A moda nunca espera que uma estação termine para começar a imaginar a próxima. Enquanto as últimas imagens da alta costura e das coleções masculinas ainda circulam pelo mundo, a indústria internacional já direciona seus olhos para a Primavera Verão 2027, inaugurando um novo capítulo criativo que deverá movimentar as principais capitais da moda nos próximos meses.
Copenhague será uma das primeiras cidades a traduzir esse movimento nas passarelas. Entre os dias 3 e 7 de agosto, a Copenhagen Fashion Week apresenta sua edição SS27, reunindo marcas consolidadas, novos talentos e uma programação que reforça a crescente importância da capital dinamarquesa no cenário internacional.
A edição também ganha significado especial por acontecer em um momento de amadurecimento da semana de moda de Copenhague, que ao longo dos últimos anos deixou de ocupar uma posição secundária no calendário para conquistar relevância por sua identidade estética, capacidade de revelar novos nomes e compromisso com uma indústria mais consciente.
Mais do que antecipar roupas para o próximo verão do Hemisfério Norte, a temporada começa a revelar uma mudança de atmosfera. Depois de anos marcados pelo minimalismo, pelas paletas neutras e pela consolidação do chamado luxo silencioso, surgem sinais de uma moda novamente interessada em cor, personalidade, movimento e expressão.
As coleções masculinas apresentadas para a Primavera Verão 2027 já ofereceram indícios dessa transformação. Cores mais intensas, proporções renovadas e combinações menos previsíveis começaram a aparecer, indicando uma possível retomada de uma estética mais expressiva depois de temporadas dominadas pela contenção.
Na sequência, o olhar internacional se volta para as grandes capitais que tradicionalmente determinam parte importante do ritmo criativo e comercial da indústria. Nova York, Londres, Milão e Paris voltarão a reunir algumas das casas mais influentes do mundo, além de compradores, jornalistas, celebridades, criadores e profissionais responsáveis por transformar aquilo que nasce nas passarelas em desejo global.
Milão deverá novamente ocupar posição central nesse percurso. A força da moda italiana permanece sustentada por maisons que atravessaram gerações sem perder relevância e por novos movimentos criativos dentro de algumas das marcas mais importantes do luxo mundial. Prada, Gucci, Fendi, Bottega Veneta, Dolce & Gabbana, Ferragamo, Max Mara, Jil Sander e Missoni estão entre os nomes capazes de estabelecer conversas que ultrapassam a própria roupa.
Paris, por sua vez, permanece como um dos momentos mais aguardados de toda a temporada. A capital francesa deverá receber novamente casas como Chanel, Dior, Saint Laurent e Louis Vuitton, além de uma geração de designers e diretores criativos que encontra nas passarelas parisienses um dos espaços de maior visibilidade da indústria.
As mudanças de direção criativa ocorridas recentemente nas grandes maisons também tornam esta temporada particularmente importante. Cada nova coleção deixa de representar apenas a chegada de peças às vitrines para se transformar em uma declaração sobre identidade, permanência e futuro.
Existe, portanto, algo especialmente interessante acontecendo na moda neste momento. Não estamos apenas acompanhando a preparação de mais uma estação. Estamos diante de uma indústria que parece procurar novamente emoção e individualidade depois de um período em que a discrição ocupou o centro das discussões sobre elegância e luxo.
A Primavera Verão 2027 começa a ser construída antes mesmo da abertura de suas principais passarelas. Ela surge nas novas direções criativas, na recuperação das cores, na valorização da identidade e na força crescente de cidades que conquistaram espaço no circuito internacional.
Nas próximas semanas, os desfiles começarão a oferecer respostas mais claras sobre aquilo que realmente permanecerá. Algumas propostas existirão apenas durante os minutos de uma apresentação. Outras atravessarão editoriais, vitrines e ruas até influenciarem efetivamente a maneira como o mundo irá se vestir.
Porque a moda pode apresentar tendências a cada estação, mas são os movimentos capazes de interpretar o espírito de seu tempo que verdadeiramente permanecem.
Por Suzi Freitas, Editora Chefe






































