Entre o que sentimos, o que conseguimos nomear e aquilo que aprendemos a silenciar, existe um espaço que merece ser ouvido.
Há momentos em que nós, mulheres, sentimos tantas coisas ao mesmo tempo que encontrar um nome para o que se passa dentro de nós exige tempo. Há o que percebemos no corpo, de maneira concreta, e há também aquilo que não sabemos exatamente onde localizar: uma inquietação, uma sensação difícil de explicar, uma percepção sutil ou aquela intuição que, de tão certeira, parece até beirar o esoterismo.
Por muito tempo, aprendemos a conviver com uma imagem da mulher excessivamente emocional, frágil, complicada ou incapaz de separar sentimento e razão. Talvez por isso tantas vezes nossa primeira reação seja diminuir o que sentimos: “deve ser bobagem”, “estou exagerando”, “vai passar”. Como se aquilo que ainda não conseguimos explicar merecesse imediatamente ser colocado em dúvida.
O silêncio também atravessa essa história. Quantas vezes calamos para evitar um confronto, não provocar um embate, não desagradar ou simplesmente porque não encontramos espaço para dizer? Com o tempo, tenho aprendido a olhar para esses silêncios de outra maneira. A vida, o jornalismo e, agora, minha formação em Biossíntese têm me provocado a observar com mais atenção aquilo que sentimos e nem sempre conseguimos colocar em palavras, inclusive o que o corpo parece nos pedir para perceber.
É desse lugar que nasce esta coluna. Não de quem pretende oferecer respostas prontas, mas de uma mulher disposta a fazer perguntas junto com outras mulheres. Todos os meses, quero trazer para cá assuntos que talvez reconheçamos imediatamente e outros que possam causar algum desconforto. Quero falar sobre corpo, emoções, relações, escolhas, medos, silêncios e sobre tantas experiências femininas que vivemos antes mesmo de conseguirmos nomeá-las.
Talvez possamos começar justamente assim: dando um pouco mais de atenção ao que sentimos antes de dizer que “não é nada”. Aos poucos, podemos encontrar nossos próprios caminhos e fazer escolhas mais conscientes, não necessariamente livres da dúvida ou do medo, mas sem permitir que sejam sempre eles a escolher por nós.
Nem tudo que silenciamos deixa de falar.
Por: Bibiana Salles, jornalista e estudante de Biossíntese
Redação do Jornal Gazeta Nacional







































