
Muito além de aprender a utilizar ferramentas, o encontro mostrou como a Inteligência Artificial pode ajudar a organizar processos, fortalecer a identidade das marcas e devolver às empreendedoras aquilo que mais falta na rotina: tempo para pensar estrategicamente.
Quando a IA toma conta do algoritmo
Não sei como está o feed de vocês, mas o meu, nos últimos meses, resolveu que era hora de me aprofundar ainda mais em Inteligência Artificial. Ficou difícil abrir o Instagram sem encontrar um novo curso, um workshop ou alguém explicando como a IA vai transformar a forma como trabalhamos. Confesso que, em alguns momentos, parece informação demais.
Talvez seja exatamente por isso que tanta gente ainda se sinta intimidada pelo assunto.
Um encontro para descomplicar a tecnologia
O nome não poderia ser mais apropriado. “O Próximo Salto” faz referência ao universo da Priscilla Whitaker Shoes, mas também simboliza o primeiro passo de muitas empreendedoras em direção a uma forma mais estratégica de utilizar a Inteligência Artificial em seus negócios.
A loja da Priscilla Whitaker Shoes foi o cenário escolhido para receber a primeira edição do encontro, que reuniu mulheres empreendedoras para uma conversa sobre Inteligência Artificial. Em um ambiente intimista, cercado pelo design autoral que caracteriza a marca, a palestra conduzida por Mila Cerqueira teve um formato bem diferente do que normalmente esperamos quando o assunto é tecnologia.
Nada de apresentações excessivamente técnicas ou discussões sobre um futuro distante. A proposta era bastante prática: mostrar como a IA já pode fazer parte da rotina de quem empreende, ajudando a organizar processos, estruturar ideias e ganhar tempo para aquilo que realmente importa.
Enquanto ouvia a palestra, pensei na Inteligência Artificial quase como uma diretora de operações da empresa. Aquela profissional que mantém a rotina organizada, ajuda a estruturar processos, reúne informações e resolve uma série de tarefas que consomem horas do dia. Não para substituir quem lidera o negócio, mas para permitir que essa liderança tenha mais tempo para criar, desenvolver produtos, fortalecer relacionamentos e tomar decisões estratégicas.
Porque quem empreende sabe que criatividade raramente é o problema.
O verdadeiro desafio é encontrar tempo para colocá-la em prática.
Da teoria para a prática
Um dos momentos mais interessantes da noite foi quando a teoria deu lugar à prática.
Como exercício, fomos convidadas a escolher três modelos da coleção da Priscilla Whitaker Shoes com os quais mais nos identificávamos.
À primeira vista, parecia apenas uma dinâmica leve. Mas logo percebemos que havia uma estratégia por trás da proposta.
A partir dessas escolhas, começamos a identificar padrões, referências e preferências estéticas. Era um exercício sobre identidade.
Foi uma forma muito interessante de mostrar que uma marca não nasce apenas de um logotipo ou de uma paleta de cores. Ela é construída por escolhas consistentes, valores e percepção.
E isso também conversa diretamente com a Inteligência Artificial.
Antes de pedir qualquer estratégia, qualquer texto ou qualquer ideia para uma ferramenta, é preciso que exista clareza sobre quem é a marca.
A importância do contexto
Outro ponto que me chamou atenção foi a importância do contexto.
A Inteligência Artificial consegue organizar informações, resumir documentos, estruturar projetos, transformar uma conversa em um plano de ação e até ajudar a desenvolver processos internos. Mas ela só entrega bons resultados quando recebe boas informações.
Isso me fez pensar imediatamente no trabalho que fazemos com comunicação e branding.
Antes de pensar em conteúdo para redes sociais, campanhas ou posicionamento, existe identidade.
Existe propósito.
Existe tom de voz.
Existe clareza sobre quem é aquela empresa e como ela quer ser percebida.
Sem isso, nenhuma ferramenta entrega autenticidade.
A IA pode acelerar processos, mas ela não cria personalidade.
Ela potencializa aquilo que já existe.
Tradição e inovação caminhando juntas
Outro detalhe interessante do encontro foi descobrir que Mila Cerqueira foi professora de Priscilla Whitaker durante sua especialização na Belas Artes.
Hoje, esse conhecimento faz parte da evolução da própria marca. Fundada em 2004, a Priscilla Whitaker Shoes construiu sua reputação apostando em design autoral, produção cuidadosa e uma relação próxima com suas clientes. Ao abrir as portas da loja para um encontro como esse, mostrou que tradição e inovação não são conceitos opostos. Pelo contrário, podem caminhar lado a lado.
Conversas que continuam depois da palestra
Após a palestra, a noite seguiu de forma descontraída entre taças de vinho tinto e um delicado coquetel preparado por Mari Horbach. Foi nesse momento que as conversas iniciadas durante o encontro ganharam continuidade, com troca de experiências, networking e muitas reflexões sobre os desafios e as oportunidades da Inteligência Artificial no dia a dia de quem empreende.
O maior ganho talvez seja o tempo
Saí de lá com uma sensação diferente daquela que normalmente acompanha as conversas sobre tecnologia.
Menos deslumbramento.
Mais clareza.
Percebi que talvez estejamos olhando para a Inteligência Artificial da maneira errada.
Ela não precisa fazer o trabalho por nós.
Ela pode fazer o trabalho que sobra para nós.
Aquele operacional que ocupa horas do dia, organiza informações, coloca ideias em ordem, estrutura processos e libera espaço para aquilo que nenhuma ferramenta consegue substituir.
Pensar.
Criar.
Liderar.
Construir relações.
No fim das contas, foi essa a principal reflexão que levei para casa.
A Inteligência Artificial não substitui uma boa marca, uma boa estratégia ou uma boa ideia.
Mas, quando bem utilizada, pode devolver o tempo necessário para que tudo isso aconteça.
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