1958, 1962, 1970) não foram acompanhadas por uma ascensão do país ao rol das potências globais, diz Guterman.

“Naquela época realmente acreditávamos que dava pra desenvolver 50 anos em 5, como dizia Juscelino Kubitschek. Daí veio 1964”, diz o jornalista, referindo-se ao golpe militar que manteve o Brasil sob um regime ditatorial até 1985.

Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64122265

Post anterior

Chanceler da Rússia faz novas ameaças contra Ucrânia

Próximo post

A Ucrânia eleva para mais de 105.000 o número de militares russos «liquidados» desde o início da guerra

JORNAL GAZETA NACIONAL

JORNAL GAZETA NACIONAL

Relacionado Posts

Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil
Noticias

Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

10/09/2026
Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história
Noticias

Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

10/09/2026
Apple prepara nova geração do iPhone 18 Pro para um dos lançamentos mais aguardados do ano
Noticias

Apple prepara nova geração do iPhone 18 Pro para um dos lançamentos mais aguardados do ano

08/09/2026
Próximo post
A Ucrânia eleva para mais de 105.000 o número de militares russos «liquidados» desde o início da guerra

A Ucrânia eleva para mais de 105.000 o número de militares russos «liquidados» desde o início da guerra

  • Tendência
  • Comentários
  • Últimos
Conheça as estampas Animal Print do verão 2022.

Conheça as estampas Animal Print do verão 2022.

24/01/2022
Corte Long Bob, a leveza do verão!

Corte Long Bob, a leveza do verão!

28/10/2021
Conheça quem está por trás do restaurante La Ventana Parrilla, uma das maiores referências em cortes argentinos de São Paulo.

Conheça quem está por trás do restaurante La Ventana Parrilla, uma das maiores referências em cortes argentinos de São Paulo.

06/03/2023
Cacau Show anuncia descontos em Ovos de Páscoa

Cacau Show anuncia descontos em Ovos de Páscoa

06/04/2023
Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

0
Isabela Castro Shoes, sofisticação e conforto em um só lugar!

Isabela Castro Shoes, sofisticação e conforto em um só lugar!

0
São Paulo começa a vacinar hoje pessoas de 58 e 59 anos

São Paulo começa a vacinar hoje pessoas de 58 e 59 anos

0
Gi.multimarcas

Gi.multimarcas

0
Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

10/09/2026
Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

10/09/2026
Nova indústria de gases medicinais será instalada no Amazonas com investimento de R$ 150 milhões

Nova indústria de gases medicinais será instalada no Amazonas com investimento de R$ 150 milhões

10/09/2026
Casa Da Li e o novo ritual da tarde

Casa Da Li e o novo ritual da tarde

08/09/2026

Noticias Recentes

Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

Petróleo na Margem Equatorial abre novo capítulo para o futuro energético do Brasil

10/09/2026
Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

Apple rompe tradição e apresenta o primeiro iPhone dobrável de sua história

10/09/2026
Nova indústria de gases medicinais será instalada no Amazonas com investimento de R$ 150 milhões

Nova indústria de gases medicinais será instalada no Amazonas com investimento de R$ 150 milhões

10/09/2026
Casa Da Li e o novo ritual da tarde

Casa Da Li e o novo ritual da tarde

08/09/2026

JORNAL GAZETA NACIONAL

O Jornal Gazeta Nacional www.jornaldagazeta.com.br é um veículo de comunicação independente, sem vínculo ou integração com grupos de mídia, emissoras de TV ou redes de comunicação.

No Jornal Gazeta Nacional, você acompanha conteúdos jornalísticos independentes sobre notícias, saúde, política, moda, experiências, hospedagem e gastronomia, além de temas relacionados à cultura, tecnologia e esportes.

Com informações atualizadas e análises cuidadosas, produzidas a partir de linha editorial própria, estamos aqui para manter você bem informado e conectado aos assuntos que fazem parte do seu dia a dia.

Acesse e descubra!

EDITORIAIS

  • Noticias
  • Saúde
  • Politica
  • Moda
  • Experiências & Hospedagem
  • Gastronomia
  • Noticias
  • Saúde
  • Politica
  • Moda
  • Experiências & Hospedagem
  • Gastronomia

FALE CONOSCO

  • Sugestão de Pauta
  • Painel do Leitor
  • Ouvidoria
  • Erramos?
  • Fale conosco
  • Sugestão de Pauta
  • Painel do Leitor
  • Ouvidoria
  • Erramos?
  • Fale conosco

Contato

Painel do Leitor leitor@jornalgazetanacional.com.br Ouvidoria ouvidoria@jornalgazetanacional.com.br
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Quem Somos

©Jornal Gazeta Nacional - Todos os direitos reservados Economarketing .

Sem resultados
Exibir todos os resultados
  • Início
  • Noticias
  • Saúde
  • Política
  • Moda
  • Experiências & Hospedagem
  • Gastronomia

©Jornal Gazeta Nacional - Todos os direitos reservados Economarketing .

Este site usa cookies. Ao continuar a utilizar este website, está a dar o seu consentimento aos cookies que estão a ser utilizados. Visite nossa política de privacidade e cookies.