Há momentos em que a moda deixa de ser apenas aquilo que veste o corpo para revelar aquilo que veste uma época. É nesse território, onde criação, memória e identidade se encontram, que o São Paulo Fashion Week prepara sua nova edição.
De 13 a 18 de outubro, o SPFW N61 retorna à capital paulista sob o conceito “Imaginários”, dando continuidade a um ciclo histórico para o evento, que atravessa três décadas como uma das principais forças de construção e projeção da moda brasileira.
Ao longo de seis dias, São Paulo será novamente atravessada pelo movimento das passarelas. O Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, concentra o HUB da temporada, enquanto apresentações externas espalham pela cidade diferentes interpretações de um mesmo momento criativo.
O calendário começa no dia 13 com Herchcovitch;Alexandre, nome incontornável da história da moda nacional, seguido pela Forca. Nos dias seguintes, a programação reúne diferentes gerações e linguagens, formando um retrato expressivo da pluralidade que hoje define a criação brasileira.
À La Garçonne, Marina Bitu, Martins, Artemisi, Catarina Mina, João Pimenta, Lilly Sarti, Santa Resistência, Amir Slama, Handred, Aluf, Normando, Dendezeiro, Foz e Apartamento 03 estão entre os nomes que atravessam a programação.
A temporada também abre espaço para encontros capazes de ultrapassar a lógica convencional de uma coleção. Ronaldo Fraga integra uma apresentação especial com o movimento Sou de Algodão, enquanto projetos como Cria Costura reforçam uma dimensão do SPFW que se tornou cada vez mais relevante ao longo de sua trajetória: a moda como instrumento de expressão social, cultural e econômica.
Entre os movimentos que despertam curiosidade nesta edição está a chegada de novos nomes ao calendário. Hisha faz sua estreia no SPFW com apresentação marcada para 16 de outubro, enquanto Ammi, reconhecida pelo trabalho artesanal desenvolvido a partir do crochê, apresenta sua coleção no dia 18.
São estreias que carregam um significado particular. Em uma semana de moda que alcançou três décadas de existência, permitir que novas vozes ocupem a mesma plataforma de criadores consagrados talvez seja uma das maneiras mais legítimas de preservar sua relevância.
O próprio conceito escolhido para a temporada amplia essa reflexão.
“Imaginários” conduz a moda para além da aparência e provoca uma leitura sobre os símbolos que construímos, herdamos e transformamos. Uma roupa nunca existe completamente isolada de seu tempo. Ela pode carregar território, memória, desejo, comportamento, pertencimento e até a expectativa de um futuro que ainda não ganhou forma.
Essa discussão também ocupará o SPFW Academy, realizado entre 16 e 18 de outubro no Pavilhão das Culturas Brasileiras. Sob o tema “Estética e imaginários: a Moda como construtora do simbólico”, a programação propõe encontros dedicados às relações entre imagem, cultura, design, crítica, inovação e construção de futuros.
É justamente nessa intersecção que o SPFW N61 encontra sua maior força.
Depois de 30 anos, permanecer relevante exige mais do que reunir belas coleções ou produzir imagens memoráveis. Exige compreender as transformações de uma indústria, acolher novas linguagens e continuar oferecendo espaço para que a moda brasileira possa se reconhecer, se questionar e, sobretudo, imaginar.
São Paulo volta a ser cenário desse encontro.
Nas passarelas, estarão tecidos, volumes, técnicas e silhuetas. Mas por trás de cada criação haverá algo menos tangível e talvez ainda mais poderoso: histórias sendo contadas sobre quem fomos, quem somos e quem desejamos ser.
Porque algumas roupas acompanham uma estação. Outras conseguem registrar uma época.
E quando as luzes se acenderem para o SPFW N61, não será apenas uma nova temporada que estará começando. Será mais um capítulo de uma história que, três décadas depois, ainda encontra na moda brasileira inúmeras maneiras de imaginar o futuro.
Por Redação do Jornal Gazeta Nacional






































