Há coleções que simplesmente vestem o corpo. E há aquelas que tocam a alma. A Pre-Fall 2025 da Gucci faz parte deste segundo grupo — uma ode à sofisticação silenciosa, ao requinte atemporal e à força serena da moda que não precisa gritar para ser lembrada.
Sob a direção criativa de Sabato De Sarno, a nova campanha revela-se como um sussurro elegante da memória, envolto em tons de verde-oliva e detalhes que evocam os gloriosos anos 70 — década em que a Gucci se consolidou como um ícone mundial de estilo. Aqui, não há espaço para exageros. Tudo é contido, pensado, impecável.
As peças transbordam história, mas não se aprisionam nela. O tradicional se reinventa com cortes limpos, alfaiataria sutilmente ousada e tecidos que parecem flutuar entre o ontem e o amanhã. Jaquetas estruturadas, tricôs com efeito trompe-l’œil, casacos em faux fur e conjuntos com padronagens clássicas desfilam ao lado de acessórios que são verdadeiras declarações de legado — como as bolsas Jackie 1961, o retorno triunfal do Horsebit e o charmoso Softbit, nova queridinha dos olhares atentos ao design.
As joias, por sua vez, são como pontos de luz que conduzem a narrativa da coleção com discrição e poder. Correntes douradas, brincos minimalistas e pulseiras de metal escovado marcam presença como se sempre tivessem feito parte da sua memória, mesmo que você só as esteja vendo agora.
Mais que uma campanha de moda, o Pre-Fall 2025 da Gucci é uma experiência visual sensorial, que percorre um caminho de referências afetivas, com cores que confortam — como o verde musgo, o lilás antigo e o rosa queimado — e uma estética que convida à contemplação. É a elegância da pausa, o luxo da simplicidade e a força de um olhar que enxerga beleza no detalhe.
É impossível observar esta coleção sem sentir um certo encantamento. Como se cada peça carregasse, além da matéria-prima, a alma de uma era, a mão de um artesão, o respiro de um tempo mais lento.
Gucci, mais uma vez, não apenas lança moda. Ela nos conta uma história. E, dessa vez, somos convidados a vivê-la em tons de verde-oliva e silêncio precioso.
Por Suzi Freitas – Editora-Chefe






































