“Você tem poder sobre sua mente – não sobre os acontecimentos externos. Compreenda isso, e encontrará força”, Marco Aurélio.
Por que estudar Filosofia à maneira clássica? E, ainda por cima, trazer uma coluna mensal sobre o assunto?
É que os Filósofos Clássicos, por amarem tanto a sabedoria, oferecem respostas que atravessam milênios com o mesmo vigor e, mais que isso, trazem verdadeiro alívio para nossas questões cotidianas, favorecendo a melhor tomada de decisões.
Em resumo: os Filósofos dominam uma ciência muito mal compreendida, que é a Arte de Viver. Viver de uma forma mais prática, desembaraçada, livre e organizada, causando menos estragos para si e para os outros.
Então, vamos pensar em um conceito grego chamado Ataraxia para ver se ele pode nos ajudar a pensar e, portanto, atingir ou saber se estamos no caminho da tal Felicidade?
Fazer sentido, desvendar sua identidade, expressar-se coincidir consigo mesmo, servir a humanidade e, portanto, a Unidade (também chamada de Deus, Natureza) – e fazer isso de maneira consciente, com ética e moral, ou seja, incluindo a coletividade nesta contabilidade; pois é preciso pensar no outro… Equilibrar-se entre alma e personalidade, identificando os apelos de uma e outra. É mais ou menos por aí que a Filosofia à maneira clássica enxerga a Felicidade.
Mas, para isso acontecer não vai ter jeito! A gente vai ter de se aprofundar, pois a vida não é nadar em uma piscina de água morna controlada e, sim, estar à deriva na beleza do oceano, com suas várias cores, temperaturas e mistérios. A vida, por vezes, não dá pé!
Na superfície do mar acontecem as ondas, de tamanhos variados, os ventos, e coisas que não podemos controlar, como diria Marco Aurélio. Já no fundo, apesar das correntes, encontramos um lugar de paz, onde até mesmo um Tsunami é sutilmente sentido ou até passa batido.
Isso é Ataraxia, conceito filosófico, derivado do grego antigo, que significa um estado de calma profunda, serenidade, tranquilidade, imperturbabilidade ou ausência de perturbação, – e que se relaciona à paz interior, liberdade emocional e, portanto, felicidade, saúde e bem-estar.
“Sofremos mais frequentemente na imaginação do que na realidade”, disse Sêneca. “Não são as coisas que nos perturbam, mas o julgamento que fazemos dela”, cravou Epicteto.
Ataraxia não é indiferença, e sim, uma construção consciente, que necessitará das virtudes da Coragem, Disciplina, Moderação, Discernimento. Ela favorece uma vida focada no essencial, com mais aceitação do que não podemos controlar (também chamado de eventos externos ou acaso).
Curioso como se manter na superfície nos parece algo mais confortável e seguro. E se a gente se aventurasse em águas mais profundas sem se perturbar, que tal?
Malu Abib é Comunicadora e Estudante de Filosofia.






































